Cristóvão Sá-TTmenta
No conjunto de textos dedicados ao tema do Fado, na edição de Abril/18 (https://etcetaljornal.pt/j/2018/04/poesias-sonoras-e-fado-em-tempo-real-02/) referi que muitos fados passaram a ser conhecidos e pedidos pela/os fadistas pelo nome do seu autor. É o caso do Fado Britinho e Fado Carlos da Maia (Sextilhas), melodias para o poema “Luta” que vos trago hoje.
Britinho diminutivo por que era conhecido o músico e poeta Frederico de Brito. Nascido nos finais do século XIX (1894), foi um criador muito prolífero. Escreveu poesia para fado e textos para teatro e também para revista. Musicou os seus próprios poemas (exemplo: Canoas do Tejo). Para o Fado Britinho apresento-vos o poema de José Neto “Sou Feliz”, na belíssima voz de Maria Teresa de Noronha. (https://www.youtube.com/watch?v=sJAOqhzIcFk).

Carlos da Maia é o nome pelo qual ficou a ser conhecido no mundo do fado o guitarrista e compositor José Carlos Augusto da Maia (1878-1921). Muitas vezes recordado nas sessões de fado, quando o/as fadistas pedem que lhes toquem o Carlos da Maia Quadras ou o Carlos da Maia Sextilhas. Para o Carlos da Maia Quadras escolho como exemplo Ada de Castro a cantar o poema de Maria José Runa “Gosto de tudo o que é teu” – (https://www.youtube.com/watch?v=AQ-Pp4iWBDw) . Já para o Sextilhas apresento Manuel Barbosa cantando o poema de Carlos Gaspar, “Louco de Saudade” – (https://www.youtube.com/watch?v=qBEzrjGJr7s).
Falando do meu poema “Luta”. Escrevi-o como um conjunto de oito tercetos (ou estrofe de três versos). Ora para o cantar na melodia do Carlos da Maia Quadras (passaria a ser um poema de seis quadras) não se tem rimas regulares. Nem mesmo para o Carlos da Maia Sextilhas (poema de quatro sextilhas). Veja-se logo o primeiro verso cuja palavra final “solta” não rima com qualquer outra. Acontece o mesmo com “penar” (terceiro terceto). Esta é uma questão formal que não briga com o canto ou a sua forma de o fazer.
LUTA
Tanta mentira à solta
Vaidade à nossa porta
Faz-se assim esta urbe
Mas a pobreza exorta
Que a paz se perturbe
E mente se desconforta
Longe vá este penar
Cerca fique esperança
Revolta fará crescer
Dignidade e confiança
Vida a reflorescer
Do nada chega bonança
Renasce crença e vontade
Energia do céu cadente
Dará forças a metade
Do ser que anda descrente
Desconfiado da fartura
Das dádivas de tal gente
E assim nesta tortura
Oh terra do desejado
Crendo enquanto é pura
A mão que dá minguado
Liberdade que perdura
E de mim faz um soldado
Foto: pesquisa Google
01set18