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Ovar: Fim de semana no Museu para assinalar o Dia Internacional dos… Museus

A exemplo da diversificada programação cultural proporcionada em espaços museológicos a nível nacional para comemorar o Dia Internacional dos Museus, o Museu de Ovar dedicou também um fim de semana à data (18 de maio) instituída pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM).

O Museu de Ovar abriu portas a esta comemoração através de um fim de semana como uma autêntica maratona de eventos e atividades, nomeadamente as visitas guiadas ao Museu. Um vasto programa em que o seu diretor Manuel Cleto se desdobrou por vários momentos, em que, incluiu sessões de Há Poesia, com Amadeu Baptista para falar do seu mais recente livro “Caudal de Relâmpagos” e À Palavra, com Armando Carvalho Ferreira, que abordou o seu trabalho de investigação sobre os moinhos e o romance “O último moleiro do rio”.

Esse fim de semana no Museu de Ovar teve ainda uma sessão de Conto com Hélder Rodrigues do livro “O Bicho Toné”, uma exibição do filme de Luís Margalhau “Afinando Pessoas, Pássaros e Flores” e no domingo o desafio foi fotografar o Museu vendo-o com outro olhar, depois de um Workshop de fotografia com a participação de Jorge Bacelar.

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O “Há Poesia” com Amadeu Baptista marcaria o arranque desse fim de semana, em que o escritor e poeta nascido no Porto, a 06 de maio de 1953, em mais uma tertúlia moderada por Carlos Nuno Oliveira, falou do poema longo que o carateriza e que se espelha na sua vasta e intensa obra publicada com mais de três dezenas de títulos, como o mais recente livro “Caudal de Relâmpagos”, mais uma antologia pessoal de 1992 a 2017.

Foi uma noite de profunda e sentida poesia, quer a lida pelo autor, que fez “estremecer” os presentes com “murmuração de León Trotsky no seu leito de morte” ou as palavras dedicadas ao poeta turco que admira, Nazim Hikmet. Assim como o seu poema dedicado a Jorge de Sena lido pelo impulsionador destas tertúlias literárias no Museu de Ovar. Poemas arrebatadores do tema “A Construção de Nínive” a que, a atriz Aurora Gaia deu igualmente voz.

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Para este autor com obras traduzidas para alemão, castelhano, catalão, italiano, inglês, francês, hebraico, romeno e neerlandês, “cada poema tem a sua história, ainda que no início comece por ser inconsciente”, porque, como afirmou sobre a sua experiencia, “nunca vou com uma ideia premeditada para o computador”. Para Amadeu Baptista, “todos nós somos poetas, cada um de nós tem a sua própria poesia”, por isso não escondeu a sua irritação sobre alguma definição de poesia, “que apaga poetas de várias gerações das antologias”, quando “a poesia é Universal. Pertence à humanidade. É nosso testemunho, é a herança que fica” defendeu o poeta representado em antologias e livros coletivos de poesia a nível nacional e internacional, que recebeu vários prémios, como os Poemas de Caravaggio, Os Selos da Lituânia, Açougue ou Um Pouco Acima da Miséria.

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No sábado, teve lugar o “À Palavra”, com Armando Carvalho Ferreira, uma sessão em que este estudioso do património na área da Molinologia nas últimas duas décadas, apresentou o seu livro “O Último Moleiro do Rio”.

Uma conversa em que o autor falou dos seus livros técnicos sobre esta indústria e do trabalho de investigação no terreno a nível nacional, que acabaram por dar origem a este seu livro de ficção, como uma homenagem a algumas famílias de moleiros de quem mostrou imagens e partilhou algumas das histórias deste património material e das pessoas.

O livro que se desenrola essencialmente em Albergaria-a-Velha, mas também em Lisboa e guerra de África, situa-se nos finais da década de 60, “quando se estava a dar o abandono destas atividades”, como confirmou o autor que nasceu em 1965, em Albergaria-a-Velha, e que partilhou ainda elementos da sua recolha e inventariação sobre este património no concelho de Ovar, deixando a ideia de ser necessário, “sensibilizar para este património em Ovar com vários tipos de moinhos”.

Armando Carvalho Ferreira é membro da TIMS – Sociedade Internacional de Molinologia e membro e colaborador da Rede Portuguesa de Moinhos, em que assume a coordenação geral, a nível do distrito de Aveiro, do evento “Moinhos Abertos de Portugal”. Destacam-se dos seus estudos obras desta área, como “Moinhos do Concelho de Albergaria-a-Velha” (2003), e “Moinhos do Distrito de Aveiro” (2008), entre outros trabalhos publicados, como vários estudos e artigos em edições especializadas, como a revista norte-americana “Windmiller’s Gazette”.

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Esse fim de semana no âmbito do Dia Internacional dos Museus, incluiu também a exibição do documentário “Afinando Pessoas, Pássaros e Flores” de Luís Margalhau, em que explora situações sonoras não clássicas, através de criações multidisciplinares.

Um trabalho do docente da Universidade de Aveiro Paulo Maria Rodrigues, que foi distinguido com o Prémio do Público, Categoria “Odisseias Musicais – Palco Nacional”, no MUVI 2016-Festival Internacional de Música no Cinema. Apresentação em Ovar que esteve a cargo de António Costa Valente do Cineclube de Avanca que com moderação de Carlos Nuno Oliveira promoveu mais um momento de debate.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e tal Jornal” em Ovar – Aveiro

01jun17

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