Bruno Ivo Ribeiro
Na preia-mar em que estou, penso afinal de que serve um pensamento, se o não estudar, e de que serve um sonho, se por ele não lutarmos?
Viajar sem rumo certo para que nos possamos perder sem nunca nos encontrarmos. Partir rumo ao desconhecido e acharmos rumo ao que foi perdido. Ter sol e sal numa gota de oceano com que por ela cingimos o mundo. O ato de cingir o mundo, ou melhor, com nossos braços podermos alcançar origens e sonhos num golfar fluido de sentimentos; é por si só ato de pura audácia do espírito que habita em nós.
Permitirmo-nos a essa viagem a esse flanar de coração e mente, é puramente a metáfora da nossa existência. Se à medida que vivemos crescemos, porquê esse desgosto de envelhecer? Porque não antes torna-lo a vitória de ter até então vivido, ou simplesmente desperdiçado toda uma vida…
Cabe-te a ti, cabe-me a mim, cabe a cada um de nós flanarmos na nossa própria vida, e enchê-la com aqueles que a nosso lado nos dão mais motivos de vida, se nos abrimos para fora, temos que saber olhar o que está por dentro. E se o que nos for cá dentro se glorificar com aquilo que sente lá de fora?
Esse lá fora, essa impostora natureza social que nos é imposta e que nela nascemos, é só engrenagem vacilante nas pedras da calçada. Todos os dias andamos sobre ela, mas todos os dias a sociedade anda sobre nós também, e essa simbiose letal de estarmos, de vivermos, de por fim existirmos condiciona voo e passo, aos passos a dar na corrida da nossa vida.
Pontapear mente e corpo, e enxugar as lágrimas que jorraram das bolsas que tu jamais soubeste enclausurar ou soubeste outrora consagrar como tuas, indeléveis sacos emocionais fortificados ou não, mas que agora não já teus, ao mundo os deste.
Se ao menos os soubesses dar como corpo uno e são da mente que tudo controla, ao coração que sente só sentimento que te pesa, então aliarias alma ou o que quer que lhe chames ou dogma vertiginoso de uma crença inusitada, unicamente este agora a ti sugere em suma perfeição, a exaltação da viagem que tens trilhado até então e trilharás de hoje para o presente inconstante, na busca premente do universo futuro e inexplicável.
Flana. Podes fazê-lo, nada te impede senão tu, de resto tu como sempre teu ou tua próprio/a juízo/a sentenciador/a que te não aplaca a mente, porém te instiga discórdia e revelação simbólica do que sentes com o que não proferes.
Viver nunca fora matéria fácil, ou âmago de ser lecionado porque ainda nem aprendeu. Ora se para a vida, não se lhe administra bálsamo que rejuvenesce, nem bacharel que se lhe apraz, porque cisma e mania hedionda a tua, que teimas em não querer viver?
Faz do teu trilho uma viagem que deixe legado às gerações vindouras. Promete a ti próprio, e nunca aos outros…que tu! Unicamente tu, saberás viver a tua vida. Não ignóbil ou vilmente, nem distraído ou sem humildade nem carácter, antes sapiente e ágil de carácter pensamento e emoções para que condignamente saibas viver e dignificar-te, usando pleno direito das tuas liberdades em campos de energúmenos.
Deixa que o coração te leve, pois afinal onde nos leva o amor, nos leva também esta vela que viver nos concebe, onde a cera que derrama, é a cera que em nós arde e que fica, de uma chama que jaz, num presente que prospera, de um passado iluminado por um futuro de sombras…
Sê hoje, o que nunca de ti pudeste até agora fazer; e arma mente e coração, munidos de espadas de sonhos e escudos de história…essa tua história, que definiu quem foste e quem és agora no memento sensitivo e competente, mas que não faz, quem tu no futuro serás…pois vela que arde, iluminou algos e alguéns por uns segundos de minutos de tempos em tempos espraiados, dessa cera ardida restará somente…ossos…ventres…e sorrisos juntos com as lágrimas, das amarguras de nunca teres realmente vivido, que provavelmente enterrarás.
Flana… o tempo é teu baluarte…flana…faz da tua alma o teu estandarte…
Flanar…ou não flanar…eis a verdadeira questão!
Obs: As fotos são do autor desta peça
01fev17


