Numa altura do ano em que o risco de incêndio ainda é grande e mantém na memória coletiva a tragédia de Pedrogão Grande e Góis na estrada EN-236-1 com dezenas de mortes, continuamos a ver armadilhas idênticas mesmo dentro das grandes cidades, sem que ninguém faça o trabalho para o qual é pago. Com o aproximar das eleições, os autarcas, pelos vistos, estão mais preocupados com os arranjos cosméticos das estradas, que só acontecem a cada quatro anos, do que com o cumprimento da lei deixando que as estradas municipais fiquem cobertas, em muitos casos parecem túneis, de árvores e até mesmo sem qualquer berma.
Este exemplo é na cidade da Maia mais concretamente na Estrada Municipal (EM) 555-3 junto ao Restaurante Rodrigo, lá podemos verificar, que as árvores na sua maioria, eucaliptos com mais de trinta metros de altura nascem mesmo encostadas à estrada crescendo livremente, sendo apenas aparadas pelo tráfego de camiões que ali passam, tocando a copa destas com as árvores do outro lado da estrada. Pode ainda verificar-se que existem postes de madeira que suportam fios de comunicações e eletricidade que em caso de incendio irão, obviamente, ficar destruídos.
Se este panorama existe dentro de uma grande cidade, onde constatamos que as árvores estão a menos de 10 metros da berma da estrada e as mesmas estão coladas umas às outras, não respeitando os 4 metros de espaçamento que por lei têm de ter, não poderemos ficar admirados que um dia aqui aconteça uma tragédia. Aqui não existe qualquer possibilidade de um combate eficaz a um incendio, é impossível os bombeiros colocarem os seus meios neste túnel de árvores ou sequer entrarem na floresta porque as árvores e matagal não o permite. Fica o alerta.
Texto e fotos: Sérgio Silva e Sousa (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” na Maia
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