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Ano e meio depois…

 

Lúcio Garcia

 

Cerca de ano e meio após a tomada de posse deste governo de Passos Coelho, tudo continua a ser culpa do passado, do “Memorando” que o executivo do PS assinou e da falta de credibilidade do governo de Sócrates, que nos trouxe o FMI.

Estou farto destes argumentos que não são verdadeiros e, pelo contrário, continuam a alimentar as desculpas destes “talibans da austeridade” da direita mais ultraliberal, demagógica e mentirosa que este nosso País alguma vez conheceu.

 

Será que já foi esquecido tudo o que aconteceu e levou ao derrube do anterior governo? O que foi dito durante a campanha eleitoral por Passos Coelho e sua gente?

O anterior governo, após a crise de 2008, e principalmente em 2010, tudo fez para evitar a necessidade de Portugal ter que recorrer a um pedido de resgate. Convém lembrar que este pedido, foi negociado com a Troika contra a vontade de José Sócrates, que já tinha apresentado a sua demissão ao Presidente da República (PR). Foi na condição de um governo de gestão que foi empurrado para isso. Um governo de gestão, que se encontrava demissionário e não tinha, como é evidente, condições de força e autoridade.

 

Mas isto aconteceu porquê? Porque numa altura difícil em que o governo tentava, tudo por tudo, evitar o pedido de resgate, tendo já Bruxelas aprovado o PEC IV (Sócrates teve toda a credibilidade por parte da Comissão Europeia, do BCE, de Durão Barroso e até da própria Merkel para negociar o PEC), o PSD não deu qualquer apoio ao executivo e não teve o apoio do PR.

Passos Coelho mais interessado na tomada do poder, ameaçou e cumpriu ao derrubar o governo aquando da sua aprovação. Durão Barroso bem o tentou dissuadir, avisou Passos Coelho que o PEC IV era a alternativa ao resgate que o BCE e o FMI pretendiam, Durão Barroso disse-lhe: “ Não pode chumbar o PEC, este já foi discutido. Esteve em Portugal uma missão da Comissão Europeia e do BCE, que acordou tudo”. Merkel ficou furiosa quando soube o que pensava fazer Passos Coelho.

Passos trabalhou mais para o derrube do Governo, do que no interesse do País. Basta lembrar o que disse Marco António Costa ao saber dos Grandes Debates do Regime organizados no Porto por Rui Rio. “Ou nos preparamos para eleições no País ou para eleições internas”. Para o PSD de Passos era agora ou nunca.

Convém acrescentar que o derrube do governo ocorreu por uma coligação com o apoio do PSD e do CDS, mas também com o apoio do PCP e Bloco de Esquerda. Quando estes dois últimos partidos reclamam hoje contra a vinda da Troika, convém que se lembrem que foram dos principais contribuintes para esta situação. Ou foram ingénuos ou irresponsáveis.

 

A um sábado, 19 de Março de 2011 diria José Sócrates no Porto: ”Eu, da minha parte, não estou disposto a governar com o FMI.”Ele sabia bem o que aconteceria ao País. Durante a campanha eleitoral avisou muitas vezes do que se iria passar. Ninguém lhe deu ouvidos, e factos… são factos.

O que se passou daí para cá, está à vista de todos.

A credibilidade deste governo tem sido de um total incumprimento do seu programa eleitoral. Todo ele foi baseado em demagogia e mentira.

Incumprimento com a Constituição da Republica Portuguesa, maior destaque para a TSU e o assalto fiscal de que estamos a ser vítimas. O abuso de confiança na gestão dos recursos confiados ao estado pelos descontos dos reformados. Todo esse dinheiro é propriedade dos reformados e não do Estado.

Se o tivéssemos confiado a uma qualquer outra entidade, o crime de abuso de confiança seria, com certeza, punido como crime que é. Porque é que ainda não o foi por ter sido cometido pelo Estado, ainda não consegui compreender.

 

Este governo é exímio em nos enganar. Poupa não fazendo obra… Assim poupamos todos. E se a obra deve ser feita? Se é investimento e tem retorno? Se o investimento gera emprego e diminui a participação do Estado em subsídios de desemprego e gera maior arrecadação de impostos, isto é poupar? Poupar num lado para gastar mais no outro, é gestão errada.

