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MUNICÍPIOS da Área Metropolitana do Porto CONTESTAM criação da “Águas do Norte, S.A.” pelo ESTADO CENTRAL

“Os municípios de Arouca, Espinho, Oliveira de Azeméis, Matosinhos, Porto, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Vila Nova de Gaia e Valongo decidiram adotar uma estratégia comum de contestação judicial à criação do sistema Águas do Norte, S.A., que tem como intenção a fusão de vários sistemas pré-existentes. Entre esses sistemas, destaca-se a Águas do Douro e Paiva, S.A., empresa de que os municípios acima referenciados são acionistas”, lê-se em comunicado enviado à Comunicação Social.

Para as referidas autarquias, “a tentativa de fusão, lançada unilateralmente pelo Estado Central, contra a vontade unânime dos municípios, detentores de 49 por cento do capital da empresa, não cumpre nenhum dos objetivos enunciados na decisão do Governo. Com efeito, é falso o pressuposto invocado de que a nova empresa poderia criar sinergias que levassem à poupança de dinheiros públicos e à redução futura de tarifas.”

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Assim sendo, e “pela análise já realizada dos documentos enviados pelo próprio Governo”, conclui este grupo de autarquias que “os municípios integrados na Águas de Douro e Paiva pagarão só nos próximos cinco anos mais 38 milhões de euros do que atualmente (correspondendo a um acréscimo de 40%), ao passo que os ganhos para os restantes municípios não ultrapassam os 24,5 milhões”.

Ou seja, o novo sistema,” em lugar de criar sinergias e poupança, implicará em 5 anos o desperdício de 13,5 milhões de euros, que serão subtraídos diretamente aos municípios e, logo, em última análise, com reflexos negativos inevitáveis na fatura dos consumidores”.

O grupo de contestatários refere ainda que “esta tentativa de fusão não cumpriria qualquer princípio de solidariedade. É com efeito falsa a ideia de que a água seja mais barata nos municípios do litoral ou nos municípios integrados no sistema de Águas do Douro e Paiva (onde se incluem concelhos do Vale do Sousa e Baixo Tâmega, além da Grande Área Metropolitana do Porto). E é também falsa porque a reposição de défices tarifários no interior apenas poderá resultar em aumentos significativos do valor da fatura para todos os municípios e, logo, para os municípios do interior do país”. E “a título de exemplo”, realçam o facto “que em Trás-os-Montes uma família paga atualmente por metro cúbico de água e esgoto tratado cerca de metade do que paga uma família do Grande Porto”.

Razões para a contestação

Para estas autarquias que contestam a criação da empresa “Àguas de Portugal S.A.”, este…. “trata-se de um processo unilateral, decidido sem e contra o Poder Local; vai contra a tão propagandeada descentralização de competências ;viola a Lei das Sociedades Comerciais, que o Estado Central impõe aos cidadãos e empresas mas que, aparentemente, decide não cumprir; constitui uma inaceitável forma de penalizar o mérito que estes e outros municípios tiveram na criação e desenvolvimento da empresa Águas do Douro e Paiva, S.A.; ignora os enormes investimentos e esforços levados a cabo, ao longo de décadas, por um conjunto de municípios; e viola, de forma grosseira, os fundamentos da utilidade e do serviço público”.

No comunicado, enfatiza-se  ainda que “este processo que o Estado Central pretende levar a cabo representa, pois, mais uma traição a compromissos políticos assumidos no passado em relação a um conjunto significativo de municípios, fazendo-lhes crer que poderiam investir com segurança e de boa-fé na sua empresa de distribuição de água, vindo agora, por decreto e a partir do Terreiro do Paço, esbulhá-los de património, conhecimento, valor e autonomia. Em troca, “oferece” água mais cara, um sistema mais pesado para ser pago e a diluição do poder de decisão de cada um dos concelhos através da tentativa de criação de uma megaempresa cuja gestão os municípios não controlarão e cujo futuro não conhecemos”.

Para as autarquias da Área Metropolitana do Porto que contestam a criação da Aguas de Portugal S.A., “esta tentativa de fusão é, por tudo isto, um atentado ao poder local, mas também ao mérito, ao investimento e aos munícipes, cuja fatura da água irá sofrer brutais agravamentos, na ordem dos 40%, mesmo para aqueles que habitam em concelhos que não contribuíram no passado para as más contas do sistema global. Que fique, aliás, bem claro: nenhum consumidor final lucrará com o processo de fusão lançado pelo Governo, viva no interior ou no litoral. Todos pagarão a sua água mais cara”.

area metro contesta aguas

Assim, e por último, “os municípios acima identificados, que em comum e de forma concertada decidiram avançar para uma luta judicial até às últimas consequências, não serão, com certeza, os únicos a contestarem o processo de fusão em curso. Haverá outros que, por outras formas, com outras armas e outros meios, o estarão a fazer ou que poderão vir a fazê-lo. Vemos esses outros processos com bons olhos: os meios são legítimos, o fim é justo. Bem ao contrário, pois, de mais esta traição do Estado Central, que recorre a meios ilícitos e prossegue, além disso, um fim injusto e despesista”.

Texto: EeT

Fotos: Pesquisa Google

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