Tinha de ser, e foi! Um abraço a dar a quem não se via, presencialmente, há três anos. Lá longe, o sobrinho de quem vos escreve nem imaginava tal ousadia. Da viagem fez-se uma “escapadela” e concretizou-se um objetivo. Atravessou-se o Canal da Mancha. Sua majestade comemorava setenta anos de casada, e nem deu pela chegada a Londres do autor desta prosa.
Não fui, oficialmente, enviado especial deste jornal – ainda não há capital que alimente tais “veleidades” -, mas, retirando o aspeto mais íntimo desta “escapadela”, transformei-me em tal para um “Etc” que merece da minha parte esse provisório estatuto.
Ah, como não sou repórter fotográfico, as fotos não têm qualidade, pedindo, pelo facto, e desde já, as minhas desculpas. Quanto à escrita (já vos aviso) tendes um mês (o jornal é mensal) para ler a coisa. É bom não esquecer que estive em Londres, mas não vi Londres… só uma ínfima parte.
José Gonçalves
(texto e fotos)
Viagem, relativamente, rápida de quatro horas, ida e volta, pelo serviço (de excelência) da TAP. “Visita de médico”. Vinte e sete horas na capital de Inglaterra, do Reino “Unido”, e do Brexit.
25 de novembro de 2017. Seis horinhas e sete minutos da “matina” já na estação de Metro do Heroísmo para apanhar o veículo rumo ao aeroporto. Pensava eu que seria, àquela hora, o único passageiro na gare de embarque, mas não, estava lá mais gente.
Hora marcada da partida do voo para Gatwick: 09h55. Adiantei-me aos compromissos de check-in. Tudo resolvido num instante, com o apoio da GeoStar.
Mala de mão. Ficaram-me no aeroporto com o meu “Old Spice” (desodorizantes não passam na fronteira!!!). Só com isso meteram no bolso cinco euros.
Há semanas, trocados tinham já sido os meus eurinhos pelas Libras de Sua Majestade. Estava tudo (quase) apostos para a “escapadela”. Um café no “Costa”, e lá foi um euro e vinte cêntimos.
Chamada para embarque. Bom dia da tripulação da TAP (TP334). Uma hora e 55 minutos depois já estava em Gatwick, com uma sande (saborosa) e um café durante a viagem para enganar o estômago.
Como era a minha primeira vez em Londres, ia com algum receio de perder tempo com determinadas questões de orientação no aeroporto, isto porque me tinham dito que aquilo era um “mundo”; que era tudo muito complexo, e mais complexo seria chegar à estação de caminho-de-ferro. Nada disso. Sinalização perfeita. Cinco minutos de caminhada. Bilheteiras da Gatwick-Express. 10,40 libras, ida-e-volta, para East-Croydon (20 minutos de viagem).
Comboio muito confortável. Engraçado o facto de entre as almofadadas cadeiras existir uma mesa, talvez para jogar cartas, ou coisa do género. Apanhei um “pára-em-todas”, o que foi interessante, porque foi curioso ver a forma como os ingleses bem tratam as suas estações de comboio.
Informação permanente (visual e sonora) sobre as paragens, e uma senhora, já com uma certa idade, que me acompanhava na viagem – só com a tal mesa a separar-nos – a perguntar (penso que será comum esse tipo de questões num comboio que vem do aeroporto) “Where are you from?” (De onde é que é?)
– Porto, Portugal, respondi-lhe.
Reação imediata
– Ah…José Mourinho. Beautiful country…, but… I do not know (país bonito, mas não o conheço).
Simpática a senhora.
Ela queria mais conversa, mas como o meu inglês é um tanto ou quanto “limitado” (falta-me treino), fiz estar a atender uma chamada telefónica e a coisa resolveu-se. (Ufff! A senhora que me desculpe)
Umas seis estações depois, lá estava em East-Croydon.
“Ena pá!”, disse cá para com os meus botões. Sim, porque esta estação nada tinha a ver com as outras por onde o comboio parou, tanto em movimento, como em estrutura. É uma estação central, de uma cidade-subúrbio de Londres, onde residem (dormem) milhares e milhares de pessoas, entre as quais, muitos portugueses. É, por assim dizer, um Rio Tinto, ou uma Maia para o Porto, salvaguardando as devidas proporções.
É aqui que se dá o tão esperado reencontro. O sobrinho de quem vos escreve ia caindo para o lado, porque não contava com tal surpresa. Veio, então, o grande abraço, entre uma multidão a comprar bilhetes. Os óculos embaciaram-se… pois (?!?)… o sol era quentinho, mas o vento frio… gélido. Estavam seis graus.
Além dos muitos apitos dos homens da estação responsáveis pela partida dos comboios, também o meu estômago, de forma mais recatada, avisava-me de qualquer coisa que tinha de ser feita de imediato.


