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Museu de Ovar: Escultor vareiro Luís de Matos mostrou “Retratos”

Foi mais um momento mágico proporcionado pelo Museu de Ovar, a inauguração (no dia 9 setembro) da exposição “Retratos”, da autoria de Luís de Matos, escultor natural de Arada/Ovar que regressou a esta casa de cultura meio século depois da sua primeira exposição no Museu de Ovar (1964) e da sua partida para Itália como opção para não ir à guerra.

Vivenciando ali o ambiente da liberdade nos anos sessenta, Luís de Matos, como afirmaria, “foi em Roma que descobri a democracia”. Lá, tornou-se bolseiro da fundação Calouste Gulbenkian (1966/7) e viria também a frequentar o curso de pintura na Academia de Belas Artes, estagiando depois na RAI – Rádio Televisão Italiana, na área da cenografia (1968).

Luís de Matos (direita) com Manuel Silva
Luís de Matos (direita) com Manuel Silva

Com a Sala dos Fundadores do Museu de Ovar a, acolher uma tal mostra de esculturas, pintura e desenho de um dos artistas que ficou ligado a esta instituição, não só pelas suas obras, mas como lembrou o diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, pelo seu empenho no enriquecimento do espólio artístico “desta casa, com obras de outros artistas, como do italiano Pericle Fazzini”. Um período marcante na fundação deste Museu e do seu reconhecimento junto de vários artistas de renome, que, “muito se ficou a dever ao seu grande impulsionador, José Augusto de Almeida a quem é devida uma justa homenagem” concluiu Manuel Cleto.

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Como também afirmaria o artista Luís de Matos, ao fazer um apelo para se olhar mais para “esta casa”, perante os muitos amigos e admiradores presentes neste evento recheado de memórias, que teve momento musical pelo “Grupo de Baladas Nostalgia”. A sua relação como artista plástico com o Museu de Ovar, “ficou a dever-se ao José Augusto que pediu ao meu irmão, que trabalhava no F. Ramada para eu aqui expor”, lembrando-se de um grande retrato que pintou na época sobre um pescador do Furadouro para a exposição no mesmo espaço em que voltou agora com “Retratos”.

Grupo de baladas "Nostalgia"
Grupo de baladas “Nostalgia”

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Num sentido reconhecimento da figura que foi José Augusto de Almeida ao serviço da cultura, Luís de Matos, partilhou ainda memórias de governantes que à época do estado novo se inteiravam da dinâmica do Museu de Ovar e se referiam ao fundador do Museu, como, “se Portugal tivesse muitos homens como o José Augusto…”. Recordações de ambientes de contato privilegiado com governantes, como profissional que entrou em 1973 nos quadros técnicos da RTP e trabalhou também em cinema, teatro, ópera e bailado, bem como consultor de imagem e formador dos quadros de jornalistas e apresentadores dos canais de televisão RTP, SIC, TVI, TDM/Macau, entre outros, incluindo, professor na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa.

Nesta exposição em que predominam imagens das pessoas, como linha marcante de toda a sua vida profissional, Luís de Matos, mostra ainda em Ovar, um projeto com que o artista vareiro, “numa pequena mas significativa homenagem a todos os profissionais da SIC”, quis assinalar os 25 anos do canal, mas admitiu não ter sido viabilizado por contemplar alguns dos jornalistas que acabaram de certa forma “prostrados”.

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Na ocasião e com a sua reconhecida frontalidade, perante os autarcas presentes, Luís de Matos, lamentou o estado de abandono e degradação a que foi deixada na sua terra, uma das obras de que é autor, referindo-se à escultura no “Vela Areinho” com meio século, uma “Alegoria à Ria” que lembrou, pretendia ser “um ponto de referência da Ria”. Uma outra obra a que fez referência é a escultura de São Cristovão de Ovar, com 140 cm, destinada à frontaria da Igreja Matriz de Ovar, que, como informou, “vai segunda-feira para a fundição”.

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Por fim, José Fragateiro, na qualidade de presidente da Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, ainda que tenha começado por dizer que, “é fácil e difícil falar do Luís de Matos”, recordou, “as lutas pelas liberdades que comunga-mos” e saudou este “retorno à sua casa”. Por parte do vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, “a dinâmica diferente e característica” do Museu de Ovar mereceram palavras de reconhecimento, ainda que frisando, que a Câmara “não tem que fazer tudo, mas tem que criar condições para outros poderem fazer”. Concluiu o autarca sobre a obra e o artista Luís de Matos, que, “é um dia muito feliz para Ovar, ter aqui entre nós um vareiro de gema, que tão bem trata a arte e escultura”. Sobre a escultura no “Vela Areinho” deixou o convite à colaboração do autor para uma futura fase de recuperação e valorização das “ilhas” na sequência do anunciado desassoreamento da Ria, assumido pelo governo para breve, como já tinha sido sublinhado por José Fragateiro.

Luís de Matos e a artista Aurora Gaia
Luís de Matos e a artista Aurora Gaia

Luís de Matos, nascido em Arada – Ovar em 1940, iniciou estudos artísticos na Escola Superior de Belas Artes do Porto, curso de escultura (1960) e dois anos depois realizou os seus primeiros trabalhos de escultura em bronze para as cidades do Porto, Vila do Conde e Braga. Viria no entanto a ser em Itália que alcançaria um lugar de relevo entre os seus mestres, como Pericle Fazzini.

Foi ainda em Itália que viria a ser premiado com a medalha de Bronze da Câmara de Roma e com os seguintes prémios:

3.º prémio de escultura da XV mostra de Arte de via Margutta, Roma/1964

2.º prémio de escultura na VI Mostra de Arte do Estudante Universitário, Roma/1965

3.º prémio de desenho da Bienal das Regiões de Itália, Ancona/1967

Prémio “Unesco” de escultura, Roma/1968.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente EeTj em Ovar – Aveiro

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