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O drama das “MENINAS MÃES: Instituições precisam de AJUDA para APOIAR adolescentes e bebés e a AACC é uma delas…

Os números refletem o drama: todos os dias, em média, 12 adolescentes dão à luz em Portugal. Estamos a falar de meninas e jovens raparigas com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos. As denominadas “meninas mães”, e isto de acordo com estudos de diversos especialistas, são, na sua maioria, oriundas de famílias carenciadas, que, prematuramente abandonaram a escola, e que, em alguns casos, foram vítimas de violação.

De acordo com um estudo, recentemente publicado no “Diário de Notícias”, a maternidade na adolescência é vista como um “fenómeno cultural” já que as adolescentes têm “uma falta de objetivos profissionais e individuais e a gravidez surge como um projeto de vida na ausência de outros”. Palavras de Teresa Bombas, da Sociedade Portuguesa de Contraceção.

Mas, o problema é mais complexo. Atualmente, não se sabe ao certo, por exemplo, quais os números oficiais relativos às jovens que decidiram interromper a gravidez recorrendo aos serviços de saúde, como também, aquelas que decidem ser mães. Reportando-nos ao estudo anteriormente referido, e segundo Duarte Vilar, diretor executivo da Associação para o Planeamento Familiar (em declarações ao “DN”), “mais de 10 por cento das interrupções voluntárias de gravidez ocorrem em adolescentes até aos 19 anos e quase cinco por cento dos nascimentos são de jovens mães”.

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Mais de quatro mil meninas foram mães em 2014

Mesmo assim há números, e números que nos assustam. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2014, 4347 raparigas, entre os 12 e os 19 anos decidiram levar a gravidez até ao final. Recuando no tempo, e isto no ano de 2008, o número de “meninas mães” foi de 4844 e, pior, em 2006: 5500.

Como se pode constatar, a percentagem de mães adolescentes tem vindo a diminuir, mas de forma lenta, o que pode considerar-se “natural”, uma vez que a maioria delas são oriundas de famílias carenciadas e com a austeridade imposta em Portugal nos últimos anos, o processo de “diminuição” de casos não acelerasse, muito pelo contrário.

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Fique a saber, entretanto, e de acordo com a Associação para o Planeamento da Família (APF), que a “maternidade em adolescentes acarreta consequências negativas aos níveis psicológico, biológico, social, educativo e económico”, e que – como se isso já não bastasse – a “probabilidade de morte materna é superior nas adolescentes, ou seja, quatro vezes maior à comparada com mulheres entre os 25 e 29 anos”. Mais: “os filhos de mães adolescentes têm 1,5 vezes mais risco de morte antes do primeiro ano de vida”. Registe-se outro dos principais riscos associados à gravidez e maternidade precoce: infeção de VIH/Sida.

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Associação Acolher e Cuidar Para a Cidadania (AACC): Uma instituição de apoio … um caso exemplar!

É, sem dúvida, e no que concerne ao tema que estamos a revelar… relevando, um caso exemplar este o da Associação Acolher e Cuidar para a Cidadania (AACC), sediada no centro histórico do Porto, à Rua da Vitória, 107. A AACC “recebe crianças, jovens e mulheres grávidas ou com filhos recém-nascidos, com idades compreendidas entre os 12 e os 21 anos, em situações de risco decorrentes de abandonos, maus-tratos, negligência ou outros fatores”.

As “meninas mães”, oriundas de todo o país, estão albergadas nesta associação em 20 camas, sendo que elas (as meninas) “provêm de estruturas familiares pobres, desagregadas e em que, não raro, coexistem situação de violência familiar”, lê-se no texto inicial de apresentação da instituição (IPSS) na web.

Agora tome note, ou leia o que a seguir transcrevemos… com atenção: “Nos últimos anos, a média de idade das nossas Meninas Mães desceu de 18 (2007) para 16 (2014). A AACC está consciente do indiscutível problema que a natalidade precoce assume no país e da escassez de respostas especializadas, pelo que tudo fará para manter a sua vocação natural e profissional ao acompanhamento adequado às Meninas Mães, que já permitiu a reintegração de 53 crianças/jovens”.

Dificuldades

Só que nem tudo é um mar de rosas nesta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), isto para dar resposta às exigências inerentes à sua atividade. Atualmente, a AACC tem “14 meninas mães, duas das quais grávidas com 15 anos de idade” e encontra-se com problemas financeiros para assegurar esse serviço solidário. A instituição apela, assim, a todos e a todas que nos leem, para colaborarem (parceria) com a equipa “multidisciplinar e profissional na garantia de condições básicas de sobrevivência (alimentação, higiene, repouso conforto e carinho) e na definição de um projeto de vida para cada uma das nossas Meninas Mães”.

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Dezasseis crianças nasceram na AACC

Fica o repto e também a possibilidade – se assim entender – de ajudar a AACC. Vamos já lá! Recapitulando, a AACC acolheu, desde 2007, 73 “ Meninas Mães”, 52 por cento com idades compreendidas entre os 15 e 17 anos, e 61 crianças, das quais 16 nascidas no seio da instituição.

A associação conta com 20 camas, distribuídas por 10 quartos, sala de convívio, sala lúdica para crianças, salas de formação, gabinetes de atendimento, lavandaria, cozinha, copa e refeitório. Para assegurar um adequado acompanhamento das Meninas Mães, a AACC conta “com a competência técnica de três elementos e outra auxiliar composta por cinco ajudantes de ação direta”.

Meus amigos e minhas amigas, tudo isto tem custos e a AACC está com dificuldades para dar resposta a coisas como estas: cada cama custa à AACC (e falamos em 20) cerca de€ 940 mensais, “incluindo neste valor despesas com remunerações, cuidados médicos, água, luz e etc e tal”.

Visitem o site www.aacc.pt  – clicar em Projeto Meninas Mães e, por lá, saberão, como poder ajudar esta nobre instituição. Júlio Machado Vaz explica….

 

 Texto: José Gonçalves

Fotos: Pesquisa Google e AACC

Fontes: AACC e DN

 

01jul15

2 Comments

  1. josé lopes

    Incisivo tema que em meio escolar também é demasiado sério, mas cujo conservadorismo de uns e o comodismo de outros querem manter em “silêncio” (sendo naturalmente dificil manter silêncio o choro do bébé quando nasce)os casos de gravidez prematura de jovens estudantes com maior incidência em famílias com dificuldades sociais. A educação social nas escolas continua a ser mal digerida e pouco consequente…

  2. Carla Ribeiro

    Nos dias de hoje continuam a ser assustadoramente penosas estas estatisticas.
    Meninas, crianças, a quem se dá a responsabilidade de ser mães…crescem sem brincar, as bonecas passam a ser os filhos…
    crianças que cuidam crianças que crescem com um filho nos braços.
    Excelente esta reportagem. Parabens
    Obrigada
    Carla Ribeiro

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