Rodrigues de Freitas, de seu nome completo, José Joaquim Rodrigues de Freitas Júnior, foi um dos homens mais notáveis do Porto, na segunda metade do séc. XIX.
Nasceu na cidade invicta a 24 de Janeiro de 1840, tendo sido seu pai um funcionário da Alfândega que tinha sido voluntário, no Cerco do Porto (1832-1833). Este homem destinava a seu filho José Joaquim a vida religiosa, quando o matriculou no Seminário Diocesano. Contudo, o jovem acabou por ingressar, no ano lectivo de 1855-1856, no curso de Engenheiro de Pontes e Estradas, da Academia Politécnica do Porto, onde se destacou como um aluno brilhante, obtendo vários prémios e louvores, ao longo deste percurso académico.
Nesta instituição chegou ao topo da carreira, com apenas 27 anos, não na sua área de especialidade, mas sim na de Economia, tendo atingido a categoria de “lente” (professor catedrático) de Economia Política e Comércio.

Escreveu os primeiros textos, com 14 anos de idade, onde manifestava já preocupações educacionais, sociais e económicas.
A par da sua vida académica, como docente da Academia Politécnica do Porto, desenvolveu diversas actividades de que destacamos as de publicista/jornalista, político, economista e filósofo.
Redigiu e publicou numerosos artigos, abordando temas relacionados com aspectos históricos, pedagógicos, sociais, políticos e económicos, editou vários títulos, entre os quais, também alguns manuais de ensino. Colaborou regularmente em vários periódicos republicanos e em outros jornais, como “O Comércio do Porto”, o “Jornal do Comércio” e “O Século”, cujos textos de sua autoria, representam um manancial de informação importante para o conhecimento da época em que viveu. No jornal “O Comércio do Porto”, integrou a redacção, ocupando esse lugar até ao fim da vida.
Como pedagogo, mostrou-se sempre muito preocupado com a importância do ensino, como factor importante da evolução da sociedade portuguesa, pois defendia a modernização da Escola e uma especial atenção, em relação à educação das crianças e das mulheres.
Participou de modo activo na vida social da sua cidade e do País, exercendo funções na Associação Comercial do Porto, participando na comissão organizadora da Exposição Internacional de 1865, realizada no Palácio de Cristal. Foi vice-presidente da Sociedade de Geografia do Porto, fez também parte da Sociedade de Instrução do Porto, esteve na base da criação da União Patriótica na cidade do Porto e do Centro Eleitoral Portuense…

Politicamente a sua carreira foi relevante, desde que a iniciou, com trinta anos de idade, em 1870, durante um período reformista, quando se candidatou ao lugar de deputado pelo Círculo de Valença. Seguiram-se outras eleições e outros lugares ocupados, nomeadamente pelo Círculo n.º 13 (Porto, Bairro Oriental) e pelo Círculo n.º 39 (centro do Porto). Mas, o cargo pelo qual é mais recordado é o de ter sido o primeiro deputado republicano, no nosso país, eleito para o Parlamento português, em 1878, como candidato do Centro Eleitoral Republicano Democrático do Porto. Nestas funções, destacou-se como orador e parlamentar de grande talento, gozando de grande prestígio entre os seus pares.

Em 1891, aquando da revolta de 31 de Janeiro, que pretendia implantar a República, o seu nome constava da lista daqueles que viriam a compor o futuro Governo Provisório da República, se este movimento tivesse saído vencedor, o que não aconteceu, nesta data. Rodrigues de Freitas, embora admitisse ser democrata-republicano, esclarecia que “[…] não autorizei ninguém a incluir o meu nome na lista do Governo Provisório, lida nos Paços do Concelho, no dia 31 de Janeiro, e deploro que um errado modo de encarar os negócios da nossa infeliz pátria levasse tantas pessoas a tal movimento revolucionário.”
Assim, embora Rodrigues de Freitas tivesse desempenhado um papel de relevo na história da ideologia republicana e socializante e na divulgação do movimento republicano, em Portugal, no entanto, sempre defendeu a via evolucionista e não a via revolucionária, por isso se demarcou publicamente desta revolta.
Sendo uma personalidade querida na cidade do Porto, foi alguém que mereceu a consideração e o apreço dos seus contemporâneos que, carinhosamente o apelidavam de “Freitinhas”.
Rodrigues de Freitas, cansado de uma vida de intensa participação cívica, decepcionado pela realidade política sempre marcada pela agitação e instabilidade, debilitado por problemas cardíacos, faleceu aos 56 anos de idade, no dia 28 de Julho de 1896, na sua casa da Rua do Sol, no Porto. Foi sepultado, nesta cidade, no Cemitério do Prado do Repouso.
Este portuense, um dos mais influentes intelectuais e economistas portugueses da sua época, para lá da obra marcante que deixou para a posteridade, tem o seu nome assinalado numa Avenida da cidade do Porto e numa Escola Secundária da mesma cidade.
Texto: Maximina Girão Ribeiro
Fotos: pesquisa Google
Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc e Tal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.
01mar18




Os nomes dos pais dele. Eu sou Rodrigues de Freitas