Cristóvão Sá-ttmenta
Continuando a ziguezaguear pelas palavras, na busca do (re)equilíbrio, tendo como fundo sonoro as melodias tradicionais de Fado, neste edição fala-se de uma composição do músico Lino Teixeira, “O Ginguinhas”. A alcunha foi “ganha”, segundo dizem, pela sua frágil figura e andar bamboleante feito ginga.
Com esta melodia, Vicente da Câmara tem uma notável interpretação para um seu próprio poema “A Moda das Tranças Pretas”. É este o nome do poema e não “A Menina das Violetas” como às vezes aparece dito.
Para esta estrutura musical escrevi dois poemas que têm um carácter autobiográfico, como fonte motivadora e de inspiração. O primeiro deles, não será difícil reconhecer a quem é dedicado. Já o segundo está prenhe de referências a lugares e sítios do Porto, bem como é revelador, logo no primeiro verso, da terra mãe deste escriba e dos seus progenitores.
Música: Fado Ginguinhas (Bernardo Lino Teixeira)
Exemplo: Vicente da Câmara (https://www.youtube.com/watch?v=nUXaLZlpL5w)
FLORES DO MEU JARDIM
Do amor nasceram p’ra viver e p’ra sentir
Viçosas’estão as flores do meu jardim
Voam no espaço sem medo e mal agir
Crescem livres neste mundo perto de mim
Primo foste cravo também revolução
De verdes olhos e bonomia és senhor
Já muitas são tuas luas e criação
Sempre serás arauto de muito amor
Vieste secunda de rosa escarlate
Sinal de vida intensa e rebeldia
Crenças, ideias são em ti combate
Nem que no fundo cale nostalgia
Chegaste linda terça cor celeste
Na tua iris estrela azul cintila
Que guia e ensina o que te apreste
Dando um arco de cor à tua pupila
Cravo, rosa e jasmim, ramo bonito
Junto pelo verde de finas piteiras
Constrói vida e utopias em grito
Derrubando ódios e más maneiras
MEMÓRIAS DO PORTO
Há tanto tempo ficou atrás a Filigrana
Na Formiga o clã Pimenta se alojou
E a Senhora da Saúde qual aduana
Ora por vida que nasceu e se arrojou
Na Ramadinha acumula o pai canseira
Escola da Lomba que fica no redondo
Com Saber, letras e números foi a maneira
De crescer com alicerces e me compondo
De vida revolta para o Bonfim nos mudamos
Mais conhecimento às Flores fui buscar
Amparo e mais ruas calcorreámos
Nas Fontainhas São João fui festejar
No Repouso as flores ainda levitam
No Jardim Lázaro vê o coreto sem cor
Castigadas e sofridas vidas pintam
Matizes carregados de sombra e dor
Fotos: Pedro N. Silva (coreto S. Lázaro )e pesquisa Google
01jun18



Caro amigo Sá Pimenta,
Gostei dos 2 poemas, mormente de “memórias do Porto”.
Continue a “ziguezaguear pelas palavras, na busca do (re)equilíbrio”.
Grande abraço
António Rente Pinto
Caro amigo Sá Pimenta,
Gostei dos 2 poemas, mormente “memórias do Porto”.
Grande abraço
António Rente Pinto