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FURADOURO – ESTÁ AÍ O GRANDE TESTE À RESISTÊNCIA DOS GEOTUBOS NAS ÁREAS BALNEARES

As obras que decorrem na praia do Furadouro nas várias frentes ameaçadas pela força do mar, com continuado recurso à pedra para reforçar vários pontos do enrocamento paralelo à Marginal, que nas últimas investidas foi afetado e a aposta na colocação de geotubos nas zonas dunares a norte e sul, bem como a gigantesca movimentação de areias, tanto para encher os geotubos como para injetar na formação de dunas artificiais e reforçar ou consolidar as mais fragilizadas pela acentuada erosão. Têm como prazo para estarem concluídas, o início da época balnear, a 15 de junho.

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Foto: opini

José Lopes

(texto e fotos)

Estas obras integradas no Plano de Ação Litoral XXI, executadas no âmbito da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARH-C), que têm merecido particular empenho e entusiasmo da Câmara Municipal de Ovar, visam minimizar os riscos inerentes à identificada fragilização do litoral ovarense, que só nos últimos anos começou a beneficiar, ainda que tardiamente, de obras com o objetivo de manter as condições naturais do ecossistema costeiro para de forma natural assegurarem a sua estabilidade. Uma opção negada durante décadas, que agora exige persistência na gestão desta nem sempre exemplar relação com o mar.

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No entanto, esta relação com o mar, considerando o nível de erosão costeira e o tipo de obras em curso, não se compadece com prazos nas empreitadas, mesmo quando está em causa a preocupação com as condições indispensáveis para a tranquilidade exigida em período de época balnear. Tanto mais, quando há sinais de que, sempre que marés mais vivas se registam, as areias que cobrem os geotubos são removidas pelo mar, deixando a descoberto tais elementos formados por mangas de têxtil sintética pré-fabricada, que no local foram cheias de areia e ainda em estudo sobre o seu verdadeiro impacto na defesa e no retardar do avanço do mar. Um grande teste à resistência dos geotubos em áreas balneares que obrigarão a continuadas e regulares injeções de inertes a exemplo do que está a acontecer na parte sul do Furadouro, enquanto a norte a paisagem está mais recetiva a receber os banhistas sem impactos visuais perturbadores, como serão as mangas dos geotubos a descoberto.

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Mais ainda que este caminho de ensaio, através dos geotubos, que deixa os ambientalistas na espectativa dos seus efeitos práticos, seja certamente uma alternativa mais racional no combate à erosão costeira. O recurso à pedra mantem-se sobretudo, quando a exemplo do Furadouro se está perante uma longa muralha de pedra, como são os enrocamentos fixos paralelos à Marginal, sujeita a constantes intervenções de reposição e reforço, como vem acontecendo na sequencia das mais recentes investidas do mar, e eventual fragilização destas estruturas de defesa, provocadas pela significativa retirada de areias das zonas de rebentação para as próprias obras em curso, que podem ter descalçado partes significativas dos enrocamentos, fazendo-os ceder, com as pedras a serem engolidas pela areia e a deixarem perigosas zonas de risco com mais facilitadas entradas do mar em marés vivas.

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A força do mar, que mostra toda a sua fúria em tais muralhas de pedra na parte frontal do povoado, continua consequentemente a estender a sua energia também para as áreas dunares a norte e sul do Furadouro, obrigando a obras com recurso a estratégias de injeção de areia e colocação de geotubos, o que tem originado uma gigantesca movimentação de inertes retirados de um para outro ponto desta enorme frente de costa, que tem resultado numa espécie de “jogo” do tapa destapa, ainda que aparentemente inevitável, face ao estado de fragilidade destas praias, acentuado pela intensa erosão costeira a que as populações se vão acostumando e os governantes vão procurando reagir reactivamente às consequências da previsão da evolução do avanço do mar, com recursos financeiros para investimentos permanentes na consolidação e reposição dos diferentes tipos de defesas do litoral e das malhas urbanas em risco.

… ao mesmo tempo repõem-se as acessibilidades às praias

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Em simultâneo às diferentes obras de consolidação das defesas da orla costeira no Furadouro, decorrem também as obras para reporem e criarem melhores acessibilidades às praias a norte e sul. Uma vez que, a área balnear mais nobre que identificava esta praia como cartaz turístico, vem sendo descaraterizada com a muralha de pedra e consequente perda de areal, que se acentua nas fases de maré cheia, quando o mar bate na pedra.

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Perante esta continuada redução de áreas de praia ao longo da Marginal, que inclui também drástica redução das áreas licenciadas aos tradicionais banheiros concessionários de áreas reservadas para apoios de praia e as típicas barracas. Foram proporcionadas renovadas acessibilidades ao areal a norte e a sul, através de passadiços que são também novas ofertas pedonais para caminhar junto ao mar. Meios disponíveis que deveriam ser motivo pedagógico e de sensibilização para evitar a indevida e pouco cívica atitude de veraneantes que, em nome da falta de espaço balnear nas áreas centrais do Furadouro, ocupam áreas dunares em fase de consolidação através de paliçadas, como vem sendo observado, apesar da indignação que provocam tais atitudes comodistas.

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