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Economicices (18)

Cristóvão Sá-TTmenta

 

 

CONFINAR O MEDO E DESCONFINAR A ENERGIA E A UTOPIA

 

Já depois de saber da reabertura dos restaurantes, com regras e restrições, lembrei-me, há dias, de programar o primeiro almoço com dois “compagnons de route”, retomando um hábito abruptamente interrompido. Abordei o primeiro deles. Disse-me que sim e passado uns dias telemovei ao segundo. Para surpresa minha, ouvi-o angustiado. Percecionei na sua voz receios, dizendo que ainda não estava preparado para se desconfinar, com aquele objetivo. Este exemplo levou-me a refletir sobre a forma como cada um de nós dará resposta ao reajustar da realidade. Não é um novo normal. Não gosto da expressão. Momento a momento o Homem responde reactivamente e/ou proactivamente à realidade que está a viver.

Não desvalorizo a pandemia, muito mais pela severa crise humanitária que está a provocar. Todavia na história das sociedades e dos povos existe evidência de outras epidemias, pandemias e pestes.

O que tem esta de diferente?

À parte a minha ignorância sobre saberes que melhor resposta dará, parece-me que o estádio de desenvolvimento das sociedades antes da explosão pandémica, teve um efeito multiplicador sobre a sua proliferação e conhecimento da mesma, levando no limite à criação de um ambiente de medo e paranoia.

Assusta ainda assistirmos em Portugal a situações aparentemente descontroladas. Mas nas respostas à pandemia, o que se passa no Brasil e mesmo nos EUA não assume foros de crime contra a vida humana? Em nome de quê? Da sacrossanta economia? E até dos poderes dos Deuses?

Confinemos o medo e, paulatina e cuidadosamente, vamos fazendo o nosso caminho. Sendo certo que a resposta à vida que conhecemos, desde que cá nos puserem sem nada nos dizerem nem autorização terem, é uma permanente procura pelo reequilíbrio. Mais agora até.

A economia funciona tendo como agente principal o Homem. Homem que domina e desenvolve técnicas para a captura de matérias-primas e transformá-las. Como foi referido em anteriores peças há fenómenos que perturbam as organizações. Organizações que são sistemas com vida própria que a constância e a previsibilidade das operações ajudam ao processo reprodutivo e de retroalimentação. Esta é uma verdade transversal a qualquer tipo de organização qualquer que seja a complexidade e dimensão das suas operações. Não sejamos imediatistas pensando somente nas organizações com fins lucrativos. As da economia social, as organizações não-governamentais e muitas outras vivem e crescem num mar alteroso que também as condiciona. Como às outras. A vida das organizações a nível global está a conhecer uma das crises que me parece ser de todo imprevisível. A perturbação está a amenizar mas ainda há focos de resistência.

O que se pede a todos os líderes, qualquer se seja o seu posto de comando, que tenha a lucidez bastante para mobilizar recursos, principalmente as pessoas, para em conjunto dar respostas de emergência para ultrapassar os obstáculos. Respostas enérgicas e onde a utopia também poderá concitar forças renovadas.

Não parece mas falou-se agora de economia e de gestão. De que temos todos um pouco.

 

Foto: pesquisa Bing

01jul20

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