A quinta edição do FESTA (Festival Internacional de Artes de Rua) que foi lançado pelo pelouro da Cultura do Município de Ovar em 2014, com dois dias de diversificadas atividades artísticas, tendo evoluído para três dias de festa até à edição de 2017, numa procura de modelo para este evento que este ano acabou reduzido a um só dia (14 de julho), com um programa em que predominaram os sons da lusofonia. Foi uma “maratona” de concertos que se realizaram em três diferentes palcos no grande palco em que se transformou o Parque Urbano da cidade para acolher pela primeira vez o FESTA, que teve o seu ponto alto com o “verdadeiro ícone da música angolana” Bonga e sua banda, fazendo uma grande massa humana delirar com alguns dos seus clássicos inconfundíveis como a sua voz rouca e poderosa.
Ao som de bandas e suas coreografias para um tal festival de rua, a manhã incluiu momentos surpreendentes em diferentes locais, como o Mercado Municipal de Ovar e o centro da cidade através da participação das bandas: Banda às Riscas; Banda Boa União; Banda Plástica de Barcelos; e Banda Original Bandalheira.
Num dia mobilizador para as praias, o aprazível espaço verde atravessado pelo Rio Cáster acomodou os diferentes estilos musicais para um publico visivelmente a usufruir a música em ambiente de lazer, assistindo à oferta de concertos que começaram com a atuação do cantor e compositor Momo, o brasileiro Marcelo Frota que trouxe temas que incluíram melodias do seu quinto trabalho de originais “Voá”, inspiradas numa prolongada estadia em Alfama em que une samba e fado.
Num palco instalado sobre o leito do rio para uma mudança de cenário paisagístico do parque, o grupo vocal feminino “Sopa de Pedra”, foi também uma boa surpresa com música tradicional portuguesa. Dedicado ao canto a capella de canções de raiz tradicional, este grupo, que se propõe partir de uma base simples, “uma pedra, uma tradição, uma melodia, um cantar” ao que ao longo do tempo, “se vão adicionando novas facetas e novas vozes até surgir uma harmonia viva que, de cada vez que se canta, ou de cada vez que se junta um amigo, se reinventa”, partilhando assim gostos musicais em que se inspiram, como Zeca Afonso, José Mário Branco, João Loio e Amélia Muge.
Ainda antes da hora do jantar subiram ao palco músicas do mundo de Angola e Guiné, com IMOXI, Paulo Flores e Manecas Costa, que transmitem não só a vontade de exaltar as suas origens através dos diferentes ritmos musicais africanos que interpretam, mas também a sua já longa amizade transmitida no espetáculo como “uma viagem pela carreira e pela vida destes dois grandes músicos”, como foram apresentados pela organização do FESTA.
Com uma noite a prometer ainda muita música, em que, “num só dia cantamos e dançamos (quase) até o sol raiar” com Celeste Mariposa, “uma performance não convencional construída a partir de antigas pérolas africanas lusófonas inspiradas em «Bailes» africanos”, que juntaram nesta festa em Ovar com sons da lusofonia, ritmos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe. Ambiente verdadeiramente antecipado com os brasileiros Liniker e os Caramelows que surpreenderam com temas como “a gente fica mordido, não fica?” ou “deixa eu bagunçar você”. Mas mesmo com todas as novidades e revelações no FESTA, Bonga foi sem dúvidas o artista que arrastou uma interessante multidão que acabou por marcar positivamente este diferente modelo de um evento que continua a procurar públicos e um espaço próprio na oferta cultural do Município de Ovar.
O FESTA ofereceu ainda a oportunidade às crianças de participarem numa oficina que transforma o lixo em instrumentos de percussão. Em duas sessões (manhã e tarde) foi também dedicado às famílias num cenário natural como o Parque Urbano, o projeto Galo Gordo, um projeto artístico para a infância em Portugal referenciado no Plano Nacional de Leitura, que foi apresentado através de um espetáculo em que, são dadas a conhecer novas canções e ouvir as canções já conhecidas do público. Uma componente pedagógica e ecológica, que, pode ficar como semente para as comunidades escolares desenvolverem a exemplo de outras vertentes ainda por explorar junto das crianças nas escolas, como a dinâmica das marionetas, que podem contribuir para formar públicos.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente EeTj em Ovar-Aveiro
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