A Casa do Roseiral (ao Palácio de Cristal) foi o palco escolhido pela Câmara Municipal do Porto (CMP) para, no passado dia 09 de julho, distinguir, medalhando, relevantes personalidades da cidade Invicta, na presença do presidente da autarquia, Rui Moreira, ladeado por todos os membros do executivo e outros ilustres convidados.
Com “casa” cheia a cerimónia promovida pela CMP, contou ainda com a presença do Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, assim como outras individualidades de relevo tanto a nível da cidade, como do Norte e do País. Tudo isto para uma cerimónia plena de simbolismo e destinada à atribuição de medalhas a personalidades que, pelos seus feitos, se destacaram na vida do Porto, projetando-o a todos os níveis.
“Os desígnios da nossa cidade não são fáceis”
“A verdadeira pátria dos homens é o desejo, escreveu com efeito Miguel Veiga. Sei ou sinto que todos, aqui e hoje, sabemos a que desejo se refere Miguel Veiga. Se não sabemos alcançamos. Se não alcançamos, ao menos, de certeza, projetamos. Esse é o desígnio carregado da nobreza daqueles que, únicos, são capazes de mudar o Mundo através da palavra: o desígnio de inspirar o desejo, de alcançar e projetar nele o futuro”, começou por referir, Rui Moreira.
“Neste nosso 9 de julho, o dia em que começou o fim do Cerco do Porto, o dia em que, doravante, nos inspiramos para honrar os nossos mais honrados concidadãos e as nossas mais honradas instituições”,, continuou o edil portuense, “distinguimos com a Medalha de Honra da Cidade três raios de esperança e de inspiração. Dom Manuel Martins, Miguel Veiga e o Instituto Politécnico do Porto”.
Estava dado o mote para a cerimónia, sem que Rui Moreira se esquecesse de enfatizar, no seu discurso, certos factos relacionados com a vida real da cidade do Porto, dos seus projetos, daquilo que a caracteriza.
“As missões e desígnios da nossa cidade não são fáceis de cumprir. Entre o centralismo que diariamente inventa novos caminhos ínvios ou becos sem saída a partir de gabinetes aveludados e corporações, e o paternalismo dos que menosprezam a cidade e não entendem o desejo, há um Porto resiliente, empreendedor, capaz e sonhador”.
“Exigem que não nos verguemos aos ditames do centralismo”
Para Rui Moreira, “nesta cidade, nada nos é indiferente, tudo se discute e tudo se debate, porque o portuense, como Miguel Veiga nos conta “sempre preferiu ao tédio dos consensos as virtudes dos dissensos”. E o portuense somos nós, é cada um de nós”.
“A governação da cidade emana do seu desejo. Da interpretação que fazemos do que é necessário, do que é indispensável. Das nossas convicções plasmadas num manifesto programático e que – acreditem – nos empenhamos e empenharemos em cumprir. Haverá até quem – imaginem! – me diga que o fazemos de forma quase obsessiva, algo que tenho como especial elogio”.
Concluindo, Moreira referiu que “para além dessas políticas concretas, temos procurado corresponder aos desejos e anseios dos portuenses. Que nos exigem, com razão e de pleno direito, que o Porto seja mais confortável e interessante, mas também uma fonte de oportunidades. Que nos exigem que não nos verguemos aos ditames do centralismo. Que nos trazem ideias e projetos. Que nos desafiam todos os dias”.
OS DISTINGUIDOS
Medalha Municipal de Honra da Cidade
Instituto Politécnico do Porto (IPP) – Criado em 1985 fruto do relançamento do Ensino Superior Politécnico em Portugal. Integram o IPP, a Escola Superior de Educação (ESSE), a Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo (ESMAE), o Instituto Superior de Contabilidade e Administração (ISCAP), o Instituo Superior de Engenharia (ISEP), a Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG), a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras (ESTGF) e a Escola Superior de Tecnologias da Saúde (ESTSP).
Entre estudantes, professores e investigadores, há, neste momento, cerca de 20 mil pessoas ligadas ao IPP. Possui 70 Licenciaturas e 41 Mestrados, além de outros cursos de especialização, em domínios que abrangem os diversos campos da ciência, da tecnologia e da cultura.
