As características que há mais de um século identificam o tradicional Cantar os Reis em Ovar, continuam no essencial bem presentes na generalidade das Troupes de Reis, assumidas por várias gerações reiseiras que mantêm bem viva esta tradição, com destaque para as habituais três partes, como a “Saudação, a “Mensagem” e a “Despedida”, cujas letras e músicas são originais ou mesmo adaptações, mas sempre com o encanto da qualidade interpretativa e da melodia harmoniosa, que durante os dias de Reis, através de roteiros que se vão adaptando aos novos tempos e realidades socioculturais, levam as várias Troupes de Reis a calcorrear ruas e lugares, estabelecimentos comerciais e espaços públicos, acabando no também tradicional Encontro de Troupes de Reis de Adultos, que se realizou no dia 6 de janeiro e com as Troupes de Reis Infantis no dia 7, ambas as sessões realizadas no Centro de Artes de Ovar – CAO.


Na longa caminhada das diferentes Troupes de Reis, com composição de elementos masculinos e femininos (mistas) ou as que continuam a resistir à participação das mulheres e se mantêm numa linha mais tradicionalista desta tradição a exemplo da JOC-LOC, enquanto no Orfeão de Ovar e na Ovarense, as mulheres só integram o instrumental. Foi preciso muito espirito de sacrifício e determinação na preservação deste modo de Cantar os Reis, para enfrentar a muita chuva e frio que se fez sentir nos primeiros dias do ano, em que só mesmo a paixão reiseira partilhada entre gerações, permitiu ultrapassar todas as dificuldades das várias noites a atuar nos diferentes “palcos” de encontro reiseiro, em que as Troupes se vão cruzando para deixar suas mensagens.


Com roteiros mais adequados os pequenos reiseiros das Troupes de Reis Infantis das comunidades escolares, que já há alguns anos conquistaram um lugar muito próprio nesta tradição, todos os anos nesta época, jovens alunos são sensibilizados e envolvidos no tradicional Cantar os Reis em Ovar, garantindo futuro a esta antiga tradição que continua a aguardar a aprovação da candidatura do Cantar os Reis a Património Cultural Imaterial de Portugal. Uma candidatura a que a Câmara Municipal de Ovar submeteu este património cultural ovarense no final de 2016.
Com as origens da tradição das Troupes de Reis, que remonta aos finais do século XIX, sempre presente no essencial das características próprias e reconhecidamente originais em Ovar. A solo ou em coro, acompanhadas por violino, violoncelo, viola, violão, guitarra, bandolim, clarinete, saxofone, flauta ou até acordeão com influência de grupos folclóricos. As vozes de diferentes idades cantam, letras de Maria Luísa Resende, Rui Manarte, Manuel Ferreira, Honório Resende, Manuel Pires Bastos, Theresa Jorge, entre tantos outros nomes que se vão afirmando a escrever letras reiseiras.


As novidades, para além da evolução no instrumental, que á muito deixou de ser exclusivo dos instrumentos de cordas, dá-se cada vez mais também ao nível das coreografias que se vão apurando em cada ano. Mas é ainda do conteúdo das letras que se destacam mensagens que fazem perpetuar a tradição, porque como cantou a Troupe de Reis JOC-LOC, “É bela esta tradição / Que nos legaram / Nossos avós. / Agora essa missão / Está na mão / De todos nós”, porque, como em coro finalizou a Troupe de Reis Ovarense, “Crescer em vão / Não pode ser / O sonho existe / Para vencer / Se queres vingar / Se queres crescer / Se queres viver tens que sonhar / E no horizonte a vida traçar”, já que, como entoava o refrão da Troupe de Reis da Ribeira, “Neste mundo assim global / há multidões indigentes / Banca e Mercado potentes / Numa vertigem alheia… / Mas falta o essencial / Que liberta dessa teia: é nossa Decisão real / Mais justa e mais fraternal / Que Jesus quis p´lo Seu Natal!”, e acrescentava, “Vimos de uma geração – após anos de porfia – crente em direitos que são a herança que nos cabia. / Somos hoje outra corrente da mesma causa premente”.
Foram pois muitas as mensagens que as Troupes de Reis passaram em diferentes locais que proporcionam nestes dias de Reis a habitual oportunidade para se ouvir o típico Cantar os Reis de Ovar em diversificados ambientes, incluindo ainda alguns mais familiares. Roteiros reiseiros que terminam na maratona do Encontro das Troupes de Reis que vem sendo acolhida no CAO, momento em que é entregue pelos autarcas o trofeu de participação.
Encontro de Troupes de Adultos (6 de janeiro)
Troupe de Reis da Casa da Amizade
Troupe de Reis JOC-LOC
Troupe de Reis da Casa do Povo de Válega
Troupe de Reis da Ass. Cultural e Rec. de Sande, Salgueiral e Cimo de Vila
Troupe de Reis da Associação Desportiva Ovarense
Troupe de Reis do Grupo Folclórico “Os Fogueteiros de Arada”
Troupe de Reis do Grupo Folclórico “Os Moliceiros de Ovar”
Troupe de Reis Tradição e Juventude
Troupe de Reis da Ass. Cultural e Recreativa de Valdágua
Troupe de Reis da Música Nova
Troupe de Reis da Ass. Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar
Troupe de Reis do Orfeão de Ovar
Troupe de Reis da Associação Cultural e Recreativa da Ribeira
Troupe de Reis da Ass. dos Antigos Alunos da Escola Oliveira Lopes
Encontro de Troupes Infantis (7 de janeiro)
Troupe de Reis da Cercivar
Troupe de Reis Infantil da EB da Habitovar
Troupe de Reis Infantil da EB da Ponte Nova
Troupe de Reis Infantil da EB do Carregal
Troupe de Reis Infantil do Externato de São Miguel
Troupe de Reis Infantil da EB da Oliveirinha
Troupe de Reis Infantil da Fundação Padre Manuel Pereira Pinho e Irmã
Troupe de Reis Infantil da St.ª Casa da Misericórdia de Ovar
Troupe de Reis Infantil da EB dos Combatentes
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente EeTj em Ovar – Aveiro
01fev18
gostei muito do seu site. conteúdo muito interessante
parabéns 🙂
Vou acompanhar suas postagens gostei muito 🙂