Marco Martins, atual presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, foi o nome escolhido pelo Partido Socialista (PS) para cabeça-de-lista à Câmara Municipal de Gondomar às eleições autárquicas a realizar em meados do próximo ano.
A notícia já foi avançada há algumas semanas, isto após a Comissão Política Concelhia do PS ter aprovado a proposta de candidatura do jovem autarca, com mais de dois terços dos elementos presentes, tendo sido, a mesma, formalizada no passado dia 16 de novembro de 2012.
Com 34 anos de idade, Marco Martins é, desde 2005, líder de uma das maiores freguesias do concelho de Gondomar em termos demográficos. A cidade de Rio Tinto tem cerca de 44 mil eleitores recenseados, e uma população residente que atinge já os 60 mil habitantes.
Licenciado em Gestão, com mestrado em Administração Pública, e bombeiro nos “Voluntários da Areosa, o autarca riotintense em entrevista exclusiva ao “Etc e Tal” referiu, entre outras coisas, que quer chegar à Câmara Municipal de Gondomar para desenvolver uma gestão cristalina e de proximidade”. Mas há mais!”
“Disponibilizei-me, perante o partido, a ser candidato à Câmara Municipal de Gondomar no ano passado. Fi-lo na altura certa, no momento ceto e no órgão próprio. Depois, apresentei a minha candidatura junto dos órgãos do PS, os quais foram, quase unânimes a aprová-la. Em 66 votos: 64 foram a favor, um votou em branco e um contra”, começou por dizer Marco Martins, historiando, assim o processo que o levou a ser candidato oficial do PS à edilidade gondomarense.
“Vai custar-me deixar Rio Tinto”
Pelos vistos, “depois do reconhecimento da população pelo meu trabalho, foi agora o reconhecimento do partido”, refere orgulhoso o ainda presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, confessando que não vai ser fácil deixar a sua atual autarquia.
“Vai custar-me deixar a Junta de Freguesia. Desde há sete anos a esta parte que me dei de corpo e alma a Rio Tinto. Há muita coisa que foi feita, outra que devia ter sido feita de outra forma, mas tudo tem muito suor e muita dedicação da minha parte. Ora, como é óbvio, quando se deixa algo que se gosta custa sempre! Mas, fico reconfortado por saber que irei ocupar – se vencer as eleições, o que será uma realidade – uma função na qual poderei também trabalhar para Rio Tinto” e enfatiza ainda o facto de que “só não fizemos mais obras porque não nos deram mais competências e porque a Câmara, em muitos casos, barrou o nosso trabalho.”
“Mobilidade”: na linha da frente
Como candidato à Câmara, surgem agora novos objetivos e mais exigentes desafios. “O concelho de Gondomar tem estado esquecido naquele que é o panorama do Grande Porto, assim como a nível nacional, no que concerne a questões sociais económicas, sendo de destacar o desemprego”. Ainda de acordo com Marco Martins “há, aqui, que tomar algumas medidas, e uma das primeiras será a de estimular a economia e a promoção de emprego. Gondomar tem importantes vias infraestruturantes, como a CREP (A41) e a IC29 – que ligam o concelho ao sul e ao norte do País – e, portanto, há que promover o investimento. E como é que se faz isso? É fácil! A Câmara tem de criar um gabinete de apoio ao empreendedorismo e tem que mudar os mecanismos ficais que tem ao seu dispor, para que, reduzindo as taxas, possa tornar atrativo o investimento.”
Outro dos seus objetivos centra-se “na questão da mobilidade”, tendo Marco Martins como meta, “trazer o Metro do Porto ao centro do concelho, na ligação de Campanhã- Freixo- Valbom-S. Cosme. Este projeto já está aprovado e agora é só exigir, no contexto do próximo Quadro Comunitário de Apoio, que essa obra seja financiada.”
“A reforma administrativa não faz qualquer sentido!#”
Não lhe faltará, porém, concorrência política, se bem que ainda não se saiba, oficialmente, quais serão os seus adversários. “Estou pronto para a “batalha” política” e essa “batalha” será sempre, da minha parte, amais limpa, clara e transparente, isso, independentemente do que vier a ser a concorrência. O PS foi o primeiro partido a apresentar o seu candidato. Do outro lado, nada sabemos – se será apresentada uma coligação PSD-Independentes, ou qualquer coisa do género -, mas não é isso que vai condicionar a minha candidatura. Ela, a candidatura, será de proximidade às populações e fará um programa e um projeto participado pelas pessoas”.
Entretanto a Reforma administrativa, com a extinção de algumas freguesias, está a originar grande confusão e viva contestação na vida política gondomarense. Para Marco Martins, “essa reforma não tem qualquer tipo de sentido. Primeiro porque foi feita, a régua e a esquadro num gabinete de Lisboa, e depois porque não poupa dinheiro ao País e as populações ficam prejudicadas. O que está a ser feito é só para cumprir calendário e não sei quais são as vantagens.”
