Maximina Girão Ribeiro
A celebração do Natal perde-se na noite dos tempos…
Muito antes do cristianismo, a existência de muitas tradições pagãs, ou não cristãs, foram perdurando, consolidando-se no quotidiano das populações e acabando por ser absorvidas e transformadas, mais tarde, pelo cristianismo.
As comunidades pré-cristãs comemoravam o solstício de Inverno e viam o sol como uma divindade, simbolizando a luz sem fim, a eternidade… O sol era o Astro Rei que era tido como sinal de conhecimento e de sabedoria. Estas práticas remontam a milhares de anos – muito antes do aparecimento e da propagação do cristianismo.
Muito provavelmente, a festividade cristã que comemora o nascimento de Jesus, veio substituir a festa pagã do nascimento do sol (natalis solis invictus). “Sol Invictus” (em latim) – “Sol Invicto ou Invencível,” também conhecido pelo nome completo de “Deus Sol Invictus” (“Deus Sol Invicto”) que representava a celebração do solstício de Inverno, altura do ano em que os dias são mais pequenos e escuros, mas que prenunciam já o alongamento dos dias. Estes dias tristes e frios e com a ausência de trabalhos agrícolas trouxeram a necessidade de convívio, festa, luz…
Esta festividade pagã, comemorada no dia 25 de Dezembro, foi reconhecida como culto oficial, pelo Imperador Romano Aureliano, no ano de 270 e marcava o momento em que o Sol iniciava a sua ascensão triunfante, representando a luz como fonte suprema de energia, a luz que nunca morre e que vence sempre, a luz como promotora da fecundidade e da prosperidade. Este culto prevaleceu até à adesão progressiva do Império Romano ao Cristianismo que, através do Édito de Milão, promulgado pelo Imperador Constantino, no ano 313, passou a considerar o Cristianismo como religião oficial do Império Romano.
Na Antiguidade, por não se saber com exactidão a data do nascimento de Jesus, o Natal foi sendo comemorado em várias datas diferentes. Contudo, no século IV, estabeleceu-se que o dia 25 de Dezembro seria a data oficial de comemoração deste evento.
Mas, o Natal, além das solenidades religiosas próprias da época, é também feito de ícones e tradições emblemáticas para que aconteça a verdadeira celebração: o presépio, a árvore de Natal, o Pai Natal, a consoada, a Missa do Galo, o bolo-rei, os três reis magos (Gaspar, Baltazar e Melchior),…
E, para compor a magia do Natal juntam-se as músicas sempre ouvidas na época natalícia, assim como a existência de toda uma série de doces característicos da quadra, os quais variam de país para país e, dentro de cada país, de zona para zona, assim como uma variada gastronomia de que se salienta, em Portugal, o “indispensável” bacalhau da consoada, saboreado num momento único e sublime em que se reúne a família seguindo-se, no dia seguinte, 25 de Dezembro, o almoço do onde é servida a tradicional “roupa-velha”, segundo a tradição do Norte de Portugal.
Pensa-se que a primeira representação do presépio, surgiu por iniciativa de São Francisco de Assis, no Natal de 1223, numa floresta da região do Lácio, em Itália, em que as figuras representativas do nascimento do Menino Jesus foram concretizadas por seres vivos (pessoas e animais). O presépio personifica a família (Maria, José e o Menino), ora o Natal é também a festa de reunião da família.
A árvore de Natal é igualmente uma das mais populares tradições associadas ao Natal e, sobre ela, contam-se várias histórias, acerca da sua ligação ao Natal. Pensa-se que a árvore representa um resquício de tradições milenares, relacionadas com crenças que ligavam as árvores a entidades mitológicas, por serem consideradas como expressão de fertilidade e no sentido de “funcionarem” como “intermediárias” entre o céu e a terra.
Conta-se, ainda, que São Bonifácio, que viveu entre 675 e 755, conhecido como o “Apóstolo dos Germanos”, aquele que cristianizou o território da actual Alemanha, para combater o paganismo derrubou um carvalho sagrado, junto do qual se fazia a veneração ao deus Thor. Depois do derrube, com a madeira que ficou, S. Bonifácio construiu uma pequena capela, associando o formato da árvore à Santíssima Trindade e as suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. Diz-se que terá nascido, assim, a árvore de Natal.
Mas, também se acredita que a tradição de colocar dentro de casa um árvore enfeitada, terá começado, por volta de 1530, na Alemanha quando, numa noite de neve e frio, Martinho Lutero caminhava por uma floresta e ficou deslumbrado com a beleza do cenário que comtemplava. Tentou, depois, reproduzir em sua casa, no dia de Natal, a mesma beleza que observou – juntou galhos de árvores e colocou-lhes enfeites: flocos de lã a imitar a neve, velas acesas, como se fossem estrelas, luzes que simbolizavam o nascimento de Jesus, a luz do mundo…
O Pai Natal igualmente se “instalou” como tradição da quadra natalícia, embora a sua assimilação seja bastante mais recente do que as outras já citadas. Há quem afirme que a figura do bom velhinho terá como origem um bispo chamado Nicolau, mais tarde S. Nicolau, que ajudava as pessoas mais pobres, colocando saquinhos com moedas nas chaminés das casas. O mito do Pai Natal continua a fazer sonhar muitas crianças e até adultos, em vários pontos do globo, todos suspirando por presentes… “oferecidos” por um velhote bonacheirão que vem lá das terras geladas, num trenó, puxado por renas que tilintam os seus guizos…
As tradições de Natal têm-se afirmado e instalado por todo o mundo, sendo transversais a vários povos e religiões. No entanto, o Natal que na actualidade se comemora, sobretudo na sociedade ocidental, remonta a pouco mais de um século atrás. Contudo, as suas raízes vêm de muito longe…
Fotos: Pesquisa Google
Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal Jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.
01dez16