Nada melhor, então, que visitar um leque de restaurantes, com mesas ao ar-livre, junto à estação. Todos pegadinhos, e cada um deles com pratos muitos especiais de diversos países do mundo.
Escolhemos, um Libanês.
Comidinha à base de legumes (perfeito!), fui para um Falafel. A acompanhar, um pão, verdadeiramente, extraordinário. Bebida: sumo de laranja. Estava bom. Quanto? 06,50 libras. Fiquei satisfeito.
Sem fazer a digestão, voltamos ao comboio, com destino a Londres, mais concretamente á Estação de Victoria, no centro da cidade. “Estação” é como quem diz… uma paragem de comboios num centro comercial. Bonito!

Eis Londres. Eis a confusão. Eis o formigueiro.
Não é difícil darmo-nos com a multidão, é uma questão de segundos para nos habituarmos. Polícia nem vê-la, e no dia anterior tinha havido uma tentativa (falso alarme) de atentado numa estação de Metro: a de Oxford Circus. Fui visitá-la. Vamos já lá.
Para já, o meu primeiro desejo era andar nos típicos autocarros londrinos. E lá fomos – eu, o meu sobrinho e a mãe dele. Não sei que destino levava, sei é que fomos “lá em cima” (primeiro andar) e logo na fila da frente. Foi fantástico!
Os autocarros andam devagarinho, mesmo sem trânsito pela frente (o que é difícil, mas aconteceu algumas vezes). Estranho para um europeu continental, é o sentido que os carros levam, que como se sabe, é contrário aos nossos. À custa disso ia levando uma “trombada” de um carro. Tendo em conta esse facto, é por isso que eles colocam no chão aquilo que vão ver….
Do autocarro passámos então para o Metro (tudo numa correria… saudável).
Meu Deus! Tirem-me deste filme! Falei uma vez mais com os meus botões, mas agora mais alto e também com quem me acompanhava e numa linguagem bem portuguesa… em portoguês (entendem-me?).
Azulejos das estações antigos e mal lavados; Tubos de refrigeração à vista desarmada. Empurrões e mais empurrões, e depois a lata de conservas, reservada a “cem salsichas”, mas a levar umas “cinco mil”.
Não se podia respirar. Um calor insuportável. Apalparam-me o traseiro um sem-número de vezes, e não vi nenhuma miúda por perto. Aliás, nada via, a não ser o “ferro” onde ia pendurado.
Íamos para a estação de Oxford, a tal, onde, no dia anterior, tinha havido uma (falsa) tentativa de atentado terrorista.
Lá dentro, na estação, um grupo de jovens a cantar, e logo uma canção bem apelativa: “Lil Yee – War”. E há gente a dançar. E mais túneis para múltiplas direções. E dois carrinhos de bebé a passarem-me sobre os “calos”. E vê-se um polícia a correr (“Alto”, pensei eu… É agora, estamos fritos!). Nada! De imediato ficamos congelados quando saímos do Inferno. O Metro (Underground) de Londres é um in—fer—no!
“Regressemos” à Londres superficial, porque agora estamos no seu coração.
São mil ruas Augustas juntas e outras mil Santas Catarinas. As melhores casas do mundo em termos de marcas. Preços de criar tonturas. Mesmo assim: tudo cheio de gente a… comprar! No dia anterior tinha sido o Black-Friday, mas a coisa prolongou-se pelo Saturday (sábado). Fantástico!
– Quero ver o Big Ben repeti mil vezes.
Sabia que ele (o Big Ben) estava “adoentado”, mas queria ver se era mesmo verdade.
Que Big Ben, qual carapuça! Antes de lá chegarmos, já não sei por onde andamos, sei que estávamos em Londres e que havia edifícios bonitos, muitos enfeites de Natal, e uma manifestação popular em prol dos direitos da mulher. Aí é que vi polícias aos grupos. Uns a rirem-se com os outros. Está-se bem! No stress!
De tanto andar, chegámos, finalmente, a Westminster, e toda a zona envolvente, com o Big Ben tapado, mas ainda a ver-se o relógio. Lá ao fundo a Roda gigante. O Tamisa. A ponte (Westminster Bridge) E um frio daqueles. Era já de noite, mas ainda cedo (16h30). Uma linda e mais que conhecida a nível mundial zona de Londres.
Para dar mais umas voltas, venha daí o 108. O autocarro. E lá veio ele.
Engraçado é que estavam mais duas viaturas na paragem, e ele nem chegou ao sítio para abrir as portas, abriu-as no local onde parou. Ora, toca a correr para apanharmos o dito cujo e não ficarmos, de vez, congelados. Agora, imaginem o autor desta peça a correr. Quem o conhece deve, neste preciso momento, estar escangalhado a rir-se. Mas ele, o autor desta peça, conseguiu entrar no autocarro…
Começava a faltar um cafezinho, ou um capuchino… ou qualquer coisa quente que fizesse arrebitar. Tivemos sorte. O autocarro parou quase em frente a um dos poucos “cafés” com lugares para os clientes se sentarem. Um “café” confortável, com casas-de-banho e tudo, é que a maior parte dos “cafés”, além de serem poucos e a maior parte não ter cadeiras, também não têm toiletes. Este tinha, mas as portas dos locais para se poder fazer chichi, ou o resto, só se abriam após a introdução de um complexo código num aparelho estrategicamente localizado…
Um conselho: não se apanhem “aflitos” em Londres. Ou levam fraldas ou será um caso sério. Também não há WC público. Pelo menos, não vi um sequer.
No tal “café” bebi um capuchino, em copo de plástico e a transbordar de leite, e comi um croissant que, por sinal, estava muito saboroso. Também, há fome que tinha, qualquer coisa ia…
Bem. O regresso a Croydon estava para breve.
A estação de Victoria esperava-nos, mas para lá chegarmos tínhamos, como tivemos, de apanhar…o… Me…Tro! Minha Nossa Senhora. Felizmente era a última viagem. Esta foi pior que a primeira. E mais não conto.
Em Victoria aparece o comboio para Croydon.
Se não era o último do dia… parecia.
De um momento para o outro, uma autêntica multidão lembrou-se de apanhar, precisamente, aquela composição, ou seja, a composição onde ia eu, o Rui (meu sobrinho) e a Carla (mãe do meu sobrinho). Por minutos deixei de os ver.
Uma senhora ficou entalada na porta e começou a mandar-vir (para uma inglesa mandar-vir em público é porque a coisa está feia.. e estava). Além do calor e dos apertões, acrescentou-se o mau-cheiro. De morrer!
Atenção. Quando forem a Londres (isto no caso de se estrearem, como eu, na visita) tirem um passe (tipo Andante, cá pelo Porto), para um dia. Custa 12,50 libras e dá para andar em todos os transportes as vezes que entenderem.
Eis Croydon! Eis o regresso da paz.
É nessa altura que fico a saber que os centros comerciais na região de Londres fecham as portas às seis da tarde, isto salvo raras e honrosas exceções, e que há poucos restaurantes com mesas e cadeiras para nos sentarmos.
Antes de irmos ao “Nando’s”, uma churrasqueira portuguesa, cujo símbolo (como não podia deixar de ser), é um galo de Barcelos, há que encontrar a casa onde estava já alugado o quarto no qual iria pernoitar. Demorou a encontrar a coisa, mas lá conseguiu-se concretizar o objetivo. Uma casa tipicamente britânica, com um proprietário (Mr. Benn) muito simpático e um quarto agradável.


