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IDOSOS AOS GRUPOS NA RUA… AUTOCARROS QUASE LOTADOS; GENTE AOS “EMPURRÕES” NUM SUPERMERCADO E TOXICODEPENDENTES AOS PARES NO METRO… E A “COVID”? SIM, A “COVID”?

E o repórter saiu à rua num dia assim… de sol, ainda que parecendo, também ele, mascarado; de temperatura agradável e logo num domingo (19abr20). Quem vos escreve também tem de se alimentar para vos dar conta das realidades, e foi obrigado, desse modo, a ir ao supermercado perto da zona da sua residência, e viu o que não queria ver, ou não esperava ver…

 

Repórter X

 

Bem… essa do “não esperava ver”, não é bem assim, porque algumas pessoas já me tinham alertado para a “coisa”, pelo que já fui para a rua, mais atento que o costume.

Nas ruas, pouca gente. Tem sido normal, no Porto, todas as vezes que tenho de sair de casa e percorrer, por obrigação, algumas artérias da cidade.

Mas, com o decorrer da caminhada lá foram aparecendo pessoas, que por certo, só poderiam ter como destino a farmácia ou o supermercado, uma vez que o resto estava tudo de portas fechadas, mesmo os poucos que, em dias úteis se encontram com elas franqueadas.

Não é, para meu espanto, que, do outro lado do passeio, um grupo de pessoas se aproxima, falando alto, e quase uns em cima dos outros, sem máscara ou outro apetrecho profilático contra a propagação da pandemia. Eram idosos, considerando idoso um homem ou mulher com idade superior a 65 anos. E iam na rua como se nada estivesse a passar; como se não tivessem televisão ou rádio em casa e não ouvissem as notícias em catadupa (às vezes é um exagero) sobre a “covid-19”.

Fiquei a olhar atento, mas não parei para dar nas vistas, se bem que a minha vontade fosse chamar à atenção para o ato irrefletido que estavam a cometer.

Bem, preferi caminhar rumo ao supermercado, pois já se fazia tarde, uma vez que eles – pelo menos na altura em que escrevo este apontamento – fechavam mais cedo que o que era habitual antes dos Estados criados – primeiro o de alerta, e depois o de pandemia.

Ao longe já via, então, uma fila de gente à espera para entrar na superfície, e, com todas (vá lá!) a respeitarem a distância social. Reparo, contudo, num pormenor, quando me aproximo mais desse conjunto de gente A maior parte eram idosos, ou seja, pertencentes a um grupo de risco tendo em conta a doença que já matou milhares em Portugal, e também com o Porto em destaque nesse aspeto.

“CONFUSÃO” INESPERADA NO SUPERMERCADO

Passados alguns minutos – cerca de vinte no máximo, entrei, então, no supermercado. À porta um segurança encontra-se a regar as entradas. O local nem aparenta estar muito cheio, só que, minutos depois, e como que por milagre ou coisa parecida, é invadido por um sem-número de pessoas.

Ora, a partir daqui, o distanciamento social passa, definitivamente, à história.

Queria espreitar – repito: “espreitar” – o local onde se encontravam os iogurtes e nem podia lá me aproximar. Fiquei parado à espera que a coisa desanuviasse, até lá consegui satisfazer as minhas necessidades de compra.

Com tudo muito bem sinalizado, aproximei-me da caixa registadora, acautelando sempre a distância com o meu vizinho da frente e de trás. Pelo meu lado tudo bem, mas nas “registadoras” ao lado, nem tudo se passava assim. Gente com carrinhos cheios de compra, quase que se atiravam para cima do balcão onde se encontra o tapete rolante, para levar as ditas cujas até à registadora, sem olhar a meios, e chegando a empurrar um jovem para apanhar uma data de batatas que, entretanto, tinham caído ao chão.

O jovem – muito bem! – alertou a incauta personagem para a lamentável ação que estava a levar a cabo, ao desrespeitar, pura e simplesmente, as normas de segurança profiláticas em tempo de pandemia. A mulher ficou de “bico calado”. Só podia, isto já sob o olhar atento dos outros clientes.

