Aprovado por unanimidade na Assembleia da Republica o 6 de maio como Dia Nacional do Azulejo, para afirmação e reconhecimento desta tradição azulejar e património nacional, com vista à projeção da sua importância e consequente proteção e preservação. Ovar, que há muito é designada “Cidade Museu do Azulejo”, viveu um vasto programa entre os dias 03 e 27 deste “Maio do Azulejo”, uma iniciativa do Município de Ovar que contou com exposições, visitas guiadas, iniciativas lúdico-infantis, workshops, vários momentos musicais e por fim o evento “O Azzelij 2017”, realizado entre 25 e 27, com a conferência “O Património Azulejar de Fachada: Importância e Salvaguarda”, que reuniu investigadores nacionais e estrangeiros.
O Maio do Azulejo teve como objetivo, segundo o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, “promover tão valioso património vareiro, coincidindo com a comemoração, pela primeira vez, do Dia Nacional do Azulejo”, adiantando que, “pretende ser a primeira de muitas das iniciativas que queremos desenvolver sobre a temática, nas suas várias vertentes: património, turística, artística e lúdica”, mas também, “visa ainda a criação de espaços de discussão e trabalho sobre estas áreas de ação, para além de promover o azulejo como potenciador artístico, criativo e inovador”.
Com um intenso programa alusivo à temática do Azulejo, as várias atividades desenvolvidas neste evento Maio do Azulejo, envolveu as escolas de Ovar na “Ação Escola SOS Azulejo 2017” para sensibilização do património azulejar português no âmbito do projeto SOS Azulejo que se realiza a nível nacional, nos vários níveis de ensino.
Para abordar a azulejaria portuguesa do século XIX e do início do século XX, bem como estátuas e os ornatos em faiança e terracota usados para decorar fachadas e jardins, realizou-se o curso “Azulejaria Romântica” por Francisco Queiroz, especialista da Universidade do Porto, e um Workshop sobre “Azulejos de Fachada” pela Universidade de Aveiro e APRUPP (Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património). Ambas as iniciativas de formação funcionaram mediantes inscrições pagas pelos participantes.

As visitas guiadas, tendo como roteiro as principais fachadas azulejares e o designado “Percurso da Rua do Azulejo” em que os participantes puderam ainda fazer experiências de pintura no final, foram oportunidades para quem visita a cidade conhecer algumas referências da cerâmica e arquitetura modernista em Ovar, como os painéis interiores e exteriores do Palácio da Justiça de Ovar. Mas foram também ensaios para as pretensões dos atuais autarcas, em imporem a sua mais vistosa obra nesta área, afirmando “A Rua do Azulejo” como um percurso turístico e uma renovada imagem de marca para Ovar.
O Museu de Ovar acolheu na Sala dos Fundadores, no âmbito do Maio do Azulejo, a exposição “A cerâmica e a Arquitetura Modernista em Ovar”, que integrou o roteiro das visitas guiadas por técnicos como Gil Godinho do Ateliê de Conservação e Restauro do Azulejo (ACRA) da Câmara Municipal de Ovar. Na mostra com base no espólio do Museu de Ovar destacaram-se obras de Jorge Barradas e Querubim Lapa. Exposição que foi inaugurada pelo vereador da cultura Alexandre Rosas e Manuel Cleto, diretor do Museu de Ovar que assim deu um importante contributo para dar a conhecer tesouros cerâmicos do período moderno (1950-70), período em que o azulejo voltou a conhecer um novo impulso como elemento decorativo.
Entre momentos musicais em espaços como a Igreja de Válega, em que se realizou o Concerto Big Band Estarrejazz & Maria João ou o que aconteceu na Escola de Artes e Ofícios, com o Concerto de Vítor Ramil, realizou-se também na Escola de Artes e Ofícios, com um programa próprio, o evento Azzelij 17, como que a culminar este Maio do Azulejo em Ovar.
A abertura passou pela realização da conferência “O Património Azulejar De Fachada: importância e salvaguarda”, com abordagem à evolução histórica da azulejaria portuguesa, do séc. XIX ao séc. XX que contou com a presença de investigadores nacionais e estrangeiros, entre os quais, Francisco Queiroz – Investigador do CEPESE, José Luís Mingote – Antropólogo do Museu Nacional de Antropologia de Madrid, Rosário Salema-Investigadora da “Az- Rede de investigação em Azulejo”, Leonor Sá -Responsável “Projeto SOS-Azulejo”, Ana Velosa –Universidade de Aveiro (Engª Civil), Eduarda Vieira – Escola das Artes – CITAR – Universidade Católica Portuguesa e Joaquim José Lopes Teixeira – Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Investigadores que, “partilharam a importância do património azulejar português, com enfoque em Ovar”.
Salvador Malheiro: “Uma aposta que queremos reforçar”
Sobre o Maio do Azulejo e o Azzelij, o autarca do Município de Ovar, Salvador Malheiro, disse que, “foram mais uma aposta, que continuaremos a reforçar como forma de promover o nosso território e as nossas gentes”, porque, como afirmou, “nos dias de hoje, confunde-se o que é o acesso à informação com o verdadeiro conhecimento e, neste contexto, hoje temos aqui as pessoas que de facto conhecem, estudaram e têm feito investigação ao mais alto nível sobre esta matéria, provando que o azulejo deve ser igualmente visto sob o ponto de vista científico e possibilitando a melhoria da nossa performance no que diz respeito à conservação e à reabilitação deste património que temos muito orgulho em pertencer ao nosso legado”.
Informou ainda, referindo-se à implementação de medidas de apoio à requalificação das fachadas azulejares, que, “ainda recentemente aprovámos um regulamento que diz respeito a apoio financeiro a quem queira requalificar as suas fachadas com especial enfoque no azulejo”.

Esta aposta no Maio do Azulejo numa cidade em que este património arquitetónico pode ser observado e valorizado durante todo o ano no Museu Vivo que representam as antigas ruas da urbe com casas decoradas com tais obras de arte a decorarem o espaço público. É naturalmente o resultado da herança deixada por várias famílias que de geração em geração vêm preservando, com maior ou menor sensibilização para salvaguardar a diversidade de padronagem destes quadradinhos cerâmicos.
Um património que viu lamentavelmente desaparecer alguns exemplares da sua variedade ao longo das últimas décadas, mas também fez despertar outras tantas gerações para a sua defesa, valorização e preservação, destacando-se um marcante projeto escolar, como o exemplo do PAO (Património Arquitetónico de Ovar) dinamizado então na Escola EB António Dias Simões, com coordenação e orientação de Manuel Cleto. Movimento de sensibilização para este património azulejar da cidade de Ovar, que viria a atrair em termos profissionais, Isabel Ferreira, que viria a estar na origem do atual ACRA/CMO após um longo processo de inventariação, catalogação e intervenções de restauro em várias fachadas, assim como o estudo sobre “Manual de Argamassas” em parceria com a Universidade de Aveiro.
Reconhecido trabalho da equipa liderada por Isabel Ferreira, no Atelier de Conservação e Restauro do Azulejo, que viria a distinguir a Câmara Municipal de Ovar nos Prémios SOS Azulejo 2012 com coordenação do Museu da Polícia Judiciária, nomeadamente no “Prémio Investigação Integrada”, projeto do ACRA/CMO em parceria com Universidade de Aveiro, que foi considerado, como, “contributo para a valorização do património azulejar português”.
Texto e fotos (*): José Lopes
Pesquisa: site da Camara Municipal de Ovar e OvardoAzulejo/facebook
(*) Com OvardoAzulejo/facebook
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