O presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, José Manuel Carvalho, reeleito, nas eleições autárquicas de 2017, pelo movimento independente “Porto o Nosso Partido”, não se vai candidatar a mais um mandato, anunciou o próprio, e em exclusivo, ao “Etc e Tal jornal”, à margem de uma entrevista inserta nesta edição e relativa às “ilhas” no Porto.
“Não me candidatarei a um próximo mandato porque entendo que já tenho uma idade suscetível de ter a obrigação de dar a pessoas mais novas, e com novas ideias, uma oportunidade. Quero sair daqui com dois mandatos cumpridos e com provas de que, para mim, não há mais qualquer compromisso que não seja o de melhorar a vida das pessoas desta área da cidade. Fora isso, não estou nada preocupado, ou ter de estar submetido, a quem quer que seja; a partido algum, ou a coisa nenhuma. Estou submetido só à minha consciência!”, referiu José Manuel Carvalho.
As “impossibilidades” de um presidente de junta

“Sinto-me do ponto de vista pessoal tranquilo com aquilo que tem sido feito. Basta as pessoas olharem para aquilo que são os programas em curso na freguesia, para poderem avaliar essa situação muito melhor do que eu próprio faria. Sinto-me de consciência tranquila! Mas, por outro lado, e essa é a questão importante, com a noção da impossibilidade de o presidente de junta, mesmo numa freguesia que tem uma população superior a mais de metade das câmaras municipais do País, não ter condições, nem força, para poder intervir em áreas que são, absolutamente, imprescindíveis para se poder fazer melhor”.
E deu um exemplo:
“A junta de freguesia paga à Segurança Social rigorosamente igual aquilo que uma empresa privada paga por cada trabalhador (23,75). Numa empresa privada, quando o trabalhador está doente a Segurança Social paga-lhe o subsídio de doença, numa junta de freguesia, quando acontece o mesmo (o trabalhador estar doente) a autarquia paga o ordenado por completo ao funcionário. Então, porque é que estamos a fazer uma contribuição para a Segurança Social, a financiar uma entidade que tem muito mais condições que uma junta, retirando à junta capacidade financeira para poder intervir pelo bem-estar da população?”
“Gostaria que ficassem alguns sinais”

O presidente da Junta de Freguesia do Bonfim diz que se sente a “fazer algo de útil” realçando que “não o fazemos para defesa dos nossos interesses particulares”.
“É natural que me sinta recompensado, até porque há pequenas coisas que vão sendo conseguidas que dão uma satisfação muito grande. Por exemplo, o facto de na escola Aurélia de Sousa as pessoas com dificuldade de mobilidade – por exemplo de cadeira de rodas -, terem acesso garantido em condições melhores. Foi uma vitória fantástica! Gostaria, assim, que ficassem alguns sinais para mais tarde serem devidamente aproveitados”.
Texto: José Gonçalves
Foto de destaque: Pedro Abreu
Fotos: arquivo EeTj
01set18