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Diplopia vertical

Miguel Correia

As emoções futebolísticas estão de regresso! Por incrível que pareça, a bola já não rola, nos estádios nacionais, desde o mês de Maio. E para os amantes do desporto rei, a espera é angustiante. Compreendo que possam argumentar com o Campeonato do Mundo. Não é a mesma coisa! A paixão clubística é mais forte que a da seleção. Principalmente quando a maior parte dos jogadores, com valores de mercado astronómicos, espalha talento nos relvados estrangeiros. Por cá, os clubes vão-se desenrascando com contratações de jogadores low-cost (com apelido brasileiro) enquanto dispensam os jogadores da própria formação. Tem de ser…

A comunicação social desportiva aposta em revelações bombásticas de contratações que nunca chegam a acontecer. Capas de jornais, devoradas por leitores fanáticos, que aumentam a faturação e proporcionam tema de conversa nos cafés. Com tanto craque, é desta que o nosso clube será campeão! Daqui a uns meses, deixam de falar nas vedetas (mesmo que não o sejam) e declaram guerra aos árbitros. A nova época está prestes a iniciar e certamente, até ao final de Agosto, haverá mais atividade no mercado de jogadores. Sabemos que os refugiados de Alcochete conseguiram (quase todos) encontrar uma nova família de acolhimento, mesmo depois de terem expulsado o dono da casa.

072) DIPLOPIA VERTICAL

Para a emoção estar completa, é necessário conhecer o calendário de jogos. O nosso clube tem de saber quando recebe os rivais. Para os receber condignamente… ao pontapé e ao estalo! Porque se vamos fazer as coisas, que sejam feitas com estilo! E foi este o pensamento da Liga de Clubes: um sorteio ao estilo de Hollywood. Os principais representantes dos clubes, a imprensa desportiva e dirigentes. Todos envolvidos por um clima de glamour e – contrariamente às indicações da FIFA – mulheres bonitas! Tudo magnífico! Graças a uma chave informática, rapidamente se ficou a saber quais as principais jornadas com os chamados “grandes”.

Enquanto alguns davam entrevistas aos jornalistas sobre o calendário, gerou-se um pequeno burburinho! Um rumor que algo tinha corrido mal! O insólito (ou algo corriqueiro em Terras Tugas) aconteceu quando a assistente – que tirava os números da chave informática – mostrou o número nove, quando na realidade era um seis. Ou seja, virou o papel ao contrário! O evento foi suspenso por duas horas. Tempo para reunir com os dirigentes e decidir que, para manter a transparência, seria preferível gerar um novo calendário de jogos. Um pequeno sinal que a nova época (tal como as anteriores) promete ser acompanhada de polémicas e trapalhadas…

Foto: pesquisa Google

01ago18

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