Inês Melo e Faro
Não posso dizer que fui daquelas pessoas que conhece os Imagine Dragons desde o início, mas posso dizer que quando os ouvi pela primeira vez, me apaixonei pela música deles. O concerto do passado dia 4 de setembro só veio confirmar esta paixão. Desde o início ao fim, a banda norte americana foi capaz de pôr um Altice Arena cheio a cantar em uníssono a maior parte dos temas.
Para além de se diferenciarem pelo seu estilo musical – já que foge à música feita em computador e aos estilos que hoje em dia governam as tabelas mundiais, como o hip hop e o pop eletrónico -, o grupo de Las Vegas arriscou e apresentou um alinhamento pouco habitual, abrindo o concerto com aquele que provavelmente é o grande hit da banda: Radioactive.
Após a abertura, o vocalista, Dan Reynolds – sempre em tronco nu, com uns calções e umas botas -, apelou ao público para estarmos a 100% no concerto, deixarmos a política, o trabalho e a religião fora da sala, no fundo, para limparmos a nossa mente de todo o que nos diferencia uns dos outros, de forma a focarmo-nos no que nos unia ali. E foi disto que também consistiu o concerto: de discursos de motivação e ações que representassem uma causa, tal como aconteceu quando ergueu a bandeira da comunidade LGBT, juntamente com a bandeira de Portugal enquanto cantava o verso “I’m never changing who I am” do tema It’s Time.
E é no terceiro tema da noite que reparo que, apesar de terem um público com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos, mais coisa menos coisa, os Imagine Dragons chegam a todas as idades. Umas filas à minha frente, vejo um rapaz, que não tem mais de 10 anos, a curtir como nenhuma outra pessoa o fez. E ele fê-lo durante as duas horas em que o grupo esteve em cima do palco, sem parar. E foi com Whatever it takes que eu, tal como o miúdo, também vibrei. É o meu tema preferido do terceiro álbum devido não só à letra – que aborda a forma como a sociedade é comodista e que não aparenta querer ser mais -, mas também pela complexidade que o ritmo e a velocidade dão à música.
Seguiram-se “Yesterday”, “Natural”, “Walking the wire” e a balada “Next to me”, que compõem o álbum que deu origem à tour, sempre com uma simplicidade que foi característica durante todo o espetáculo, tendo os confetis sido o único adereço utilizado pela banda. E foi esta simplicidade que fez com que o concerto tivesse sido tão especial. Os Imagine Dragons provaram que não precisam de muito para levar o público à loucura.
Claramente, o espetáculo não se fez só de temas do álbum mais recente. Músicas como “Shots”, e “Start Over” também integraram o alinhamento. Mas, para mim, a melhor parte foi quando eles passaram do palco maior para um mais pequeno, onde fizeram um momento acústico composto por três músicas, uma de cada álbum: “Amsterdam”, “I bet my life” e “Born to be Yours.” Foi um momento bonito, simples e absolutamente necessário num espetáculo como este.
Para terminar, ficaram aqueles que foram os grandes hits do grupo de indie rock, como Demons, que, na minha opinião, pecou pela falta de interação durante o tema, mas percebo que o vocalista tenha optado por não o fazer. Dan Reynolds, antes de dar início à canção, encorajou as pessoas que sofrem de depressão a não guardar as coisas para si e para falarem sobre o problema. E acho que, na verdade, foi o tema indicado para o fazer. Só faltou mesmo que se fizesse silêncio durantes uns breves segundos para que depois, à capela, se cantasse o refrão em conjunto.
O concerto terminou com “Believer”, que podia ter sido aproveitado de outra forma, mas que foi acompanhado por várias explosões de confetis que puseram fim a um concerto que ficou, sem sombra de dúvidas no meu top 10.
Desta forma, os Imagine Dragons confirmaram a sua essência e provaram que não têm de se vender ao que é comercial para terem sucesso e encher salas. São, indubitavelmente, uma das maiores bandas da atualidade.
Foto: pesquisa Google
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