A edição deste ano do Festival Internacional de Marionetas de Ovar (FIMO) que decorreu entre 6 e 10 de junho, teve como novidade a participação de várias companhias que tiveram a expressão artística circense como base dos seus espetáculos nesta festa do teatro de marionetas. Foram os casos do espanhol Jordi Bertran que apresentou “Circus”, prestando homenagem a um dos grandes personagens do século XX, Charles Chaplin. Ou “Transilvânia Circus” pelo Teatro Dodici Lune, um circo de criaturas estranhas. Já o brasileiro Circo Poeira contou a história de um circo através das recordações de um “velho Mestre”, que recorda o auge do seu circo. Enquanto a companhia da Republica Checa, Karromato, apresentou “Circo de Madeira”.
Novidade foi também o envolvimento da U.DREAM, uma ideia idealizada e concebida por jovens estudantes, que foi fundada a 20 de agosto de 2013 no seio da Faculdade de Economia do Porto e que se propõe desafiar a própria lógica do associativismo juvenil ajudando à concretização de sonhos de crianças, como foi realçado pela organização do FIMO que se associou ao projeto UDREAM criando-lhe condições para a divulgação do seu conceito e campanhas de consciencialização social durante estes dias do evento que continua a ser assumido pela União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã, com uma indispensável equipa de voluntários no terreno.
Quando no dia 8 de junho foi declarada oficialmente aberta a XII edição do FIMO, numa cerimónia que decorreu num dos palcos deste certame, no Jardim do Cáster, em que uma das novidades também foi o seu prolongamento durante quatro dias de espetáculos. Pela agradável noite que se fez sentir, com a participação do projeto U.DREAM e o concerto do duo holandês “Accordeon Melancolique”, noite acolhedora para espetáculos de rua que se repetiu também na sexta-feira (dia 9), ninguém queria acreditar que a chuva viesse obrigar a procurar alternativas para vários dos espetáculos ao ar livre como é característica deste festival com o constante deambular do público de palco para palco, em função de um arrojado programa espalhado pela cidade, instalados em espaços comerciais, largos, praças e jardins públicos, ou associações e instituições, como o Museu de Ovar em que decorreu uma Exposição de Marionetas.
Mas a chuva acabou mesmo por estragar esta festa de família no sábado e no domingo com a precipitação que se fez sentir, obrigando a alterações para espaços cobertos, com recurso por exemplo ao Auditório da Escola de Artes e Ofícios que foi palco para alguns dos espetáculos, incluindo o de encerramento do FIMO, com Jordi Bertran – “Ciscus” (Espanha) e a entrega de prémios.
Com todos os contratempos, os vencedores de 2018 foram encontrados, segundo as escolhas de um Júri que acompanhou os espetáculos a concurso para o Prémio do Júri, que distinguiu a companhia espanhola Cia Ortiga, com “Kumulunimbu” e uma Menção Honrosa para a italiana Carolina Khoury, que apresentou “The Ginodrama”. Para o Prémio Infantil foi nomeada a companhia Partículas Elementares, com “O Ninho” e à companhia checa Karromato, que trouxe a Ovar “Circo de Madeira”, foi atribuído o Prémio do Público, que assim correspondeu ao apelo do diretor do FIMO, Nuno Pinto, na sessão de abertura, para marcar presença nos espetáculos, ainda que sem o “bom tempo” que entusiasticamente prometeu.
Desdobraram-se ainda durante estes quatro dias de FIMO em diferentes palcos, espetáculos das seguintes companhias: Alex Piras – “Tic Tac” (Itália); Teatro do Moleiro – “Boneco de Cor” (Brasil); Men in Coast – “Men in Coast” (Reino Unido); Ayusaya Puppet “fassoulis, The Dead Love Story” (Grécia); La Fabíola – “Attenti a Quei Due” (Itália); Clive Chandler – “The Punch and Judy” (Reino Unido); Follemente – “Leggero” (Itália); Contacto – “Está aí Alguém?” (Ovar/Portugal); The Pilgrim – “El Pelegrino” (Austrália); Margaux Dub – “Cyclose” (França); Mandrágora – “Bzzzoira Moira” (Portugal); Sol D´Alma – “Este rio tem um segredo” (Ovar/Portugal). Esta edição do FIMO contou ainda com espetáculos de “vídeo mapping” e aula “Ritmos Dourados” da Liga Portuguesa Contra o Cancro pelo seu Núcleo de Ovar.
Foi pois mais uma edição do Festival de Marionetas com muitas histórias contadas através da manipulação de bonecos que proporcionaram alegria, gargalhadas, mas também sensibilidade e emoção transmitida através da linguagem universal do Teatro das Marionetas que deslumbram as crianças e os adultos que foram um público fiel deste evento com tradição na cidade de Ovar.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal jornal” em Ovar – Aveiro
01jul18