Miguel Luís Kolback da Veiga – Homem de ação e de pensamento, vive no Porto e defende, com orgulho aguerrido, a sua origem portuense.
Mais tarde fez parte do núcleo muito restrito de fundadores do PPD, hoje PSD, colaborando na conceção das suas bases programáticas, partido onde ocupou os cargos mais relevantes e pelo qual foi deputado da Assembleia Constituinte.
Miguel Veiga, além de um notável percurso profissional no exercício da advocacia forense e de consultadoria, foi também presidente da Comissão de Toponímia do Porto e foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro em 2007.
A sua atividade política aproxima-o de valores democráticos, sendo um obreiro dos principais movimentos que têm gerido a cidade do Porto. Arauto da liberdade e independência, Miguel Veiga define-se também como um buscador e um obstinado errante e um avesso confesso do populismo, com uma racionalidade e coragem invulgares.
D. Manuel da Silva Martins – Nasceu em Leça do Balio, e foi ordenado presbítero a 12 de agosto de 1951, na Igreja Matriz de Santo Tirso.
Com o regresso do exílio de D. António Ferreira Gomes, em 1969, foi nomeado Vigário-Geral da Diocese, tendo dirigido a revista diocesana “Igreja Portucalense”. Em outubro de 1975 foi nomeado o primeiro Bispo da diocese de Setúbal.
Exerceu uma atividade pastoral intensa na defesa aberta e persistente dos mais carenciados, quer em Portugal (nomeadamente em Setúbal), quer em África, denunciando erros, incoerências, hipocrisias, humilhações humanas e injustiças. Valeu-lhe sempre a postura e ação dinâmica que atribuía a cada um dos passos realizados, sendo desde cedo reconhecido por crentes e não crentes. É Bispo Emérito de Setúbal.
Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro
Adélio Mendes – Professor Universitário e investigador
Alexandra Bento – Bastonária da Ordem dos Nutricionistas
Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina – Presidente: Drª Maria Taveira
Balleteatro – Diretora artística, Isabel Barros
Isabel Alves Costa – (título póstumo) – Programadora Cultural
João Carlos dos Santos – Arquiteto, subdiretor Geral do Património Cultural e responsável pelo recente projeto de recuperação e reabilitação da Igreja e Torre dos Clérigos
Júlio Machado Vaz – Médico psiquiatra e especialista nas áreas da toxicodependência e da sexualidade
Luís Ferreira Alves – Fotógrafo de arquitetura
Madalena Sá e Costa – Violoncelista portuguesa, tendo formado com a sua irmã um duo de violoncelo e piano durante mais de 50 anos
Maria Amélia Cupertino de Miranda – Presidente do Conselho de Administração da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda
Maria Cândida Rocha e Silva – Banqueira. Presidente do Banco Carregosa
Mário Brochado Coelho – Advogado e combatente antifascista
Nassalete Miranda – Fundadora e dirigente do jornal cultural “As Artes entre as Letras”
Obra Diocesana de Promoção Social – Presidente do CA, Américo Ribeiro
Orlando Monteiro da Silva – Bastonário da Ordem dos Médios Dentistas, desde 2001
Ricardo Pais – Encenador e dirigente cultural
Rui Vaz Osório – Médico. Organizador do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce
Medalha Municipal de Bons Serviços – Grau Prata
António Magalhães – (título póstumo). Encarregado geral de Águas e Saneamento.
Eva Maria Ferreira de Oliveira – Assistente Operacional da Direção Municipal da Presidência
Fernando Pereira – Tesoureiro da CMP
Joaquim Barbosa – (título póstumo) jardineiro.
Jorge Lopes – Fiscal Municipal
Medalha Municipal de Valor Desportivo – Grau Ouro
Arlindo Ribeiro da Silva – (título póstumo). Atleta do Ramaldense FC, foi jogador de hóquei em campo, treinador, dirigente e árbitro.
Clube de Judo do Porto – Presidente da Direção, Albino Csta
Jorge Teixeira – Atleta, maratonista e organizador das principais corridas na cidade do Porto
Mário Águas – Karateka e instrutor. Impulsionador do Karaté em Portugal
Secção de Andebol do FC Porto – Responsável pela Secção, Prof. José Magalhães
Texto: José Gonçalves
Fotos: Pedro Nuno Silva
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