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Poesias sonoras e Fado em tempo real (04)

Cristóvão Sá-ttmenta

Continuando a ziguezaguear pelas palavras, na busca do (re)equilíbrio, tendo como fundo sonoro as melodias tradicionais de Fado, neste edição fala-se de uma composição do músico Lino Teixeira, “O Ginguinhas”. A alcunha foi “ganha”, segundo dizem, pela sua frágil figura e andar bamboleante feito ginga.

Com esta melodia, Vicente da Câmara tem uma notável interpretação para um seu próprio poema “A Moda das Tranças Pretas”. É este o nome do poema e não “A Menina das Violetas” como às vezes aparece dito.

fado ginguinha - vivente c pereira

Para esta estrutura musical escrevi dois poemas que têm um carácter autobiográfico, como fonte motivadora e de inspiração. O primeiro deles, não será difícil reconhecer a quem é dedicado. Já o segundo está prenhe de referências a lugares e sítios do Porto, bem como é revelador, logo no primeiro verso, da terra mãe deste escriba e dos seus progenitores.

Música: Fado Ginguinhas (Bernardo Lino Teixeira)

Exemplo: Vicente da Câmara (https://www.youtube.com/watch?v=nUXaLZlpL5w)

FLORES DO MEU JARDIM

flores do meu jardim

Do amor nasceram p’ra viver e p’ra sentir

Viçosas’estão as flores do meu jardim

Voam no espaço sem medo e mal agir

Crescem livres neste mundo perto de mim

 

Primo foste cravo também revolução

De verdes olhos e bonomia és senhor

Já muitas são tuas luas e criação

Sempre serás arauto de muito amor

 

Vieste secunda de rosa escarlate

Sinal de vida intensa e rebeldia

Crenças, ideias são em ti combate

Nem que no fundo cale nostalgia

 

Chegaste linda terça cor celeste

Na tua iris estrela azul cintila

Que guia e ensina o que te apreste

Dando um arco de cor à tua pupila

Cravo, rosa e jasmim, ramo bonito

Junto pelo verde de finas piteiras

Constrói vida e utopias em grito

Derrubando ódios e más maneiras

 

MEMÓRIAS DO PORTO

jardim s.lazaro - 00

 

Há tanto tempo ficou atrás a Filigrana

Na Formiga o clã Pimenta se alojou

E a Senhora da Saúde qual aduana

Ora por vida que nasceu e se arrojou

 

Na Ramadinha acumula o pai canseira

Escola da Lomba que fica no redondo

Com Saber, letras e números foi a maneira

De crescer com alicerces e me compondo

 

De vida revolta para o Bonfim nos mudamos

Mais conhecimento às Flores fui buscar

Amparo e mais ruas calcorreámos

Nas Fontainhas São João fui festejar

 

No Repouso as flores ainda levitam

No Jardim Lázaro vê o coreto sem cor

Castigadas e sofridas vidas pintam

Matizes carregados de sombra e dor

 

Fotos: Pedro N. Silva (coreto S. Lázaro )e pesquisa Google

01jun18

 

 

2 Comments

  1. António Rente Pinto

    Caro amigo Sá Pimenta,

    Gostei dos 2 poemas, mormente de “memórias do Porto”.

    Continue a “ziguezaguear pelas palavras, na busca do (re)equilíbrio”.

    Grande abraço

    António Rente Pinto

  2. António Rente Pinto

    Caro amigo Sá Pimenta,
    Gostei dos 2 poemas, mormente “memórias do Porto”.
    Grande abraço
    António Rente Pinto

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