Menu Fechar

O expressionismo de Alberto Péssimo para ver na Galeria Municipal de Matosinhos

Depois de nomes como os de Julião Sarmento, José Emídio, Jorge Pinheiro, Carlos Marques ou Fernando Lanhas, o senhor da arte contemporânea portuguesa que se segue na Galeria Municipal de Matosinhos é Alberto Péssimo.

As 21 obras a óleo sobre madeira que compõem “Fogo no Paiol” revelam a faceta mais expressionista de Alberto Péssimo. Os retratos expostos resultam da sobreposição de largas pinceladas em tons fortes, ora luminosos ora obscuros, provocando a inquietação de quem olha para uma galeria de personagens tolhidas pela doença, pela velhice, pela solidão, pelas fragilidades e pela alienação. “Um pesadelo de mulher que sorri com seus olhos redondos como seios”, viu a poetisa Regina Guimarães. A exposição estará patente até 17 de junho.

“Ao retratar estes loucos e loucas, Péssimo simultaneamente expõe a dor e a fragilidade dos seus retratados – coisa que deles faz um reflexo pouco deformado de nós mesmos – e oculta os labirínticos corredores e muralhas que os enclausuram e separam de nós”, escreveu Saguenail, o realizador e escritor francês que, em conjunto com Regina Guimarães, produziu os textos que acompanham o catálogo único concebido para as três exposições, intitulado “Ossos do Ofício”. “Elas interrogam-nos. Chamam-nos, fraternalmente, ou até amorosamente. E acordam emoções inomináveis que dormitavam enterradas no fundo das nossas cabeças”, acrescenta Saguenail.

Alberto Péssimo, recorde-se, nasceu em Moçambique em 1953 e veio para Portugal aos oito anos de idade. Formou-se na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e foi professor da Escola Artística da Cooperativa Árvore, tendo concebido diversos cenários para peças de teatro e a cenografia de programas televisivos como “A Árvore dos Patafurdios” e “Os Amigos de Gaspar”.

Expõe regularmente desde 1977, afirmando-se como um dos mais significativos artistas portugueses da geração que atingiu a maturidade durante o período final da Guerra Colonial. A sua obra foi também objeto de um documentário da autoria de Miguel Lopes Rodrigues e exibido no Canal 180.

Texto: Jorge Marmelo (CMM) / EeT

Foto: CMM

01jun17

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.