Num ano tão marcante e trágico, como resultado das consequências de violentos incêndios, que engoliram literalmente aldeias e vilas, deixando destruição e morte de pessoas e animais por entre um cenário desolador de terra queimada que enlutou o país e deu origem a tantas inquietações, desde a segurança das populações à questão da ordenação florestal. Assinalar o Dia Internacional da Floresta Autóctone (23 novembro) em meio escolar, foi não só uma atividade pedagógica de sensibilização ambiental, mas sobretudo, um contributo indispensável para junto das crianças e dos jovens, se formar a necessária consciência na defesa do património que representam espécies originárias do país.
No âmbito das atividades de um projeto dinamizado pelo subdepartamento de Ciências Naturais do Agrupamento de Escolas de Ovar, designado “Momento Verde”, cerca de 400 alunos do 2.º ciclo (5.º e 6.º anos) da Escola EB António Dias Simões, participaram em sessões de sensibilização e esclarecimento sobre “Floresta Autóctone”, que tiveram a colaboração e parceria da Câmara Municipal de Ovar e do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), que se realizaram nos dias 29 novembro e 4 de dezembro.
As atividades desenvolvidas sobre este tema, abordado no final do primeiro período letivo, depois de já ter sido assinalado também o Dia Mundial da Alimentação, incluíram, ao nível dos alunos dos 5.º anos, a plantação de bolotas de carvalho e monitorização do crescimento das plantas. Uma atividade de campo experimentada e vivenciada por uma comunidade escolar, que, tem o privilégio natural de estar rodeada pelo verde de alguns dos exemplares de espécies autóctones da região mediterrânica, como: Medronheiro; Azevinho; Loureiro; Oliveira; Carvalho; Plátano e Pinheiro “manso” que têm vindo a substituir o da espécie “bravo”, que dominava aquela área de pinhal. Uma espécie de espaço interpretativo ambiental, tal é a variedade de flora.
A diversidade de plantas que se foram consolidando no espaço escolar da António Dias Simões ao longo das últimas décadas, representam no momento atual, em que se debate que tipo de ordenamento florestal num pais invadido por manchas de eucaliptal com todas as suas fragilidades e potenciais consequências na violência dos fogos. Uma inestimável mais-valia pedagógica na educação ambiental, para a formação de cidadãos mais sensibilizados para a riqueza deste património, que nesta escola em concreto, podem sentir e respirar, observar e tratar, respeitar e amar.
“Momento Verde” em meio escolar, com tais atividades de sensibilização para um tema tão premente como “Floresta Autóctone”, é ainda uma mensagem de esperança, para futuras gerações mais despertas e interventivas civicamente na defesa de Florestas mais resilientes aos incêndios que fustigam regularmente os territórios do sul da Europa. Assim como na consciencialização do papel, que tais espécies autóctones ajudam a manter florestas com maior equilíbrio biológico das paisagens.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “EeTj” em Ovar – Aveiro
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