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Poesias sonoras e Fado em tempo real (08)

Cristóvão Sá-TTmenta

Nesta edição apresento-vos um poema para a melodia Fado Menor do Porto. Do guitarrista tripeiro(?) José Joaquim Cavalheiro Júnior.

Aconselho a ouvirem Camané (https://www.youtube.com/watch?v=xUmXgTxeZGw), a cantar o poema de Fernando Pessoa “Sopra o vento”. Para a mesma melodia, também um poema de Pessoa “Sol Nulo dos Dias Vãos” na voz de Teresa Silva Carvalho (https://www.youtube.com/watch?v=Vhiyyhu_mLA). Nota-se diferença entre as duas versões para a mesma melodia, ao que parece dada pela liberdade que os músicos empregam na sua interpretação.

Fado Menor do Porto - Imagem do vídeo de Camané
Fado Menor do Porto – Imagem do vídeo de Camané

Há quem afirme que o Fado Menor do Porto vem do Fado Menor. Este um dos tradicionais, a par do Fado Corrido e do Fado Mouraria. Ouvindo Ana Moura a cantar “Os meus olhos são dois círios” de Linhares Barbosa (https://www.youtube.com/watch?v=Yb87y8ly01Q) pode-se dizer que o Menor do Porto não tem nada a ver com o Menor. Até porque o Menor é composto e tocado em dois andamentos. Em que a cadência é mais rigorosa. Mas tal como no Menor do Porto, há nos dois uma grande capacidade criativa/inventinventiva na forma de os tocar. Liberdade que os músicos aplicam de forma notável.

O meu poema é mais um com fortes referências ao Porto e ao Rio Douro. Para onde, nas longas tarde de Verão, o meu pai, depois de sair do trabalho, na Ramadinha, enquanto testava os seus dotes de pescador, esperava que chegassem Rosalina Arouca e os cinco filhos de ambos, para desfrutar de um frugal lanche/ajantarado. Vinham da Formiga e depois da Presa Velha, ao longo da linha de comboio, desciam até à marginal, mesmo encostado à Ponte D. Maria Pia, onde se encontrava o patriarca. No regresso, estando a noite boa, iam até mais adiante subindo pelas Escadas do Codeçal.

Pescaria no Douro

Fado Menor do Porto

Música: José Joaquim Cavalheiro Júnior

 

Fim de tarde lá no rio

Cana, linha e carrinho

Anzol, minhoca no fio

Maria vê com carinho

 

Pai aos peixes dá engano

Clã sofre da pescaria

Zero e rio sem dano

Dia outro tentaria

 

Presa Velha rua nossa

Na ceira manjar maior

Por mãe feito assim possa

Dar tento superior

 

Castiga o Codessal

Corpos queimam energia

Adormecem som e sal

E noite em letargia

 

01out18

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