É só olhar. Contemplar. Estão, ali, à vista desarmada, restos de bancadas onde milhares e milhares de pessoas, de diferentes gerações, vibraram com as emoções das vitórias alcançadas pelos seus “clubes do coração”. Eram locais de “culto desportivo” que, hoje, se transformaram num “cemitério” de lixo, viveiro de silvas e roedores. Verdadeiros matagais!
Mortes indignas estas, quando nos referimos aos estádios das Antas (Futebol Clube do Porto), Engenheiro Vidal Pinheiro (Sport Comércio e Salgueiros) e Lima (Académico Futebol Clube).


Abandonados por diversas razões que a razão desconhece. São anfiteatros que espelham o desprezo e o desrespeito que lhes foi dado por um leque de gente com responsabilidades, mas que a verdade dos factos as torna irresponsáveis para todo o sempre.
José Gonçalves (*) Pedro N. Silva
(texto) (fotos)
Os registos fotográficos que se seguem falam por si, isto à mistura com as pesquisas feitas no Google, e que nos transportam no tempo. Num tempo de saudade, mas que a seu tempo foi de um misto de glórias e tristezas, e acima de tudo de um amor pelo desporto que uniu milhares e milhares de pessoas neste Porto que viu e deu vida a estes anfiteatros, atualmente sem se saber que futuro lhes irão dar.
ESTÁDIO DO LIMA
O Estádio do Lima, na freguesia do Bonfim, foi inaugurado em 1924, e utilizado, a título de empréstimo pelo Académico Futebol Clube, tendo sido o primeiro recinto relvado do nosso país destinado ao futebol.
O campo de futebol tinha à sua volta duas pistas: uma de atletismo (a cinza) e outra para ciclismo e automobilismo (a cimento)
Na verdade, tudo começou em 1923, “quando apareceu a concurso, para arrendamento, a antiga quinta do Lima, propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, que ao tempo rendia somente 200 escudos por ano. O Académico foi o maior licitante, tendo conseguido negociar um aluguer de 1600 escudos mensais. O terreno, acidentado, cheio de sulcos, obrigou a grandes terraplanagens, tendo o Académico gasto quarenta e dois contos”.
“Quatro anos depois, o clube aproveitou o devoluto Palacete do Lima para aí instalar a sua sede, sendo o único na Península Ibérica a conseguir reunir no mesmo local a sede, estádio e anexos, como courts de ténis, jardins de recreio, campo relvado, pistas de atletismo e ciclismo, campo de basquetebol, andebol e hóquei, para além de um campo pelado para treinos. O Estádio possuía, também, vestiários confortáveis e balneários com água quente e fria.
A estrutura, situada entre as Ruas Álvares Cabral, Constituição e da Alegria, possuía um campo relvado, com medidas modernas (105×60); pista de cinza de 400 metros para provas de atletismo; e uma pista de ciclismo, em cimento. Em 1927 são construídas as imponentes bancadas, que viriam a receber muitos milhares de pessoas”.
Passados 53 anos da sua inauguração, o Académico acabaria por perder o parque de jogos a favor da Misericórdia, sem receber qualquer tipo de compensação. A partir daí e até aos nossos dias, é aquilo que se pode ver: parte das bancadas destruídas ou ocupadas por ervas daninhas e silvas. Encontra-se num local central, tristemente sem rumo e, pior ainda, sem que alguém trate de resolver a questão relacionada com o seu futuro. Será que vai continuar assim por muito mais tempo?
“Ontem”…

Hoje…
ESTÁDIO ENGENHEIRO VIDAL PINHEIRO
O estádio engenheiro Vidal Pinheiro, situado na freguesia de Paranhos e de início com o nome de Augusto Lessa, foi (legalmente) ocupado pelo Sport Comércio e Salgueiros em 1932, deixando este clube o Campo do Covelo.
O coletivo salgueirista atuou nesse recinto – muitas vezes alvo de obras de melhoramentos, como o arrelvamento do campo (1984), a instalação de iluminação artificial (1999) e construção da bancada em madeira (setor sul) –, conquistando resultados desportivos dignos de registo, principalmente na , então, I Divisão, hoje I Liga.
Em 2006, e a troco de uns milhares de euros, o Sport Comércio e Salgueiros teve de abandonar o local – tendo como promessa a construção de um novo estádio perto do Jardim de Arca d’Agua (junto ao viaduto), que hoje mais não é que um “lamaçal”, por muitos destinado… à pesca – para servir parte do terreno, adquirido pela Metro do Porto para a construção de uma estação subterrânea. E mais não se sabe quanto a utilidade a dar ao resto do espaço
“Ontem”…

Hoje
ESTÁDIO DAS ANTAS
O Estádio das Antas, propriedade do Futebol Clube do Porto (FCP), e situado na freguesia de Campanhã, foi inaugurado a 28 de maio de 1952, pelo então Presidente da República, Craveiro Lopes, ladeado pelo líder do FCP, Urgel Costa, deixando, assim, o clube azul-e-branco, o velho campo da Constituição.
O anfiteatro portista foi desde aí, e principalmente depois do 25 de abril de 1974, palco de grandes conquistas desportivas por parte do F.C. do Porto tanto a nível nacional como internacional.
Durante a existência do Estádio das Antas houve a registar diversas obras na infraestrutura, como a inauguração da pista de ciclismo (1960); da iluminação artificial (1962); o fecho da porta da Maratona (1976), ou seja, a construção da bancada ao longo da lateral nascente, acrescida de um segundo anel – a arquibancada – que veio a aumentar a lotação do estádio para 65 mil lugares; e depois o aumento da lotação (1986) para 95 mil lugares com o rebaixamento do campo, substituindo a pista de ciclismo e atletismo.
Já no presente século, mais concretamente em 2004, o Estádio das Antas começou a ser demolido, dois anos depois de o mesmo já ter acontecido com complexo desportivo contíguo formado por um pavilhão gimnodesportivo, um ginásio, uma piscina e um campo de treinos para futebol, meses depois da inauguração do atual Estádio do Dragão, que não foi de imediato utilizado devido a um problema com o relvado.
A demolição iniciou-se, assim, a fevereiro de 2004, encontrando-se, atualmente, o recinto ao “Deus dará” – que é como quem diz “abandonado” – resistindo somente algumas pedras de bancadas e, bem visível, uma das quatro torres de iluminação (lado sul). Não se sabe que futuro está reservado para este terreno, sendo que os contíguos já foram urbanizados e construídas ruas e uma avenida.
“Ontem”…



Hoje…
Que futuro, então, a dar a estes três espaços da cidade do Porto que se encontram ao abandono? Há propostas concretas para revitalizar estes locais? Ficam as perguntas depois dos registos fotográficos que qualquer um pode observar de perto, e de perto ver como se deixa abandonada a memória desportiva de gerações e gerações de pessoas…
(*)Apoio, extratos e pesquisa documental: Wikipédia
Fotos: “Ontem…” – pesquisa Google
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