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Furadouro: paisagem natural desta praia está cada vez mais sujeita a indispensáveis operações de… “cosmética”

O planeamento para dotar as praias das condições básicas e legais para o arranque de cada nova época balnear no concelho de Ovar, já alguns anos contempla nos investimentos municipais realizados ao longo das várias áreas de veraneio, intervenções como as que se destacam no Furadouro em que a erosão costeira vem sendo mais acentuada obrigando a indispensáveis medidas, nomeadamente de reposição e movimentação de areias para atenuar os efeitos das tempestades na orla marítima, que vem deixando as várias defesas mais fragilizadas.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

 

As consequências das investidas do mar em épocas de mau tempo no litoral com ondulações fortes, deixam cicatrizes bem visíveis nas defesas aderentes, que há décadas são reforçadas com pedra sobre pedra, que se enterra na areia como um poço sem fundo, desintegrando as muralhas e esporões, fragilizados com inevitáveis fendas, obrigando a operações de “cosmética” em tempo de banhos de sol, através da habitual regularização do areal, como meio de quebrar o impacto visual e riscos de acidente para os banhistas que podem resultar da desagregação destas “peças” em pedra da muralha que se estende paralelamente à Marginal nesta tradicional zona balnear do litoral de Ovar.

Das medidas essenciais para o funcionamento das praias, acessibilidades e segurança balnear, o habitual plano da Camara Municipal de Ovar, incluindo alguma descentralização de competências nas Juntas de Freguesias, destacam-se a garantia de contratação de nadadores salvadores, serviços de limpeza, mobilização e regularização de acesso e uso do areal, entre outros serviços nas áreas envolventes das praias, que no seu conjunto são determinantes para garantirem a sua qualidade e atribuição de galardões a exemplo da Bandeira Verde, ou o da “Qualidade de Ouro” que curiosamente o Furadouro este ano não conseguiu alcançar tal distinção atribuída pela Quercus.

Neste caso da perda da “Qualidade de Ouro”, ainda por razões pouco convincentes entre os banhistas e residentes, já que estão em causa critério sobre qualidade da água durante as últimas épocas balneares. Distinção só hasteada em Cortegaça, Esmoriz, São Pedro de Maceda e Torrão do Lameiro. Praias que terão garantido a exigência de não ter ocorrido qualquer tipo de desaconselhamento da prática balnear. Situações que ocorriam regularmente em Esmoriz devido às polémicas descargas da Barrinha, que em vários anos fizeram esta praia perder tais galardões, incluindo Bandeira Azul, recuperando este ano a “Qualidade de Ouro” entretanto perdida pelo Furadouro.

Fica a surpresa de uma tal constatação que não parece ter merecido grande atenção dos banhistas nas referidas épocas balneares que determinaram a decisão da Quercus em deixar o Furadouro de fora.

Sem “Qualidade de Ouro” e sem uma vasta área de praia que durante décadas caraterizaram o Furadouro, mesmo recorrendo à “pedrada” ao mar que o parece “enfurecer” ainda mais. Enquanto projetos como os propagandeados quebra-mares destacados defendidos pelo Município de Ovar, a construir entre Cortegaça e Furadouro, aguardam decisão politica, as praias vão-se moldando mediante a força do mar.

No caso do Furadouro que nos últimos anos mais tem sentido os galgamentos, agravado com a subida do nível do mar, e a natural grande dinâmica na orla costeira que reduz sedimentos. A paisagem natural está profundamente marcada não só pelas inevitáveis consequências das obras de engenharia pesada que vem sendo privilegiada há várias décadas, mas também com os efeitos desta “luta” entre o homem e o mar, que resulta na destruição e desagregação de obras transversais à linha de costa (esporões), há muito a exigirem reabilitação e consolidação, tal é o cenário de insegurança que refletem a olho nu.

Como vinha acontecendo com o cenário de degradação dos gigantes sacos de areia “geotubos” , que no Sul desta praia tentam segurar inertes e contrariar o facilitado avanço do mar depois das dunas naturais terem sido literalmente engolidas. Este sistema artificial de defesa, que estava desenterrado pela erosão que na zona final dos esporões se faz sentir com particular dinâmica, originando a sua destruição após rompimento da tela. Para proteger estes próprios “geotubos” e assim garantir a sua função, decorreram recentemente obras de reposição de areias, para estes “sacos” ficarem cobertos e consequentemente proporcionar naquele espaço balnear, melhores condições aos banhistas, devidamente alertados para alguns dos perigos que várias vezes ali colocam em alerta os socorros náufragos. 

 

 

28jun22/01jul22

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