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António Nobre (1867-1900)

António Pereira Nobre, mais conhecido enquanto poeta por António Nobre, nasceu na cidade do Porto, na Rua de Santa Catarina, em 16 de Agosto de 1867, no seio de uma família burguesa abastada.

A sua curta vida decorreu entre as várias casas que a família possuía, nomeadamente, a do Porto, ou no verão as casas e quintas na Lixa e no Seixo (Penafiel) sendo, este último local, considerado o seu “paraíso perdido”, mas também, na casa da praia da Boa Nova (Leça da Palmeira), onde o mar que tanto contemplou se tornou um verdadeiro fascínio. Foi aí que conheceu a jovem perceptora inglesa, Miss Charlote, por quem manifestou um certo afecto e que o tratava por Anto, “diminutivo” que ele próprio adoptou/assimilou, enquanto personagem de ficção, nos “Males de Anto”, poema que encerra a obra “Só”.

Frequentou os mais elegantes colégios da cidade do Porto e, por volta dos 15 anos, começou a escrever poemas que publicava em jornais e revistas. Matriculou-se, depois, em 1888, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, residindo na cidade, na torre que primitivamente se denominava como Torre do Prior do Ameal e que, após a passagem de António Nobre por Coimbra, se passou a designar por Torre de Anto.

Como não obteve grande sucesso no curso que frequentava, rumou para Paris onde cursou na Sorbonne a licenciatura em Ciências Políticas.

Foi na capital francesa que contactou com Eça de Queirós, então cônsul de Portugal, e onde escreveu, na solidão do seu quarto na rue des Écoles, a maior parte dos poemas que viriam a constituir a sua obra mais emblemática – “Só”, o único livro que publicou em vida (Paris – 1892) e que, segundo o próprio autor, «é o livro mais triste que há em Portugal».

Em Paris, além de contactar com grandes figuras da literatura, como o poeta Verlaine, conheceu também os escritores Émile Zola, Alexandre Dumas e Mallarmé, os quais refere em anotações pessoais, num caderno de apontamentos. Mas, é em Paris, que viverá dias de sofrimento com a saudade da Pátria, o afastamento dos amigos e dos lugares de infância que tão queridos lhe eram e, tudo isto, agravado por problemas económicos.

António Nobre pretendia seguir a carreira diplomática, chegando a concorrer para um lugar consular mas, não chegou a ocupar o cargo por se encontrar já em luta contra a tuberculose pulmonar, o que o obrigou a passar o resto dos seus dias, na busca de uma cura para a doença que o atingia. Assim, a partir de 1894, empreendeu diversas viagens entre sanatórios e várias estâncias, na Suíça, Madeira e Estados Unidos, sempre na esperança de poder salvar-se.

A sua obra poética ficou marcada por alguma ironia amarga, perante um Portugal decadente e em agonia lenta e pela sua própria angústia perante a doença que o consumia. Também a vivência da saudade, o exílio da pátria, fazem-no expressar nos seus poemas algum pessimismo e obsessão pela morte. No entanto, a sua poesia deixa-nos memórias repletas de imagens das paisagens e das gentes que foram o cenário da sua vida. No fundo, trata-se de um retrato do país, em fins do séc. XIX, em especial das regiões do Norte (Douro e Minho). A obra deste poeta maior insere-se na corrente ultra-romântica, com as características marcantes das gerações dos finais do séc. XIX, onde sobressaem o saudosismo (corrente defensora da renovação dos valores pátrios), o simbolismo e o decadentismo.

antonio nobre 01 - 01jul15

O poeta da  saudade  e da tristeza, deixou inédita a maior parte da sua obra, sendo a mesma publicada postumamente. Mas, à semelhança de outros autores de obra quase única, como são os casos de Cesário Verde, ou de Camilo Pessanha, também a obra de António Nobre constitui um marco de referência da Literatura Portuguesa.

Com trinta e três anos apenas, em 18 de Março de 1900, ou seja, há precisamente, cento e quinze anos, faleceu António Nobre, no Porto, na Foz do Douro, na casa da Avenida do Brasil que pertencia ao seu irmão, o biólogo e professor da Universidade do Porto, Augusto Nobre.

Esta casa, hoje em ruínas, é motivo para que o escritor Mário Cláudio tenha lançado uma petição pública (Apelo para a recuperação da casa onde morreu António Nobre) a pedir à Câmara do Porto que impeça a derrocada, recupere e transforme em museu a casa onde morreu o poeta António Nobre, salientando que “A casa está em risco de derrocada, mas a mesma ainda pode ser sustida. Era importante que a Câmara adquirisse a casa e ali guardasse o espólio do poeta, guardado na Biblioteca [Pública] Municipal [do Porto], criando uma Casa Museu que pudesse funcionar como contraponto com a Casa Museu Fernando Pessoa, em Lisboa“.

A petição pede, por isso, que a autarquia mobilize “todos os meios para impedir o desaparecimento de um importante rasto físico da passagem daquela que foi uma das grandes figuras da Literatura Portuguesa de todos os tempos“.

O Porto e o resto do País ganhariam com a concretização de uma medida destas que dignificasse a cidade, criando um espaço de divulgação cultural, neste caso, com o espólio do poeta e integrando a casa numa “rota dos escritores portuenses”.

Fotos: Pesquisa Google

Por vontade da autora, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o artigo inserto nesta “peça” foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa

 

 01jul15

 

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