Fundado a 01 de maio de 1934 o Futebol Clube da Foz (Foz do Douro) tem o seu recinto desportivo situado numa zona mui nobre da cidade do Porto, junto à Rua do Crasto. No entanto, há três anos que está impedido de jogar com o seu escalão principal em casa, pois o campo da Ervilha não tem as medidas mínimas que a Associação de Futebol do Porto obriga a ter.
Por estranho que possa parecer, se o F.C. Foz subir aos “nacionais” poderá voltar a jogar no campo da Ervilha, isto porque os campeonatos nacionais regem-se pelas medidas do “international board”, sendo elas 90m por 45m.

A Associação de Futebol do Porto (AFP), em Assembleia Geral aprovou as medidas mínimas de 100m por 62m o que impossibilita do Foz de jogar no seu campo por este ter apenas 96m por 52m. Para o secretário-geral do F.C.Foz, Nelson Matos, esta medida da AFP visava obrigar os clubes a melhorarem as suas condições dos seus estádios de futebol, “esta medida resultou na sua generalidade, todos os clubes dos concelhos vizinhos do Porto conseguiram-no, é claro que tiveram a ajuda das câmaras municipais a que pertencem, apenas os clubes da cidade do Porto não o conseguiram por não terem as ajudas que os outros tiveram”.
Sérgio Silva e Sousa
(texto e fotos)
Nelson Matos referiu ainda que a maioria dos clubes de futebol com quem jogam conseguem ter as inscrições, de todos os jogadores, pagas pelas câmaras municipais dos concelhos a que pertencem, coisa que o Foz não tem, assim, é obrigado a recorrer a dinheiros próprios para poder inscrever os seus jogadores. Nelson Matos menciona ainda que não jogar em casa prejudica o clube em diversas áreas, não só por não ter a mesma massa associativa que teria se jogasse no Ervilha, mas também no que se refere aos patrocínios, “por muito que se tente arranjar um bom patrocínio é difícil convencer alguém, pois o escalão principal do clube não joga cá”.
Todos os jogos em casa que o Foz faz, é obrigado a pagar o aluguer do recinto onde vai jogar, ou seja, é mais uma despesa, é obrigado a conjugar agendas com outros clubes para haver disponibilidade de campo e todos os seus atletas e familiares têm maior despesa nas deslocações. Todos estes aspetos fazem com que o Foz tenha mais dificuldades que os outros clubes, refere o dirigente.

Falando um pouco sobre este clube, o campo da Ervilha foi batizado com este nome pelo facto de ter sido edificado em terrenos de cultivo, na sua maioria ervilhas, ainda hoje na envolvência do estádio podemos constatar a existência de terrenos agrícolas cultivados havendo muito espaço para a ampliação do campo da ervilha.
O “Etc e Tal Jornal” (EeTj) perguntou a Nelson Matos o que seria necessário para que a obra de ampliação se iniciasse, visto não haver falta de espaço para a ampliação do campo, o secretário-geral do Foz disse a propósito que o problema residia numa pequena porção terreno circundante ao campo, todas as outras áreas, mesmo as que estão habitadas, facilmente seriam desbloqueadas, tendo até o F.C. Foz adquirido já cerca de 500 metros quadrados de terreno circundante ao estádio, para Nelson Matos o desbloquear deste enorme problema seria o catapultar do Foz para uma outra dimensão.
Para Nelson Matos é incompreensível que uma instituição de utilidade pública, como é o Foz, se veja maniatada por uma porção de terreno que o seu legitimo dono não quer abrir mão, dando o exemplo de outros casos idênticos em que as câmaras municipais se envolveram e expropriaram esses terrenos para desbloquear a situação.
Mais de 600 atletas…
O F.C. Foz tem mais de 600 atletas e só não tem mais porque todas as outras modalidades que antigamente o Foz tinha tiveram de acabar, damos o exemplo do atletismo, que lançou a Rosa Mota, atleta mundialmente conhecida e campeã olímpica, que se iniciou no mundo do atletismo no F.C. Foz, bem como Jorge Costa jogador internacional português. Para Nelson Matos o principal motivo para que o Foz ainda não se tenha tornado num clube com maior notoriedade é o facto de ainda não ter um espaço físico condigno à dimensão do clube. Note-se que o Foz já lançou outros vários nomes do desporto nacional, além dos atrás referidos.
Sendo que a direção e responsáveis do Clube são constituídos apenas por voluntários, todo o trabalho ali realizado é por amor ao clube, salientamos o trabalho do cobrador do F.C. Foz, voluntário a quem o Foz apenas paga o passe dos transportes públicos, que vai de porta em porta a cobrar as quotas dos sócios do Foz, que atualmente são pouco mais de 400 os que têm as quotas em dia.
Tendo sido Campeão da Série 1 do Campeonato da Divisão de Honra está à espera de agora que, estando na Divisão de Elite, apareça um investidor capaz de tornar o clube numa Sociedade Anónima Desportiva (SAD) com capacidade de disputar a permanência e até a subida de divisão para os nacionais.
Não tendo nem sequer sede, o clube está resumido ao campo da Ervilha que, atualmente, é uma das escolas de futebol da “Dragon Force” o que ajuda o clube em muitos aspetos, nomeadamente para com as instalações balneares que foram instaladas há pouco tempo e que vão possibilitar um maior conforto a todos os atletas, mesmo sendo estas em contentores pré-fabricados são melhores que as existentes no estádio.
Existe já um projeto para a ampliação do recinto desportivo do F.C. Foz, no entanto e como já referimos, não se pode avançar enquanto não se conseguir desbloquear o diferendo do pequeno terreno em causa, haja vontade, política e pessoal, e esta situação irá beneficiar ainda mais pessoas, note-se que na zona onde o F.C. Foz está situado não tem qualquer outro tipo de instalações desportivas onde as gentes da Foz possam praticar desporto.
01jun18












Afinal onde joga o FOZ?
Haja vontade política, ao nível da CM do Porto, e o Foz terá o seu campo da Ervilha com as dimensões necessárias para aí poder disputar os jogos em casa.