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O Porto e o primeiro tratado comercial português com a Inglaterra

Maximina Girão Ribeiro

O Porto está intimamente ligado à celebração do primeiro tratado de comércio entre Portugal e Inglaterra, quando D. Afonso IV, em 1352, enviou a Londres um burguês, Afonso Martins Alho, natural do Porto, provavelmente oriundo da Sé ou da Ribeira, para negociar um acordo comercial entre os dois países.

É, exactamente durante o séc. XIV, que aumenta o volume de negócios entre Portugal e várias regiões, quer do Norte da Europa, quer de zonas mediterrânicas, daí que tenha surgido a necessidade de uma maior protecção para os mercadores e mercadorias, devido aos constantes ataques de piratas.

O Porto era uma cidade limitada por uma muralha – a cerca velha – cuja área não ultrapassaria os 4 hectares, dominada pelo poder eclesiástico (o bispo, o senhor mais importante da cidade, os vigários e os cónegos), mas era também a cidade dos burgueses, dos artesãos e do povo anónimo que labutava, pela sua subsistência.

A atracção pelo rio e pelo mar fez desta urbe uma cidade de mercadores, de negócios, de trocas comerciais. O Porto, como cidade comercial, consolidou-se no séc. XIV, quando o volume de negócios aumentou, através da exportação de produtos como os cereais, o vinho, o azeite, a fruta, a cera, o mel, o gado, os couros, o sebo, os panos, as madeiras,…

A Inglaterra era um destino preferencial para a exportação destes produtos.

olhar a historia - 01jul15

As negociações desenvolvidas por Afonso Martins Alho permitiram-lhe obter, inicialmente, um salvo-conduto para todos os mercadores e navios portugueses que se deslocassem aos portos britânicos, assegurando uma melhor segurança nas navegações e, provavelmente, um maior êxito nos negócios.

Este mercador, com a sua habilidade negocial e a sua astúcia compareceu, depois, perante o rei de Inglaterra na qualidade de diplomata, embaixador e procurador plenipotenciário do rei português e celebrou um tratado de comércio, assinado em Londres, em 20 de Outubro de 1353, pelo rei inglês, Eduardo III. Este tratado foi relevante para a cidade do Porto e para a economia do Reino e o protagonista maior foi um homem do Porto.

Embora não se conheça a data do nascimento deste mercador-diplomata, nem outros pormenores significativos da sua vida, o seu sobrenome ficou imortalizado numa rua da cidade, que dizem ser a mais pequena de todas (com cerca de 30 metros)… e, também, na expressão que se usa quando queremos referir alguém que é esperto: “fino que nem um alho”. No entanto, devemos dizer: “fino como o Alho”, porque se refere ao arguto Afonso Martins Alho.

Foto: Pintura na Câmara Municipal do Porto; excerto de foto de Emanuel Rocha, 200

Por vontade da autora, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o artigo inserto nesta “peça” foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa

o1jul15

1 Comment

  1. maria helena fernandes

    O êxito de Afonso Martins Alho foi tão relevante que no Porto quando uma pessoa é excessivamente esperta se diz: és fino/a como um alho”
    Obrigada por este interessante e útil trabalho
    Cumprimentos – mh

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