Na véspera do feriado 5 de outubro aconteceu mais um À Palavra, no Museu de Ovar, com a participação da escritora e guionista Patrícia Muller e a habitual moderação de Carlos Nuno Granja. A sessão à noite, antecedida de um encontro desta autora com alunos dos 7.º, 8.º e 9.º anos da escola secundária Júlio Dinis, foi mais um agradável momento literário em que Patrícia Muller falou do seu percurso profissional, iniciado como jornalista, e sobretudo da sua carreira como argumentista, depois de se estrear na televisão em 2000, escrevendo filmes, séries, telefilmes e sobretudo como guionista de novelas.
Um trabalho “extenuante” que procura conciliar com o que verdadeiramente a apaixona na escrita como é, o romance, a exemplo da sua primeira obra, “Madre Paula”. Um romance histórico com muita investigação, baseado na relação entre D. João V e uma freira de Odivelas. Livro que Patrícia Muller vai ver adaptado para uma série de TV, para a qual deposita grandes espectativas como autora e no papel determinante que vai ter na escolha dos personagens, nomeadamente na jovem atriz que virá a interpretar a Madre.
A escritora que não escondeu a sua satisfação como foi recebida em Ovar e a oportunidade que teve de constatar o inestimável trabalho de Carlos Nuno Granja na formação de leitores, partilhou ainda com os presentes a história familiar do seu mais recente livro, “Uma Senhora Nunca”, a sua obra parcialmente ficcionada, uma vez que se trata de uma história inspirada na sua bisavó e a doença de alzheimer contada pela avó que a neta escritora enquanto escrevia ia assistindo à sua degradação como consequência desta mesma doença na família. Obra literária que a autora ainda teve a avó como leitora de uma história em que entrou, mesmo que ficcionada numa personagem chamada Lucinda.
Nesta conversa em que o tempo passou demasiado depressa, Patrícia Muller acabou a falar do papel das novelas, não só como a sua base fundamental para se dedicar atempo inteiro à escrita, mas também sobre a importância que podem e devem ter na abordagem de “temas importantes” que influenciem o desenvolvimento e abertura da sociedade para determinados temas até então difíceis de abordar ou mesmo tabus”, referiu a escritora e guionista de projetos na TV como foram os “Morangos com açúcar”, “Mar de Paixão” , “Rosa Fogo” ou a série cómica “Ele é Ela” entre vários outros trabalhos em que não esquece como começou, lembrando com alguma ironia a adaptação de uma novela mexicana, “O último beijo”.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
01nov16