Estava quase completa esta rápida jornada por Londres. Fomos, então, ao “Nando’s”. Um franguinho assado na chapa, um suminho natural de laranja, um cafezinho e a Carla pagou pagoi a “coisa”. Porreiro. (Obrigado, Carla!)
Cá fora… zero graus. O Rui… de manga curta. Pois!
Despedidas à francesa.
Uma soneca a valer e às nove da matina já estava na rua para conhecer um pouco mais de Croydon… uma localidade simpática.
O avião para o Porto era só às 13 horas. Em Gatwick visitei os centros comerciais (é no plural… é!), comprei (e li) o “Sunday Times” (não gostei), um Kit Kat e uma revista de comboios para oferecer a um grande amigo.


E, pronto. Mais um confortável voo com a chancela TAP (TP 331). Simpatia e profissionalismo da tripulação, mesmo a 11 mil metros de altitude e a 850 quilómetros por hora. Paisagens lindíssimas e cheguei ao (meu) Porto (de abrigo).
Desculpem-me escrever isto: mas não há cidade como esta, e conheço muitas por essa Europa fora.
De Londres guardo gratas recordações, mesmo sem a conhecer na totalidade. Mesmo assim…gostei! Lá voltarei um dia, sem as responsabilidades de… enviado especial!
Bye Bye!
Obs: Muitas fotos não foram publicadas devido à sua má qualidade. É o que faz não ir acompanhado por um repórter fotográfico…
01dez17


























Gostei muito da sua discrição, muito viva e denotando um sentido de observação muito perspicaz, que transmitiu aos seus leitores. Para a próxima, vá com mais calma e tranquilidade e não deixe de visitar Speaker’s Corner no Hyde Park.
Um grande abraço amigo.
Adorei!
Senti o cheiro a Londres com a tua descrição detalhada.
Abraço