Miguel Correia
“O Coliseu é nosso!” Frase proferida na cidade do Porto, em 1995, durante a batalha contra a venda do Coliseu do Porto à Igreja Universal Reino Deus (IURD). Cidadãos anónimos, políticos e artistas conceituados uniram-se numa manifestação grandiosa e emotiva que demonstrou a todos que o edifício era um património inalienável dos portuenses. Alguns meses depois a luta subiu de tom em Matosinhos. Vários cidadãos invadiram o cinema York para garantir que o espaço ficava desocupado e que a referida Igreja deixaria – segundo eles – de enganar as pessoas com as tretas que contavam a fim de conseguir dinheiro. O célebre dízimo!
Esta indignação crescente obrigou a mudanças de estratégia. A descrição foi adotada como elemento chave da nova gerência. Aboliram os cultos em grandes espaços e perderam a vontade de comprar edifícios emblemáticos. Continuaram a receber os fiéis em espaços mais recatados e a investir nos espaços próprios. Em 2010, inauguraram um espaço megalómano no Porto (com capacidade para 2.400 pessoas, complexo habitacional com 18 apartamentos e estúdio de televisão) perante a total passividade dos cidadãos, que os julgavam como extintos ou recambiados para o Brasil. Independentemente da vossa opinião formada sobre a referida Igreja, eles continuaram a desempenhar o seu papel. E mantiveram-se nas cidades em que foram agredidos e maltratados.
“Não adopto esse silêncio!” É o lema do movimento de denúncia de um sistema internacional de adoções ilegais. Uma série informativa, exibida pela TVI, em 2017, que revela crimes cometidos por dirigentes da IURD durante a década de 90. Um lar ilegal de crianças, em Lisboa, de onde desapareceram vários menores roubados às suas mães. Uma previdência cautelar e uma ordem aos fiéis para não sintonizarem a TVI, colocou este tema para segundo plano e, atualmente, poucos falam disto.
O mais recente episódio da luta contra a IURD (ou capacidade nata de se meterem em sarilhos) chegou do local mais inesperado: o Festival RTP da Canção. Diogo Piçarra, depois de encantar os jurados e o público em geral, viu anunciado na comunicação social e respetivas redes sociais que a sua música – “Canção do fim” – era uma cópia de um cântico da referida igreja, gravado em 1979. O cantor anunciou que abandonava a sua participação após as acusações de plágio, que já desmentiu. A origem da denúncia é desconhecida e, no entanto, tornou-se viral na Internet. Apesar de tanta polémica (algo que parece normal e corriqueiro nos dias de hoje) a IURD esclareceu que não detém qualquer direito sobre a música, e que o seu intérprete não tem ligação com a instituição.
Penso que se perdeu uma excelente oportunidade de repetir o sucesso alcançado com a música de Salvador Sobral, pois perdemos o apoio dos nossos irmãos brasileiros que certamente iriam pegar nos telefones e votar. Todos os fiéis devotos a ajudar Portugal e o Diogo a conquistar os plebeus europeus! E ainda falam da manipulação e acordos secretos entre os países nórdicos e de Leste, porque distribuem os pontos entre eles. Ah! E já agora, metam isto na vossa cabeça: a Espanha lixa-nos sempre! Não vale a pena dar a pontuação máxima às suas músicas! Contudo, o que fica nos registos intemporais da História, é que existem vários casos de confronto ideológico (ou religioso, como queiram) que envolvem a IURD e penso mesmo que, de facto, temos qualquer coisa contra eles…
Foto: pesquisa Google
01mai18
