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A MAIORIA ESTÁ FORA DO CIRCUITO TURÍSTICO DA CIDADE – NO PORTO AINDA HÁ ESPAÇOS VERDES E AJARDINADOS VOTADOS AO ABANDONO! Será que os serviços camarários se esqueceram deles?

Longe dos atentos olhares e das objetivas fotográficas dos turistas – que é como quem diz: em zonas mais periféricas -, há, no Porto, espaços verdes ou destinados a jardins, que estão, pura e simplesmente, abandonados.

Não tendo tido qualquer intervenção de limpeza e embelezamento nos últimos tempos, esses “jardins”, ou espaços verdes deixam uma triste imagem, que é já contestada pela população e ainda por um autarca, esperando, os mesmos, que a dignificação dessas áreas seja rápida e eficaz por parte dos serviços camarários…

José Gonçalves 

(texto e fotos)

Os espaços ajardinados, no centro da cidade do Porto, recomendam-se pela sua inegável beleza, facto relevado por residentes e turistas. Os jardins de S. Lázaro ou do Passeio Alegre são, entre outros, por si só, um  belo retrato da cidade que fica para a posteridade.

Mas, outros espaço há que, longe das objetivas dos turistas e do roteiro de visita à cidade para o qual, a maioria, é encaminhado, carecem de urgente intervenção dos serviços camarários dado o seu estado de degradação e desleixo, factos que deixam revoltados, quem junto deles reside, ou quem é responsável pelas juntas das freguesias onde eles se encontram.

A relva transformou-se em erva; as flores em silvados, e, se nesses locais, a atração para pôr o cãozinho a fazer as necessidades sem saquinho para levar a “encomenda”, já era um problema; o mesmo agravou-se dada a ausência de alguém que, periodicamente, trate e tenha atenção pela área.

Mas, a questão não se resume somente a este facto….

O “Etc e Tal jornal” percorreu, então, algumas zonas da cidade, de acordo com diversos alertas dos nossos leitores. E a verdade, é que encontramos alguns locais em perfeito estado de abandono no que concerne às devidas ações de tratamento de locais ajardinados ou espaços verdes, entre os quais uma rotunda que, por mais estranho que possa, parecer, encontra-se no “circuito turístico da cidade”, ali mesmo em frente à estação, de comboios e de Metro, de Campanhã, e por onde passam, diariamente milhares de pessoas.

Silvado no sopé da Igreja do Bonfim

Iniciando o périplo pela freguesia do Bonfim o primeiro choque surge no “jardim”, precisamente no sopé da emblemática igreja matriz, que nunca foi ajardinado, encontrando-se transformado num ervado…

Mas, esta zona, verdade seja dita, já é visitada por muitos turistas, dada a imponência da Igreja do Bonfim, pelo que é de estranhar o visível desprezo a que (há anos) foi votado o seu pequeno e velho jardim.

“Resido aqui perto há mais de quarenta anos, e nunca vi este jardinzinho com a beleza que existe em muitos outros da cidade. Além de estar sempre sujo, não há quem trate da relva e daquela floresta de silvas, ou coisa parecida, mesmo junto à rua de Barros Lima e frente a um café muito frequentado. Custava muito dar um arranjo a isto. Gosto de vir, principalmente, ao final da tarde sentar-me aqui um bocadinho, mas não suporto já está falta de beleza e limpeza ”, referiu à nossa reportagem Maria das Neves, que, por acaso, se encontrava sentada num dos poucos bancos de “jardim” existente no local.

Praça das Flores com tudo menos… flores

O nome diz tudo, mas ao mesmo tempo: nada. Praça das Flores. Onde é que elas estão? E em que condições se encontra este espaço?

É só ver, e sem perder muito tempo, porque o cheiro não é aconselhável para demoradas paragens.

Aos sábados, com a realização da Feira da Vandoma, na vizinha Avenida 25 de Abril (freguesia de Campanhã), este jardim transforma-se numa verdadeira lixeira, bem como a referida avenida. Vá lá, que o entulho ainda é retirado a tempo e horas do local, mas o jardim continua ali sem qualquer tipo de intervenção para dar uma imagem mais condigna à zona. Zona, aliás, que é de muita passagem, encontrando-se o jardim junto a um estabelecimento de ensino.

Jardim da Praça da Corujeira. “Jardim”?