AUTOCARRO QUASE À PINHA

Foto de arquivo – EeTj

Se o que se passou no supermercado já tinha deixado quem vos escreve com os nervos em franja – somando a isso o papel irresponsável apresentado pelo grupo de velhos em plena rua – então, o que se segue, é de bradar aos céus.

Confessa este repórter que até gosta andar de autocarro, mas neste altura em que se pede distância entre pessoas – de dois a três metros – e que, neste caso, a STCP avisa, constantemente, que o número de passageiros não pode ultrapassar os 20 por cento da lotação da viatura, eis que – e porque tive de “apanha” esse autocarro – ele vinha quase lotado.

Bem! Não tinha lugar para me sentar, mas mesmo que tivesse não o faria. Primeiro porque ia sair duas paragens a seguir, e depois porque não me ia juntar… literalmente “juntar”, a um grupo de pessoas sem a distância anteriormente referida.

O motorista com receio, por certo, da reação dos passageiros, não estava a cumprir com as normas impostas pela empresa. Todos ali ficaram sujeitos a contaminação!

Mas, pergunta-se: de quem seria a responsabilidade, caso se viesses a verificar algum infetado que tivesse declarado ter viajado naquele autocarro e lá ter sido o único local onde poderia ter contraído a covid-19?

Enfim

TOXICODEPENDENTES AOS PARES NO METRO

Estação de Ramalde. Um dos pontos de concentração de toxicodependentes e intermediários para a venda de drogas… (Foto- Arquivo EeTj)

Aproveitando o facto de as viagens serem gratuitas nos transportes públicos, são vários os toxicodependentes – um grupo de risco a ter em conta – que se fazem circular no Metro, principalmente entre as estações de Campanhã e do Viso, saindo, alguns, nas intermédias de Francos e Ramalde.

O repórter reparou nesta situação, logo nos primeiros dias em que não era  necessária a validação de “Andante”, tanto em autocarros como no Metro, mas no Metro – e sem fiscalização à vista armada ou desarmada – eram vários os toxicodependentes,  que fazem parte, como se sabe, de um grupo de alto risco, devido à forte possibilidade de transmissão do vírus, a utilizarem as composições para comprarem produto nos habituais locais de “eleição”, como são os da freguesia de Ramalde, precisamente junto à Linha do Metro.

Aliás, a concentração de toxicodependentes na estação do Viso, junto ao supermercado lá existente, é visível, sem que alguém os alerte para o perigo que correm e fazem correr as pessoas que frequentam o local, no que diz respeito à propagação da covid-19. Isto além de outras questões de segurança que vão para além da pandemia. A verdade, nua e crua é que por lá não há policiamento, e logo numa zona que, toda a gente sabe, ser de alto risco, não só pela presença de toxicodependentes, mas também pelos intermediários de tráfico de estupefacientes.

PARADOXOS

Independentemente de este poder não ser uma sequência de acontecimentos muito frequente, a verdade é que o concelho do Porto liderou, e se hoje não lidera mantém-se num lugar de destaque, a lista dos concelhos do País com maior número de infetados. Não serão estes comportamentos e outros a estes se juntarem, que causam a propagação do vírus e a crescente preocupação com a pandemia tanto no Porto como no Norte do País, também ele em destaque, neste aspeto, pela pior das razões?

Hospital de Campanha Porto. Uma das importantes ações da Câmara Municipal, na luta contra a pandemia… que o povo, pelos vistos, não parece respeitar. Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

E torna-se estranho, ou contraproducente, este relato de factos, numa cidade que foi pioneira em diversas e importantes ações, a maioria com a chancela da Câmara Municipal, na luta contra o novo coronavírus.

Falando com um autarca de uma freguesia, ele apontou o dedo à falta de “vigilância”, que é como quem diz, policiamento na cidade, para, com efeito dissuasor, impedir muitos dos casos anteriormente relatados. Em boa verdade, no passeio anteriormente relatado, não vi um polícia sequer nas ruas por onde passei.

Dá que pensar, não dá?

 

Fotos: pesquisa Google

 

01mai20

 

 

 

 

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