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HABITOVAR assinala 40.º ANIVERSÁRIO a recordar os anos setenta

Quatro décadas depois da fundação da Cooperativa de Habitação e Construção de Ovar, atualmente Cooperativa de Solidariedade Social, o dia 12 de março foi o ponto alto do aniversário que teve este ano um vasto programa de eventos, que tiveram como tema, “Ovar de há 40 anos… uma viagem no tempo”.

O projeto Habituarte, reuniu muitas e diversificadas memórias dos anos setenta, tanto de âmbito social, cultural, recreativo, desportivo, artesanato, socioeconómico e industrial, que deram origem a uma temática exposição no equipamento social desta Cooperativa em que funciona o Centro Social da Habitovar localizado neste empreendimento habitacional, cujo traço original teve como autor o já falecido arquiteto Jorge Gigante, em cujo projeto contemplou o espaço habitacional com várias tipologias de fogos e infraestruturas, assim como zonas verdes e arruamentos que tornaram uma área de pinhal na zona norte da cidade de Ovar verdadeiramente atrativa em que residem hoje cerca de 400 famílias, com a implantação de mais valias envolventes, como equipamentos escolares e Piscina Municipal.

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Visita do Presidente da República, Ramalho Eanes
Visita do Presidente da República, Ramalho Eanes

Numa ilustrada cronologia dos 40 anos da Habitovar em que estiveram expostos alguns dos momentos mais marcantes e decisivos na fundação e evolução desta Cooperativa de Habitação na cidade de Ovar, como um dos seus grandes impulsionadores, o falecido Hugo Colares Pinto, que ali é recordado numa imagem ao lado do então Presidente da República, General Ramalho Eanes, que a exemplo de outros governantes, como Mário Soares ou vários autarcas locais, foram visitando este projeto de habitação social durante as várias fases de crescimento e concretização de sonhos, alcançados com muita persistência e entusiasmo, muito debate, e na época muito voluntarismo em assumir nas próprias mãos a resolução dos problemas, neste caso a falta de habitação.

Em jeito de apresentação da exposição evocativa do 40.º aniversário da Habitovar podia ler-se:“A vontade de refazer um país que nos foi devolvido naquela madrugada de 25 de Abril de 1974, fez com que o povo sentisse necessidade de se organizar para, em conjunto, tentar resolver os principais problemas que o preocupam. Um desses problemas era a habitação”, segundo Manuel Augusto Mendes Ferreira Martins.

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Já o então presidente da Câmara Municipal de Ovar, Fernando Raimundo Rodrigues, disse que “há no ar um autêntico desafio às capacidades do nosso concelho e à nossa própria luta por ele. Não é preciso sermos mais do que somos, mas é indispensável que todos, sem exceção, sejamos melhores no mostrar até onde podemos e queremos chegar, no que podemos e queremos fazer em busca de melhores condições de vida para todos os vareiros, para todas as parcelas deste concelho (…)”, palavras de reconhecimento que ocupam lugar nas páginas da história desta instituição, dedicadas aos obreiros deste sonho tornado realidade em diferentes fases de construção ao longo dos seus 40 anos de existência, também assinalados no Jantar de aniversário que se realizou no dia 11 de março com a presença de autarcas, diretores e membros da Cooperativa.

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Entre as memórias proporcionadas por um vasto programa organizado por uma equipa do Centro Social, coordenada por Carla Moreira com incondicional apoio da direção da Habitovar presidida por Vasco Colares Pinto, os momentos de partilha das vivências em cooperativismo que marcaram sobretudo as primeiras décadas desta nova realidade urbanística e social na cidade, permitiram diálogos de apuramento histórico deste processo que dignificou a cidade social e habitacionalmente.

Foi o caso de Gil Figueiredo, um dos fundadores e subscritores da escritura pública que oficializou a cooperativa de habitação económica de Ovar, Habitovar, que lhe deu estatuto e personalidade jurídica, e que destacou, lembrando todos quantos estiveram na origem deste projeto, que, “entre avanços e recuos, conseguiram chegar a bom porto com este magnífico empreendimento”.

Nestas memórias recorda também os anos setenta, em que, “foram muitos os portugueses que “migraram” dos vários pontos do país para Ovar, onde vieram como força de trabalho para o setor industrial que carecia de mão de obra especializada”. Uma evolução, lembra o Gil, que se deparou com as dificuldades de habitação para arrendamento, o que levava “estas pessoas a instalarem-se nos concelhos vizinhos”. Com o aparecimento da Habitovar, foi dada uma oportunidade à aquisição de casa e a melhor qualidade de vida.

Ovar de há 40 anos…

Na recriação dos anos setenta em Ovar, nas vivências, sociais, culturais e económicas, através de uma mostra, como resultado do envolvimento de moradores, artesãos, instituições e associações locais, foi possível conhecer o próprio projeto que é a Habitovar e os seus impulsionadores.

Integraram esta exposição animada pela presença de muitos testemunhos das vivências de Ovar nestes 40 anos, uma admirável obra de um residente na Cooperativa, José Maria Costa, que recriou a Procissão dos Terceiros em miniatura e elementos urbanísticos da cidade. Um trabalho artesanal em movimento que prendeu particular atenção dos visitantes a exemplo de outros: como as bonecas de Fátima Granja representando a etnografia regional e ainda as miniaturas de utensílios alusivos á agricultura ou a pesca, executadas por Manuel Faneco.

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Nesta viagem do tempo aos anos setenta foram ainda recriados e revividos os bailes do Café Progresso e do Salão Irmãos Unidos e uma Festa de Garagem dos anos 70, pela Banda Contraponto, com que os responsáveis da Habitovar quiseram mostrar às novas gerações em que contexto nasceu esta Cooperativa.

A mostra incluiu ainda curiosos e simbólicos apontamentos sobre várias instituições da cidade no campo humanitário, social, cultural e desportivo (Bombeiros Voluntários de Ovar, Cercivar, Banda Filarmónica Ovarense, Sociedade Musical Boa União, Orfeão de Ovar, A.R.C. da Ponte Nova, A.D.O. futebol, basquetebol, atlestimo, hóquei, ténis de mesa ou náutica, bem como sobre a evolução da indústria, com memórias, entre outras, da efémera presença da Argibetão em Ovar (instalada em 1972) ou da empresa da familia Borges, Rabor, que em 1965 foi vendida a uma multinacional e passou a chamar-se ITT/Rabor até 1975, passando depois em 1999 para a posse da familia Rica, com novo nome, Efacec Universal Motors e assim veio a encerrar. Uma das empresas a par do F. Ramada (fundada em 1935) em que se destacou o “embrião” dos principais impulsionadores da fundação da Habitovar.

Programa prolonga-se pelo mês de abril

A componente desportiva do 40.º aniversário da Habitovar inclui uma “Tarde Desportiva” amanhã dia 2 no Polidesportivo que recentemente beneficiou de obras de reconstrução por parte da Câmara, enquanto no dia 16 vai realizar-se a já tradicional Milha Urbana Cidade de Ovar, que vai na 15.ª edição na qual como também é habitual, será feita uma homenagem à Cercivar e a título postumo ao “Massagista” Mané.

No dia 30 deste mês realiza-se na Escadaria da Capela do Calvário um Espetáculo Musical pela Banda Filarmónica Ovarense e o Coro do Orfeão de Ovar. Por fim no dia 7 de maio no Centro Social da Habitovar vai ser levado a efeito uma Feira da Saúde e Bem Estar.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro

01abr16

 

 

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