Daí que todos os orçamentos e orçamentos retificativos, nunca têm batido certo e a nossa divida já vai nos 120 por cento do PIB. Estes orçamentos antes chamavam-se PEC´s, lembram-se? No tempo do Sócrates foram três, o quarto foi chumbado. Este governo já nem sei em quantos PEC´s vai e só em ano e meio…e com maioria absoluta.

Da mesma forma engana-nos quando nos aumenta brutalmente os impostos e depois faz campanha a dizer que até vamos pagar menos. Veja-se a situação caricata a que até a RTP1 se prestou ao apresentar uns gráficos muito bonitos a dizer que com a diminuição da Taxa dos quatro para os 3,5 pontos percentuais, iriamos poupar…Poupar? E os 3,5 por cento que não pagávamos não é imposto a mais a pagar? E o brutal aumento do IRS? E todos os outros impostos a mais que vem por aí?

 

Este ano, para o privado e julgo que para o público, o 13º mês será pago em duodécimos, ou seja, repartidos ao longo do ano. E porque é que isto só vai acontecer este ano? Simples. Porque como o aumento de impostos vai ser tão grande, com o acréscimo desta verba mensal as pessoas não notarão tanto o peso da carga fiscal. O 13º mês será derretido no pagamento dos impostos. Mas estão a fazer de nós parvos ou quê?

 

Afinal, o “cumprimento” de contratos assinados é só com o capital e os usurários? E o contrato com os cidadãos deste País não são para cumprir? O que determina a Constituição e o Tribunal Constitucional, não é para cumprir? Que credibilidade nos merece este governo? Do meu ponto de vista. Nenhuma.

Estamos bem perto do Natal. Este ano, o meu pedido ao Pai Natal é de que leve no seu carro de renas todo este governo para bem longe. Já agora, a caminho do Polo Norte deixem-no cair na Alemanha de Merkel e ela que lhe dê a consoada. A continuarem por cá vão-nos deixar por muitos anos sem Natal.

 

Ao “Etc e Tal”, aos nossos amigos e leitores desejo-vos muita saúde para evitarmos recorrer ao médico e assim pouparmos algum em taxas moderadoras. Qualquer dia é mais barato ir ao privado (e é isso que este governo quer) do que ao SNS que… já foi.

Felicidades e um Bom Natal.

2 Comments

  1. Lucio Garcia

    Caro leitor Sr. Manuel Silva, em primeiro lugar quero agradecer-lhe ter lido e comentado o meu artigo.
    Fico reconhecido por ter dito que o que digo é verdade. Não concebo a critica politica assente na mentira e na demagogia. Tento ser o mais informado que posso e escrever na base de acontecimentos reais e não na propaganda demagógica.
    Quanto ao assumir de responsabilidades, a verdade é que todos os governos devem assumir as suas e todos sem excepção as têm. Por melhor que se governe há sempre coisas que se não fazem.Pricipalmente quando se governa sem maioria, como foi o caso.A verdade também é que desde o 25 de Abril quando é necessario asumir responsabilidades nunca vi mais ninguém do que os socialistas em as assumir. Porque será?
    Por ultimo, condenar um cidadão livre deste país que assumiu até ao fim as suas responsabilidades e compará-lo a um criminoso foragido da justiça desculpe que lhe diga mas não pode ser comparavel. Permita-me aconselhá-lo a ler o livro “Os Resgatados”, a que já fiz referência no artigo anterior. Só informado pode ter uma opinião bem formada.
    Cumprimentos

  2. Manuel Silva - Santarém

    Exmos Srs

    Sr. Lúcio é verdade tudo o que diz, mas como disse o Guterres, também o Sócrates, lá por Paris, ou por onde ele lá anda, já devia ter dito: tem responsabilidades na crise que estamos a viver. Era só isso que gostava ouvir dele, mas ele anda desaparecido. È um “Vale e Azevdo” polítivo… sem residência. O outro ainda a tinha em Londres e gozava com a situação. O Sócrates anda, politicamente, a monte. Isso não o incomoda caro colunista?

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