Uma década depois da emergência médica ter sido entregue ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) como alternativa ao encerramento de urgências hospitalares como foi o caso no Hospital de Ovar Dr. Francisco Zagalo entre vários outros no país, que as populações, após vários tipos de contestação acabaram por perder serviços de urgência com a promessa de melhor e mais eficiente resposta do novo sistema de ambulâncias com referência ao Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira. Há agora o risco de deslocalização das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM), que servem os hospitais de Ovar e Espinho, para se concentrarem no reforço de outras unidades hospitalares no norte do distrito de Aveiro.
O alerta para o encerramento deste serviço das ambulâncias AEM nos concelhos de Ovar e Espinho foi feito pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que através do seu deputado Moisés Ferreira, dirigiu ao Governo, através do Ministério da Saúde, perguntas sobre as intenções do INEM em encerrar tais AEM e alertando para as consequências no socorro das populações.
A perspetiva de deslocar as AEM de Ovar e Espinho para outros concelhos, vem na sequência de, este ano, o INEM se propor abrir 20 novas ambulâncias de emergência médica (AEM) e oito de Suporte Imediato de Vida (SIV), sendo no entanto público que o INEM tem falta de vários profissionais de saúde, em particular Técnicos de Emergência Pré-hospitalar (TEPH), técnicos que são o grosso dos recursos humanos da instituição e que tripulam as AEM a 100% e as SIV a 50%.
Dados que poem a nu o incumprimento do INEM, por, segundo o Bloco, “não possuir AEM em todos os hospitais médico-cirúrgicos ou polivalente e SIV em todos os serviços de urgência básica (SUB)”, ponderando assim “colmatar essa falha com a deslocalização de algumas ambulâncias”.
Com tal solução de deslocalização de meios da emergência médica, “o norte do distrito de Aveiro deverá sofrer profundas alterações dado que estará a ser ponderado pelo INEM fechar as AEM de Espinho e de Ovar para dar lugar à AEM do Hospital de S. Sebastião em Santa Maria da Feira e da SIV do Serviço de Urgência Básica de Oliveira de Azeméis” é afirmado pelo deputado bloquista.
Com tal cenário a inquietar de novo as populações, esta iniciativa politica visa solicitar que, “o Ministério esclareça rapidamente esta informação. Da parte do Bloco de Esquerda a posição é clara: é necessário que sejam colocadas as ambulâncias em falta nos serviços de urgência de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, mas essa colocação não pode ser à custa de outros concelhos e de outras populações que necessitam, de igual forma, de meios de emergência pré-hospitalar”.
Este partido manifesta assim discordância “com qualquer intenção de encerramento das AEM de Ovar e de Espinho, e consideramos ser da maior importância que o Ministério, junto do INEM, garanta a abertura de novas viaturas e a contratação de mais profissionais, de forma a abrir as viaturas dos hospitais de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira sem encerramento de nenhum meio atualmente existente no terreno”.
O documento lembra também o Ministério da Saúde “que desde que a AEM de Estarreja foi encerrada, a AEM de Ovar tem tido crescentes solicitações para este concelho, assim como para o concelho da Murtosa, algo que não acontecia quando a AEM de Estarreja estava em funcionamento. Este facto mostra que a AEM era necessária e que o seu encerramento prejudicou o socorro pré-hospitalar à população”.
Por fim é recordado que ambos os concelhos em risco de perderem as AEM, já perderam nos últimos anos muitos dos seus cuidados de saúde, dando o exemplo das urgências hospitalares, que no caso concreto dos hospitais de Ovar e Espinho foram alvo da requalificação da rede de urgências/emergência hospitalar iniciada em finais de 2006, com a promessas de alternativas como foi o caso do INEM.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*)Correspondente Etc e Tal Jornal em Ovar – Aveiro
01abr17


