Menu Fechar

REVOLUÇÃO NOS ELÉTRICOS DO PORTO: GESTÃO É AGORA MUNICIPAL E GAIA PREPARA LINHA PELA MARGINAL

Com a gestão dos elétricos a passar para a alçada da Câmara Municipal do Porto deixando, assim, a mesma, de pertencer à Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) – decisão tomada a seis de abril último, pelo Conselho Metropolitano do Porto – parece, à primeira vista, estar assegurado, não só, o futuro deste centenário transporte público na região, como a sua expansão e revitalização. Tanto assim é, que Vila Nova de Gaia quer o regresso dos elétricos à cidade, assim como Matosinhos, neste caso, a longo prazo.

O regresso dos Elétricos a Vila Nova de Gaia será uma realidade já no verão do próximo ano, como garantiu o presidente da autarquia, Eduardo Vítor Rodrigues. O projeto, que custará à Câmara Municipal gaiense (CMVG) cerca de 600 mil euros, contempla a colocação de carris, catenárias e eletrificação da via, que passará pelo tabuleiro inferior da ponte Luiz I, ligando-se a uma outra, no Porto, que terá início junto ao Infante, passando depois, pelo túnel da Ribeira. A linha terá o seu término no Cais de Gaia, pensando-se, a médio prazo, na sua extensão até à Afurada, pela marginal do Douro.

Para já, um dos problemas que se coloca diz respeito a obras de melhoramento a efetuar pela Infraestruturas de Portugal (IP) no tabuleiro inferior da ponte Luiz I, intervenção que tem vindo a ser adiada pela IP, isto muito antes de se conhecer o projeto da passagem de elétricos pela referida travessia sobre o rio Douro.

Este projeto vinha, pelos visto, a ser cozinhado há vários meses, pelo Conselho Metropolitano do Porto, mas só, recentemente, se concretizou depois de aprovada a transferência da gestão dos elétricos para a Câmara Municipal do Porto, como a seguir damos conta.

De acordo com o presidente da CMVG, Eduardo Vítor Rodrigues, o trajeto Infante-Cais de Gaia-Infante “a operação será sustentável”, uma vez que a “bilhética deverá garantir a receita necessária”, e que será, “além de um potencial turístico, um transporte com vantagens para os moradores”.

Relativamente à extensão da linha até à vila da Afurada, o autarca foi peremtório: “essa expensão é viável do ponto de vista técnico, mas implica um brutal investimento”, pelo que “isso só será pensado após um ano de experiência-piloto do elétrico até ao Cais de Gaia”.

Matosinhos na “corrida”

Elétrico (Linha 1) junto ao Mercado de Matosinhos (pesquisa Google)
Elétrico (Linha 1) junto ao Mercado de Matosinhos (pesquisa Google)

O Município de Matosinhos, por seu turno, vê também com bons olhos o “regresso ao passado”, uma vez que também, aí, eles circularam durante décadas e nas principais artérias da cidade. Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos (CMM), em declarações ao “Jornal de Notícias”, manifestou o desejo de ver o elétrico voltar a passar na marginal do concelho, desta feita até (facto inovador) até ao Terminal de Cruzeiros, mas a integração de Matosinhos na expansão da rede dos veículos históricos só deverá acontecer numa fase posterior.

Um dos problemas que os matosinhenses colocam é a de quem pagará a colocação de carris entre Foz (Porto) e Leixões. Independentemente desta pertinente questão, Luísa Salgueiro não se opõe ao regresso dos carros elétricos a Matosinhos.

GESTÃO DOS “ELÉTRICOS” SOB A ALÇADA DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO

Foto: PNS
Foto: PNS

Ora, para todos os desenvolvimentos atrás referidos – com especial destaque para o projeto de Vila Nova de Gaia – tudo passou pela estabelecimento de um novo modelo de gestão para os elétricos. No passado dia 06 de abril, o Conselho Metropolitano do Porto aprovou por unanimidade a municipalização deste serviço de transporte, que deixa assim de ficar a cargo da STCP.