“Isto é uma confusão de todo o tamanho e cria dificuldades aos partidos e às populações pelo facto de não saberem no que é que isto vai ficar. O processo já deveria estar resolvido há muito tempo! Não devia ser a meio ano das eleições autárquicas que devíamos ficar a saber quais são as que ficam e as que saem. A Reforma devia ser feita como deve ser, e não esta Reforma feita a correr e sem grande lógica.”
Dinamizar o concelho aproveitando as suas potencialidades
A crise que grassa no país tem atingido, como se sabe, as autarquias, e Gondomar não é exceção. Marco Martins já sentiu na pele esta situação. “Não é, por exemplo, competência das autarquias prestar apoio social, mas as autarquias fazem-no – como no caso concreto de Rio Tinto. Nós fazemos recolha de alimentos, de produtos de higiene, coordenamos a rede social, e, acima de tudo, fazemos a triagem e o devido encaminhamento que depois esbarra na Segurança Social, que está sem verbas.”
Falando já como candidato socialista à Câmara de Gondomar, Marco Martins fala das potencialidades do concelho e de como as aproveitar da melhor maneira. “Gondomar tem uma orla fluvial de 30 km do Douro. Aí tem de haver um tipo de aproveitamento. Aí, por onde passam 200 mil turistas por ano não há qualquer tipo de local para atracar em Gondomar. Este concelho tem imensas serras que a ligam Paredes e a Valongo e que não estão dinamizadas. É tudo isto que nos obrigará a fazer projetos de dinamização para que os turistas que venham ao Porto, e ao norte do País – e são cada vez mais! –, também possam vir a Gondomar!”
Marco Martins promete, desde já, “levar a dinâmica de Rio Tinto e toda a transparência ao resto do concelho. Gondomar precisa de dinamismo; precisa de um novo ciclo e precisa, acima de tudo, de políticos que prestem contas às populações. Esse é um compromisso que, desde já, assumo. Uma gestão transparente. Uma gestão de proximidade”, concluiu.
Concorrência
Com Valentim Loureiro, presidente da edilidade gondomarense, a não poder candidatar-se a novo mandato, os “independentes” – lista sempre por ele encabeçada desde que se retirou do PSD -, poderão apresentar como “número um” o atual vereador Fernando Paulo, não sendo, contudo, de ignorar a hipótese de Daniela Himmel, filha do major (também ela vereadora), poder ocupar esse lugar. A primeira ou a segunda posição na lista estear-lhe-á, certamente, assegurada!
Quanto ao PSD, a questão relativa ao cabeça-de-lista a apresentar à Câmara Municipal de Gondomar para as eleições de 2013, parece longe de decidida, se bem que se avance com o nome de José Luís Oliveira, isto depois de ter regressado à militância social-democrata, posição consequente ao seu abandono da lista de independentes, liderada por Valentim Loureiro.
De resto, mais nada se sabe, isto no que diz respeito também às listas a apresentar pela CDU e pelo Bloco de Esquerda.
Socialistas já têm “cabeças-de-lista” para Gaia e Valongo
Mas, é nas hotes socialistas que, no Grande Porto, mais clarificado vai estando as suas “apostas” autárquicas. Além de Marco Martins, como cabeça-de-lista para a Câmara de Gondomar, e de Manuel Pizarro, para a do Porto, o PS tem já como certa a candidatura do ainda presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, Eduardo Vítor Rodrigues, como “número um” à Câmara Municipal de Gaia. De salientar que Eduardo Rodrigues tem 41 anos, é sociólogo e foi um dos poucos autarcas socialistas no concelho, durante os mandatos de Luís Filipe Menezes, que abalará para o Porto. Sobre esta candidatura e, concretamente, sobre este concelho, falaremos com mais pormenores na nossa próxima edição.
Já no que concerne à autarquia de Valongo, os socialistas escolheram o seu líder concelhio José Manuel Ribeiro, de 41 anos. Das restantes forças partidárias não temos qualquer tipo de informações.
Matosinhos: Guilherme Pinto disponível para recandidatar-se à Câmara
Em Matosinhos, o atual presidente da Câmara Municipal, Guilherme Pinto, anunciou, no passado dia 16 de novembro, a sua “disponibilidade” para liderar a lista do PS à edilidade, isto no decorrer de um jantar comemorativo dos sete anos do seu mandato, o qual decorreu com alguns incidentes. Além de Guilherme Pinto está também na corrida António Parada, sendo estes os concorrentes às “primárias” socialistas de Matosinhos.
PSD RECUSA PROPOSTA DO CDS PARA CORTE NO FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS ELEITORAIS
O PSD recusou uma proposta do CDS-PP para cortar 50 por cento na subvenção do Estado para as campanhas eleitorais, isto em reunião entre os dois partidos destinada às alterações a apresentar para o Orçamento de Estado de 2013 (OE13).
A medida dos populares implicaria uma poupança de 24 milhões de euros para o OE13, mas ao ser recusada a proposta, será de 48 milhões de euros o valor previsto para o financiamento público para a propaganda eleitoral, a começar já pelas “Autárquicas” que se realizarão em meados do próximo ano. Os social-democratas justificam o “chumbo” pelo facto de se já terem registado cortes em 2010 e ainda no decorrer deste ano.
Texto: José Gonçalves
Fotos: António Amen (arquivo)