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Rua da Pasteleira

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…

Cunha e Freitas (*)

“A Pasteleira, há poucos anos urbanizada, chamava-se século e meio atrás, o Pasteleiro – da casa do Pasteleiro, ali existente então, no meio do denso pinhal. Quem era este pasteleiro, e por que passou ao sexo feminino, não sabemos.
Ali se situou, quando do cerco, um dos redutos das tropas constitucionais, que teve importância na acção de 25 de Julho de 1933. Ocupava-o o bravo coronel José Joaquim Pacheco, com o 10 da Infantaria, o 1.º Batalhão Nacional Móvel e parte do 1.º Batalhão Nacional do Minho, quando foi atacado pelas forças miguelistas, com três esquadrões de cavalaria e dez peças de artilharia no pinhal.
A luta travada nas proximidades da referida Casa do Pasteleiro, foi de resultados incertos, como refere a Crónica Constitucional de Lisboa, de 13 de Agosto desse ano de 1833.

rua da pasteleira

Camilo imortalizou o Pinhal do Pasteleiro nas Cenas da Foz: “O Sol deitara-se no seu leito de púrpura, quando eu entrei no Pinhal do Pasteleiro (…) O pinhal do Pasteleiro rumorejava brandamente, assoprado pelo ar da noite. O mar era uma imensa bacia de águas mortas. A luta mosqueava-lhe o dorso em escamas lúcidas. O arcanjo da poesia, com o seu cortejo de quimeras voláteis, brincava na alameda das fontes murmurosas, gemia com o piar tristonho das aves queridas da noite e sentava-se na peanha dos cruzeiros, que a projecção da luz assombrava o chão…”

Hoje, Camilo não poderia escrever estes períodos de oiro; hoje só só se veria não sabemos quantos arranha-céus, com não sabemos quantas dezenas de andares – pisos, como agora totalmente se diz, à espanhola. Em 1835, anunciava-se para arrendamento a Quinta do Cruzeiro, “junto ao Forte do Pasteleiro”.

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, de 03-08-1973

Foto: Pesquisa Google

Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DE PEDRO ESCOBAR”

01out17

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