Cristóvão Sá-ttmenta
Vitrúvio, Leonardo da Vinci, Economia e Recursos Disponíveis
Tenho vindo a colaborar neste projeto desde outubro/17. Inicialmente com quatro poemas à volta do tema “Silêncio”. Depois seguiu-se uma série sobre poesia para Fado.
Na transição de uma para outra fase o Diretor informou-me que os meus textos iriam integrar a categoria “Registos”. Mais disse que deveria propor um nome para a mesma.
Foi desta maneira que os meus textos passaram a estar debaixo do “guarda-chuva” Vitruviando. Respondo de imediato porquê, pois admito que queiram saber. Fiquei fascinado quando pela primeira vez vi a imagem do desenho “Homem de Vitrúvio” de Leonardo. Pelo que representa de equilíbrio, proporcionalidade e regularidade entre as formas. No caso concreto o Homem no interior de dois espaços fundamentais: o círculo e o quadrado.
Leonardo foi beber ao legado do Vitrúvio (Séc I, A.C.) as noções da antropometria. Entendendo-se esta como a relação que se deve estabelecer entre a dimensão do Homem e o seu espaço físico. Para o uso eficiente dos espaços edificados pelo Homem, a arquitetura terá de refletir e desenhar segundo a regularidade do corpo humano.
Este desenho representa de facto para mim uma filosofia de vida. No sentido da permanente procura do equilíbrio. Andamos muito no “fio da navalha”. Temos de fazer um esforço sério para não nos violentarmos. Evitando passar para o lado errado da navalha.
As ideias de Vitrúvio representadas por Leonardo também estão na Economia. O seu funcionamento como um todo é também a permanente procura do equilíbrio. Entre os interesses dos agentes económicos. Interesses muitas vezes antagónicos. Exigindo permanente e consistente dialética na defesa das que se considerem eficientes políticas. Desde logo marcadas pela ideologia.
A relação de forças que se estabelece nas Sociedades é determinante para as escolhas. A utilização eficiente dos recursos, que em teoria são escassos, é decisiva para a tomada de decisão. Podemos ter a melhor ideia para o desenvolvimento de um determinado projeto, mas se não detivermos os recursos exigidos para a sua concretização o projeto morre à nascença.
Aparentemente criei uma necessidade nos meus leitores quando todos os meses me procuram. Ou seja: coloco-me na posição de alguém que oferece um produto e que espera que outros o procurem (consumam). Pode acontecer, num dado momento, que os recursos postos à minha disposição, mais aqueles que resultem da minha capacidade física e emocional, não sejam suficientes para produzir o bem que os meus leitores esperam.
Tudo que está atrás vem a propósito do facto de ter defraudado a expectativa dos meus leitores. Prometi-vos em janeiro, que iria falar da utilidade dos bens e de curvas de indiferença. Pois, desculpem-me. Neste início de ano tenho estado num exercício introspetivo. Refletindo sobre os meus recursos. Interrogando-me se tenho condições para – não pondo em causa o meu equilíbrio – comi “engenho e arte” dar algo interessante.
Foto: pesquisa Google
01fev19
