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Uma embalagem especial

Miguel Correia

Algumas gerações ainda são vítimas da falta de desenvolvimento do país, provocado pelo antigo regime. Apesar das dificuldades, ausência de escolaridade e consequente formação, os tugas sabem fazer as contas e gerir os seus negócios. Perante as adversidades o “desenrasque” tem assumido uma importância extrema. No entanto, a informatização instalou-se definitivamente no país. E quem não consegue acompanhar a evolução frenética destes tempos, fica irremediavelmente ultrapassado. E os “desenrascados” são facilmente identificados…

Depois de uma consulta de rotina, com o seu médico, em Salreu, uma idosa foi aconselhada a fazer, para além da colheita de sangue, exames às fezes e urina. Após entregar, na receção, toda a documentação necessária, recebeu os recipientes próprios e instruções. Regressou, dias depois. A rececionista repara num estranho embrulho, feito de papel de alumínio, perguntando, à senhora, qual a sua origem: “Olhe, menina! Ao tentar fazer para o frasquinho, aquilo fugiu-se das mãos e caiu à sanita! Como é à moda antiga, e não se vê o fundo, não consegui apanhá-lo! O pouco que consegui, está neste embrulhinho!”. Perante tal prova de honestidade, não teve coragem de recusar as amostras e, quando se preparava para colocar as respetivas etiquetas com nota explicativa, recebe um telefonema urgente. Ausentou-se por alguns minutos… Deixando tudo no balcão!

Entretanto, chegou a responsável e, mal reparou no embrulho de papel de alumínio, resolveu pegar nele para descobrir o que era. Por pouco não o abriu! Mas desatou a barafustar com os colaboradores sobre as normas internas: “Farto-me de dizer que a comida é no frigorífico!”. Incrédulos… Voltaram ao trabalho, sem dizer uma palavra.

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