A proposta, apresentada pela Câmara do Porto e aprovada por toda a estrutura do Conselho Metropolitano do Porto, indica que “a operação do carro elétrico, atualmente a cargo da STCP em regime de concessão ope legis [por força da lei] seja definitivamente descentralizada, passando a Área Metropolitana do Porto (AMP) a exercer a plenitude das suas competências”.

Recorde-se que, desde o início de 2018 – altura em que a AMP assumiu a gestão da STCP e passou a exercer a Autoridade de Transportes -, o mesmo não sucedeu com o modelo de gestão dos elétricos, que havia ficado para apreciação ulterior. Isto porque, do contrato de serviço público celebrado entre a AMP e o Estado, considerou-se apenas a transferência para o “modo rodoviário do serviço prestado pela STCP”.

Foto: MM
Foto: MM

Na reunião que decorreu dia 06 de abril, em Gondomar, e que contou com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Filipe Araújo, todo o Conselho Metropolitano esteve de acordo na orientação deste novo modelo. Assim, a AMP pretende criar “um operador interno específico” que assegure a exploração do carro elétrico, explicitando a proposta que “mediante contratualização de serviço público ao abrigo do Regime Jurídico do Serviço Público de Transporte de Passageiros, libertando a STCP dessa função”.

Será ainda definido “um mecanismo próprio de governação e de exercício dos poderes da Autoridade de Transportes do carro elétrico pela AMP, centrado nos municípios servidos (ou que venham a ser)” por este meio de transporte público.

De igual modo, o património afeto ao carro elétrico, designadamente o Museu, passará a ser gerido pelos municípios.

Como observa o documento apresentado pela Câmara do Porto, “o quadro de incerteza jurídica dado pela ausência de definição de regras para a prestação do serviço público do carro elétrico não está alheio à desvalorização que este meio de transporte sofreu no contexto de mobilidade urbana da área metropolitana”.

Foi precisamente procurando reverter este contexto que o Conselho Metropolitano do Porto deliberou por unanimidade o caminho da municipalização dos elétricos, procurando assim combater “a degradação e desinvestimento no serviço público [deste meio de transporte] ao longo dos anos”, acrescenta o documento.

A proposta sugere ainda que devem ser “desenvolvidas conjuntamente com o Estado e a STCP as formas e modalidades para a consecução” deste objetivo, “devendo ser estudado o modelo empresarial, societário e contratual que melhor sirva as finalidades do carro elétrico, bem como a atividade da STCP e os objetivos dos municípios, alterando o regime legal da exploração” deste meio de transporte, “atualmente concedido à STCP” nos termos da lei. (*)

Município do Porto coordena trabalhos

Caberá agora ao Município do Porto a coordenação do dossiê, já que a rede de elétricos fica no seu território. Para tanto, encetará todos os esforços para que seja celebrado “um memorando de entendimento entre o Estado, a AMP e a STCP, tendo por objetivo estipular os termos, coordenadas e calendário para os trabalhos de conceção e implementação do novo modelo de funcionamento e organização do carro elétrico”.

Para a cidade do Porto, o elétrico “é de novo um meio de transporte relevante para a mobilidade urbana, bem como uma âncora da atividade económica da AMP”, sendo “necessário garantir a expansão da oferta em termos quantitativos e qualitativos”, à qual não é alheia a expansão do turismo na região. (*)

(*)Texto “Porto.”, uma vez que o “Etc e Tal jornal” não foi convidado a reportar a referida cerimónia

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: AA – António Amen e PNS – Pedro N. Silva (Arquivos EeTj) e MM – Mariana Malheiro.

01mai18

1 Comment

  1. luis Morgado

    Só acredito vendo como São Tomé .
    Falava se de Matosinhos os carris estão lã ha vinte anos e nada.
    Falou-se de Mousinho da Silveira e nada .
    Depois marginal da foz até ao Castelo do Queijo onde inclusive dão a volta a praça Gonçalo Zarco , mas electricos nem vê-los.
    Portanto fala-se muito e e faz-se muito pouco.
    Só fala barato.
    Há mais gente a mandar no Stco do que a trabalhar ( condutores e afins )

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.