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17.ª Mostra de Folclore Cimo de Vila no 40.º aniversário do Grupo Folclórico da Região de Ovar

A comemoração dos 40 anos da fundação do Grupo Folclórico da Região de Ovar, teve este ano reunida a “família”, ao realizar-se no seu dia de aniversário (27 de maio) a 17.ª Mostra de Folclore Cimo de Vila, organizada por este grupo que, em 1977, veio enriquecer o património cultural da região e particularmente do concelho de Ovar, ao desenvolver um valioso trabalho de pesquisa, recolha e preservação no âmbito da etnografia e do folclore da região vareira.

Acabaram, assim, por se associarem à festa da coletividade aniversariante, os grupos e ranchos folclóricos que integraram o programa de mais esta tradicional Mostra de Folclore, mas também as várias entidades convidadas, como a Federação do Folclore Português cujo representante realçou, “somos nós os garantes da nossa identidade. Somos nós que mais preservamos as tradições”, referindo-se ao trabalho de pesquisa e recolha sobre usos e costumes, que, como conclui, “temos obrigação de preservar”, deixando ao Grupo Folclórico da Região de Ovar presidido por Manuel Ribeiro que ia fazendo apresentação deste evento, palavras de reconhecimento à 17.ª Mostra e ao 40.º aniversário no momento de entrega de lembranças aos grupos e ranchos participantes.

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Idênticas palavras de reconhecimento foram deixadas pela autarca Salomé Costa, da União de Freguesias de Ovar, S. João, Arada e S. Vicente de Pereira, a quem se seguiu o presidente do Município de Ovar, Salvador Malheiro, que, muito pressionado pelo tempo disponível para num outro palco com holofotes bem mais irresistíveis – à mesma hora acontecia o espetáculo de Salvador Sobral que dias antes tinha sido transferido do Centro de Artes de Ovar para a Arena Dolce Vita, também em Ovar, dada a grande adesão na compra de bilhetes que se verificou logo após se consagrar o grande vencedor do Festival Eurovisão da Canção -, o autarca recordou então o compromisso que tinha assumido de ali estar presente no ano do 40.º aniversário, porque, como sublinhou, “só podemos projetar futuro se tivermos conhecimento do passado”, por isso finalizou afirmando, “estamos aqui ao lado de quem tem feito muito pelas tradições e pelo folclore”.

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No palco do salão da Associação Cultural e Recreativa de Sande Salgueiral e Cimo de Vila, com uma plateia muito familiar, dos lugares que dão vida ao Grupo Folclórico da Região de Ovar, a 17.ª Mostra de Folclore Cimo de Vila 2017 teve então início com o Grupo de Danças e Cantares Regionais do Orfeão da Feira, que entre as várias danças exibidas por estes vizinhos de Santa Maria da Feira, iniciaram e despediram-se com um dos patrimónios desta expressão artística, como são as rusgas ao “Senhor da Pedra” a Miramar.

Para representarem diferentes regiões e suas danças e cantares, bem como o sempre marcante património etnográfico, atuaram igualmente com rigor, entusiasmo e muita paixão ao folclore, o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira, de Coimbra. De Viseu veio o Rancho Folclórico “As Costureirinhas de Cavernães” e da região do Minho, veio o Rancho Folclórico de Silvares, de Guimarães, coube antecipar a entrada em palco do grupo da casa para neste encontro muito especial, mostrar as razões da sua existência no panorama folclórico e sobretudo o seu empenho de geração em geração, na preservação das tradições e na defesa da identidade coletiva que representa na região, através das suas sempre vibrantes danças e cantares, como “Realista” ou “Regadinho” num conjunto de modas com que se afirma de norte a sul do país ao longo da sua existência, com a sua rusga ao “Senhor da Pedra”, “Vira Corrido”, “Roda Leva”, “Vira das Palmas” ou “Vira de Quatro”.

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Para esta caminhada de 40 anos tudo começou por passos muito embrionários, mas que se vieram a revelar determinantes para novos e decisivos momentos que transportariam o então Rancho Folclórico de Cimo de Vila, que nasceu com a participação das gentes dos lugares de Sande, Salgueiral e Cimo de Vila (da então freguesia de S. João de Ovar), para, por volta de 1981 se vir a designar Grupo Folclórico da Região de Ovar. Uma evolução no panorama do folclore português que levou na altura este Grupo a ser o primeiro grupo português a ser inscrito na organização internacional I.O.V. que tinha sede na Áustria.

Uma porta que se abriu decididamente para o Região de Ovar percorrer a Europa, como exemplo, a Áustria, Polónia, Republica Checa ou França. Percursos que vão sendo reafirmados de geração em geração de novos elementos dançarinos, no instrumental ou membros que envergam a vasta recolha etnográfica ao nível de trajes de diferentes épocas, que, como aconteceu nesta 17.ª Mostra de Folclore Cimo de Vila, voltaram a exibir e a partilhar com o público, grupos e ranchos com quem fazem as habituais permutas que permitem outras tantas saídas pelo país desta grande comunidade que se dedica de alma e coração à divulgação, valorização e preservação do rico património representado pelo folclore.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar -. Aveiro

01jun17

 

 

 

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