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O ”EL CORTE INGLÉS” E O (“EL”) MATAGAL JUNTO À ROTUNDA DA BOAVISTA EM TERRENO DA ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA ABANDONADO HÁ ANOS…

Para muitos é uma situação inqualificável, para outros uma vergonha e para alguns o “retrato vivo” de um erro político de Rui Rio à frente da Câmara Municipal do Porto, quando “vetou” a construção, nos terrenos da antiga Estação Ferroviária da Boavista, de um edifício destinado ao “El Corte Inglés”, empresa que viria a transferir os seus serviços para Vila Nova de Gaia, onde ainda hoje se encontra.

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A verdade, é que o espaço, compreendido entre a Rua 5 de Outubro, a Avenida de França e Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista), a dois passos da Casa da Música e da respetiva estação de Metro, encontra-se, teimosa e estranhamente, ao abandono e transformado num verdadeiro matagal; matagal esse escondido, em parte, pelos muros que ostentam desenhos alusivos à cidade do Porto; pelo edifício da antiga estação (a cair aos pedaços) e pelos prédios contíguos.

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Mas, a outra parte, a não escondida, e onde registamos as fotos que nesta página se publicam, estão ali para “inglés” ver, ou seja, precisamente no Interface da estação do Metro da Casa da Música e, assim sendo, a “menos de um passo” da Central Internacional de Camionagem do Porto.

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Para testemunhar presencialmente o que se escreve, basta ir ao Interface da Casa da Música e dirigir-se para o “centro comercial Sirius” que liga esse espaço à Rua 5 de Outubro, e, antes de descer a escadaria, dar de caras com o cenário que atrás descrevemos e que as imagens documentam.

De salientar ainda, que esse (abandonado) terreno serve de local de “residência” para algumas famílias de etnia cigana, que por lá acampam há vários meses, depois de – como nos referiu uma testemunha – terem “arrombado” um portão existente na Rua 5 de Outubro, o qual dá acesso ao terreno e por ali terem ficado, não se sabendo se com a autorização dos responsáveis pela referida área.

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 José Gonçalves     Pedro N. Silva

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E pergunta-se: por que razão ainda nada foi feito no local? Que projetos foram, entretanto, apresentados para acabar com “aquela vergonha”?! Como qualificou ao nosso jornal um morador da zona.

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A Infrestruturas de Portugal prevê a construção de uma estação de Metro no subsolo do terreno” – revela Rui Moreira

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Rui Moreira, o reeleito presidente da Câmara Municipal do Porto, sobre as questões colocadas – entre outros, por quem reside ou trabalha perto do referido terreno -, respondeu ao Etc e Tal Jornal (EeTj) dizendo que “o Corte Inglés tem com a Infraestruturas de Portugal um contrato de longa duração, e continua interessado no terreno, ainda que dentro de um outro cronograma. Isto já depois de ter sido vetada, pela Câmara Municipal da altura, a construção de um edifício no local”.

Ainda de acordo com o edil, e segundo informação dada ao próprio pela “Infraestruturas de Portugal”, o espaço da antiga estação ferroviária da Boavista, “será destinado a uma outra estação”, desta feita “no seu subsolo e de acordo com o projeto relativo à Linha Rosa do Metro do Porto”.

E mais não disse o autarca, que não está diretamente envolvido neste projeto, mas que, e pelas responsabilidades que tem na cidade, encontra-se, obviamente, a acompanhar o evoluir de todo o processo.

Recorde-se que a Linha Rosa do Metro do Porto fará a ligação entre a Casa da Música e S. Bento, será totalmente subterrânea e o percurso contemplará estações na Praça da Galiza e no Hospital de Santo António, tudo para ser construído entre 2019 e 2020, estando já lançado o concurso para a empreitada.

Mas, mesmo tendo em conta o facto que no subsolo algo de novo, no futuro, se passará, nada se sabe, em concreto sobre o que à superfície se fará. Por quanto tempo o atual matagal por ali criará mais raízes e, assim sendo, se manterá o incompreensível abandono de um espaço com as dimensões de um campo de futebol, situado numa zona de referência da cidade do Porto?

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O veto de Rio

Foto: pesquisa Google
Foto: pesquisa Google

A história recente da área abandonada, começou, como se sabe, no primeiro de três mandatos (2001-05; 2005-09 e 2009-13) de Rui Rio como presidente da Câmara Municipal do Porto, quando o “El Corte Inglés” viu, por ele, ser vetada a construção de um edifício nesses terrenos, praticamente, contíguos à emblemática Casa da Música, à estação de metro e à central internacional de camionagem.

