Duas décadas depois dos arranjos urbanísticos realizados na Praia do Furadouro, na sua Avenida Central e Marginal Norte, que já algum tempo dão sinais de degradação, o mesmo arquiteto Lopes da Costa propõe-se agora concluir na Marginal Sul o projeto por si iniciado há vinte anos.
As obras que arrancaram nos primeiros dias de abril e têm um prazo de execução de 120 dias, são um grande desafio, não ao avanço do mar, porque neste caso, o projeto naturalmente não contempla medidas para enfrentar a fúria da ondulação sempre que marés vivas se registem. Mas, com a época balnear já no horizonte dos comerciantes locais, o receio de se repetirem os habituais atrasos na conclusão destas obras públicas, que marcaram aliás outras épocas de arranjos urbanísticos nesta Praia, só mesmo o fator “autárquicas”, em outubro, podem garantir tranquilidade e normalidade durante os meses de Verão, sem os sempre incómodos efeitos de obras em curso.
Ao contrário do que aconteceu na Marginal Norte, em que alguns dos setores da obra realizada não resistiram à forte erosão costeira em diferentes anos de intemperes, que originaram significativas derrocadas do projeto de requalificação urbana, destruindo definitivamente alguns dos elementos do projeto, como eram os abrigos que proporcionavam sombras para os veraneantes. O atual projeto assenta ao longo da Marginal a requalificar, numa autêntica muralha de betão que resultou da última obra de defesa e consolidação costeira que teve lugar no Furadouro após as violentas derrocadas que ali aconteceram.
Com o mar “sem amarras” a mostrar toda a força da sua energia, continuadamente a bater na muralha de pedra com que vai fazendo “braço de ferro”. A Marginal que de vez em quando é lavada pela água do mar, vai finalmente ter “cara lavada” por um projeto de requalificação urbana cuja empreitada foi adjudicada por cerca de 678 mil euros.
O projeto em execução visa requalificar a zona Sul do Furadouro com as naturais limitações do Plano de Ordenamento da Orla Costeira de Ovar-Marinha Grande (POOC), Plano que teve início em 2000 com consequências nas obras de requalificação no Norte do Furadouro e nas várias intervenções nesta Praia, dando mais tarde a sua revisão, lugar ao Programa para a Orla Costeira Ovar-Marinha Grande (POC-OMG).
As obras em curso contemplam o alargamento da área pedonal separada do mar por um muro em betão que resultou de uma intervenção de emergência na fase inicial do mandato do atual executivo de Salvador Malheiro, que se propõe agora concluir a valorização de uma Marginal que tem sido secundarizada em termos urbanísticos. Para tal, o projeto que envolve ainda as artérias, Rua da Imprensa Portuguesa e a Av. Tomás Ribeiro através de área pedonal, vai reduzir o atual estacionamento em frente ao mar, transferindo em parte para a zona anexa ao edifício Barramares.
A aposta nas vias cicláveis são uma das vertentes que se destaca neste projeto, mas não serão certamente suficientes só por si, para se afirmar, como o fez o presidente da Câmara Municipal de Ovar, que esta obra, “vai permitir colocar a Praia do Furadouro no mapa das atracões turísticas como já o foi”. Certamente que para tal justa pretensão, o edil Salvador Malheiro que também fez questão de homenagear os 30 anos de trabalho do arquiteto Lopes da Costa, vai ter de reconhecer que as obras de requalificação com duas décadas no Norte do Furadouro vêm exigindo nova intervenção de requalificação, tal é a imagem pouco coerente com a atual fase em curso, para, como foi admitido, concluir o projeto iniciado há vinte anos.
Recorde-se que os materiais então usados na requalificação da Marginal Norte se basearam em peças tipo caixas construídas em argila, que estão colocadas de forma sobreposta umas nas outras (a exemplo de caixa de peixe numa zona de pesca) e seguras através de areia, de que foram cheias e tapadas com uma placa da mesma argila, dando origem ao muro que separa a zona pedonal do areal da praia. Estruturas de caixas sobrepostas que tinha como filosofia arquitetónica funcional, poderem ser removidas sempre que houvesse risco de destruição pelo avanço do mar e serem de novo colocadas no local. Uma estratégia que nunca terá sido experimentada na prática, ainda que ao longo do tempo este tipo de projeto por peças, tenha ficado com vários sinais de degradação e mesmo destruição.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*)Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
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