Já no que podemos chamar o “centro” da freguesia de Campanhã, o Jardim da Praça da Corujeira não é também exemplo para ninguém em termos de asseio e beleza. Dominado por imponentes e belos plátanos, o espaço, de consideráveis dimensões e vizinho da sede da Junta de Freguesia local, não tem “uma relvazinha, nem umas plantas para o embelezar, e, ainda por cima, está sempre sujo”, disse à nossa reportagem Deolinda Martins, moradora perto do local, e que frequenta o jardim, juntamente com a sua cadela, “levando sempre o saquinho para as necessidades”.

Nota-se, realmente, algum desprezo dado ao local; desprezo esse que poderá acabar com as obras no antigo Matadouro do Porto, e com a construção do Terminal Intermodal de Campanhã, mas, até lá… há muito para fazer nesse jardim.

ERNESTO SANTOS: “NÃO SE COMPREENDE QUE ESSES ESPAÇOS NÃO SEJAM LIMPOS, E QUANDO O SÃO, SÓ LIMPAM POR ONDE PASSA A PROCISSÃO

Foto: Pedro N. Silva (Arquivo EeTj)

O presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos, contactado pelo “Etc e Tal jornal” diz não compreender, e em primeiro lugar, que “por exemplo, em bairros que foram, recentemente, restaurados, não haja a preocupação do embelezamento exterior desses espaços. Como também não se compreende que, onde há esses espaços, nada seja limpo. E nas poucas vezes que os limpam, só limpam por onde passa a procissão, e mesmo assim, tem de se fazer pressão”.

Ainda de acordo com o autarca de Campanhã, “por aqui – sabemo-lo” – é muita a humidade, pelo que estão criadas as condições para o crescimento de verdadeiros silvados, sendo assim, difícil será estar sempre a limpar essas áreas, até porque é pouco o pessoal nos serviços de limpeza da Câmara Municipal. Mas, alguma coisa tem de ser feita, pois como estão as coisas, fica uma triste e revoltante imagem de desleixo e degradação, facto que leva as pessoas – por natureza – a também não respeitarem esses locais.”

Como já se referiu, são muitos os espaços na cidade onde a intervenção, digamos que “de embelezamento” das áreas ajardinadas ou espaços verdes é feita regularmente, mas tal acontece em locais mais centrais da cidade, onde o roteiro turístico obriga a esse tipo de trabalhos, como se pode ver na imagem que se segue, no Campo 24 de Agosto…

Mas, perto do Campo 24 de Agosto, a dividir as ruas de Santo Ildefonso e de Morgado de Mateus, há um pequeno espaço esquecido, e que, não sendo, propriamente um jardim, podia estar mais bem tratado, tendo em vista o fim para o qual foi criado….

Seguindo o alerta dos nossos leitores, demos também uma “saltada” a Aldoar, onde o jardim junto à capela mortuária, a dois passos da igreja se encontra, pelos vistos, esquecido pelos serviços camarários, esperando-se que a altura das podas (durante este mês e até fevereiro) possa resolver este tipo de problemas, que, de acordo com Joaquim Santos, morador em Aldoar, “não só embeleza a zona como acaba com os mosquitos e outros insetos que andam por aqui. Isto chega a meter nojo”.

Os alertas são sempre bem-vindos à nossa redação, e, por certo, a todos os que gostam de uma cidade bela, como, por si só, já é a do Porto, considerada internacionalmente como tal, e devido a isso, o “boom” turístico que se tem registado nos últimos anos, para orgulho da maioria dos tripeiros.

E, diga-se, que a Câmara Municipal do Porto, na teoria, está também preocupada com esta questão, basta, para o efeito, termos em consideração a sua “Estratégia para o Ambiente”…

Lê-se, em alguns pontos dos três “eixos” apresentados, e que se encontram publicados no portal da CMP na Internet, que o “Porto pretende reduzir a distância dos seus cidadãos aos espaços verdes de recreio e lazer, conservando e  criando maior conectividade entre os existentes (…) desenvolvendo novas soluções verdes; convertendo e permeabilizando praças, interiores de quarteirão ou zonas comerciais”.
Mais: “o Porto pretende continuar a desenhar-se de «verde», não numa perspetiva estritamente paisagística ou ornamental, mas cada vez mais orientada por critérios e preocupações transversais, cujo desenho concorra para minimizar o efeito das alterações climáticas”.

Falta só levar à prática, em certos pontos da cidade, entre os quais, os referidos nesta reportagem, todos estes princípios, facto que não tem acontecido e tem levado à contestação não só da população, mas também de autarcas.

01ou19

 

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