Rio, na altura, defensor acérrimo do “novo” Plano Diretor Municipal, reprovou o projeto, facto que levou a empresa espanhola, a instalar-se em Gaia, desperdiçando o Porto a oportunidade de um investimento de 250 milhões de euros e a criação de 1.500 postos de trabalho diretos.

O, então, presidente da Câmara Municipal do Porto disse que “se tivesse autorizado a entrada do El Corte Inglés na Rotunda da Boavista, a Baixa da cidade atual seria “zero”, sem condições para os investimentos que vieram a acontecer depois”.

“Tendo eu naquela altura criado um polo de atração tão forte como esse na Rotunda da Boavista, hoje a baixa era zero e sendo a baixa zero as parcerias com o Mercado Ferreira Borges, ou o Palácio do Freixo, não tinham condições de mercado e garantias para ir para a frente”, sublinhou Rui Rio, explicando a sua decisão.

Outros tempos….

Foto: pesquisa Google
Foto: pesquisa Google

Contrato por… 99 anos

O “EeTj” tentou contactar a administração do “El Corte Inglés” mas sem sucesso. Mas, há três anos e ao semanário “Expresso”, a referida empresa garantia que “nada se alterou em relação ao projeto da Boavista”, vigorando o “mesmo contrato com a (então) Refer”.

De salientar que, em 2000, antes de inaugurar o primeiro centro comercial em Portugal, mais concretamente em Lisboa, já o “El Corte Inglés” tinha negociado com a Refer o direito de superfície do terreno da antiga estação de caminho-de-ferro da Boavista por 99 anos, com um sinal de 4,2 milhões de euros, mas terá feito entregas adicionais até aos 10 milhões.

Mesmo com o chumbo do executivo camarário liderado pelo social-democrata Rui Rio, o “El Corte Inglés”, que poderia pedir à Refer o dinheiro já recebido, preferiu adiar (até hoje) a decisão e manter o investimento sob escrutínio. Entretanto, a empresa espanhola, mesmo já depois de ter negociado, em 2006, com Gaia a compra dos terrenos onde se encontra instalado o seu edifício, adquiriu todos os estabelecimentos comerciais da frente edificada contíguos à estação ferroviária da Boavista que foram encerrando, restando somente aberto um balcão do banco “Santander”.

Estação da Boavista: a primeira gare ferroviária do Porto

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E a pergunta mantém-se: que destino o “El Corte Inglés” quer dar ao terreno junto à Rotunda da Boavista?

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Sim, ali mesmo à beirinha da Rotunda, da Casa da Música e de toda uma área habitacional e comercial de excelência, sendo de realçar o facto de estar a ser ocupado um espaço histórico da cidade, devido a tudo o que representou para a cidade e para o caminho-de-ferro, a estação da Boavista.

Estação essa que entrou em funcionamento aquando da abertura da ligação ferroviária entre o Porto (Boavista) e a Póvoa de varzim (“linha estreita”), a 01 de outubro de 1875, pela então Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, tendo sido a primeira gare ferroviária da cidade do Porto.

Com o passar dos anos, ainda que sendo uma das principais estações do Porto, a Boavista perdeu “importância” pelo facto de, na época, se encontrar “demasiado longe” do centro da cidade. Esse facto, levou a que fosse planeada uma nova interface, desta feita, no “coração” da cidade, ou seja, na Trindade, o qual entrou em funcionamento a 30 de outubro de 1938.

Mesmo assim, a estação da Boavista não foi completamente desativada, sendo usada, a partir de meados dos anos 40 do século passado, como terminal para comboios de mercadorias, passando os passageiros a utilizar o apeadeiro (perto do local) da Avenida de França. Até ao final do século passado, serviu de terminal ferroviário, para depois passar, até aos dias de hoje, a matagal, ou reserva ecológica para ratos, ratazanas e outros animais.

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A cidade-sucesso, que Rui Moreira tanto destacou na sua tomada de posse, tem neste caso um retrato pouco condizente com o que, na realidade, acontece no resto da cidade, se bem que, no Porto, outros espaços como este se encontrem abandonados, não se sabendo, ao certo, que futuro lhes querem dar. Há exemplos como o que se encontra na Avenida de Fernão de Magalhães, paredes-meias com o Hotel Vila Galé…

Fontes: Wikipédia, “Expresso” e Google

01nov17

 

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