É um dos epicentros religiosos mais concorridos pelas comunidades, não só movidas pela fé como também por toda a arte da pedra talhada que envolve o ex-libris da cidade com o mesmo nome do padroeiro, Santiago de Compostela. O seu interior guarda o túmulo de Santiago Maior que foi um dos apóstolos de Jesus Cristo, e que esteve presente nos momentos mais importantes da sua vida. É a chegada a este túmulo que marca o fim da peregrinação dos Caminhos de Santiago, ou Via Láctea, percursos que se ramificaram de toda a europa.
Segundo uma tradição medieval, o lugar do sepulcro, identificado pelo bispo como sendo de Santiago, deu origem à atual catedral. Foi esta descoberta que contribuiu para o nascimento deste lugar como um dos mais importantes de peregrinação com sete rotas históricas sinalizadas por setas amarelas: o Caminho Francês, o Caminho do Norte, a Vía de la Plata, a Rota Marítimo fluvial, o Caminho Inglês, o Caminho Primitivo e o Caminho Português. Todos eles entroncam em solo espanhol com ponto final nesta Catedral.
Lurdes Pereira
(Texto e fotos)
Ergue-se ao fundo de um grande terreiro, depois de um rendilhado trabalho de ferro e um escadório, a imponente construção datada do início do séc. XI, a catedral de Santiago de Compostela. Predomina o românico, ladeada por duas torres do período Barroco. Nesta profusão de estilos ostentam belíssimos detalhes na fachada a contrastar com a robustez pesada do edifício, onde as arcadas, como em toda a cidade, são uma constante.
Não é por acaso que a fachada principal é denominada por Obradoiro. De facto, ela apresenta um trabalho de ourives majestoso, equilibrado, centrado e pormenorizado do séc. XVIII. O pórtico da Glória do séc. XI suporta três colunas figuradas por ilustrações bíblicas.
Na mesma Praça do Obradoiro, o Parador de Santiago é hoje um luxuoso Hostal dos Réis Católicos.
O Centro histórico conserva a identidade de uma cidade que emergiu em tempos em que a riqueza do pormenor se esculpia em cada pedaço de pedra. Constrói-se num espaço de vielas estreitas a culminar em terraços onde centralizam fontes e estátuas de figuras ilustres como Miguel de Cervantes Saavedra. A cidade leva-nos a viajar até ao período medieval. O simbolismo da concha afirma-se em cada pormenor. Arcadas, coroas, esculturas, igrejas e capelas, nichos, gárgulas e brasões, e tantos outros pormenores se podem comtemplar na cidade ilustre, sublime, acolhedora e pitoresca.
O Parque da Alameda é uma mancha verde coroada de elegância. Enriquecido por capelas e um coreto rendilhado em Arte Nova a combinar com os majestosos bancos duplos. “As duas Marias”, conhecidas pela sua excentricidade, fazem parte da decoração deste maravilhoso espaço, pulmão de Santiago. Percorrendo os jardins, estátuas e lagos, as aves de requinte também souberam escolher este espaço para palácio de habitação. Mais à frente, numa grande clareira redonda balizada por típicos bancos de jardim, muitos disfrutam a natureza, na hora da sesta, trocando conversas simpáticas entre os demais.
No entanto, nenhuma narrativa poderá descrever tanta beleza e explorar tantos pormenores. Seria necessário olhar em cada canto a riqueza que nas pedras o homem imprimiu. Valemo-nos das imagens, nossas fiéis amigas que nos arquivam memórias intemporais.
Com os minutos a contar, rumo a Tui. A Catedral do séc. XII, românico, destacada na iconografia dos capitéis, está recheada também de elementos góticos. Na fachada entalha-se com um tímpano gótico representando a Adoração aos Reis Magos.
A cidade medieval regista a história sob arcadas quebradas oferecidas pela arte gótica. Também nesta cidade muitos pormenores estão ligados à monarquia. Uma cidade bela que não escapou à contemplação dos olhares da serra. Já na despedida, um olhar de soslaio sobre o rio Minho que, na sua passagem serena por Tui, já nos oferece, na hora do regresso, um cheirinho a Portugal.
01jul18





























