Os moradores do Bairro Social da Pasteleira (Previdência), mais conhecido por “Torres Vermelhas”, à Foz do Douro, reuniram-se, na tarde do passado dia 20 de outubro em assembleia, no salão cedido pela Associação de Moradores local, para chamarem, uma vez mais, à atenção da Câmara Municipal do Porto quanto a um leque de problemas que os afetam há anos, e que, de promessa em promessa; obra inacabada em obra inacabada, não são definitivamente resolvidos. Só para ter uma ideia, e de acordo com os moradores, há situações críticas que se arrastam, agravando-se, há 40 anos, sem que um – um sequer! – executivo camarário as tenha conseguido resolver… é obra! Obra?
José Gonçalves
(texto e fotos)
São mais de dois mil e quinhentos os moradores do Bairro Social da Pasteleira, a residir em 467 habitações, algumas das quais nas conhecidas (seis) Torres Vermelhas. As casas são propriedade dos residentes (condóminos), mas as questões que, nos últimos tempos, os revolta, nada têm a ver com suas residências, mas sim com o espaço público contíguo, este, da responsabilidade das autarquias, com especial destaque para a Câmara Municipal do Porto (CMP). E a contestação foi, e é, tanta que um grupo de condóminos resolveu fazer um abaixo-assinado, o qual foi entregue à CMP expondo os problemas. Como não houve resposta, resolveram, então, realizar o referido encontro.
As reivindicações
“Os moradores do Bairro Social da Pasteleira (torres vermelhas), sito na Foz do Douro. Porto, vão reunir-se (20 de outubro 2018) em protesto contra a Câmara Municipal do Porto, por discordância das obras de requalificação «inacabadas», nesta área residencial” referiu a comissão promotora do encontro em comunicado á comunicação social.
Pormenorizando, os promotores do encontro referem que “a razão deste descontentamento, prende-se ao facto de nos sucessivos contactos e reuniões efetuadas, cujo teor já se arrasta desde Executivos anteriores, ter sido anunciada para o ano 2016, por acordo unanime entre todas as forças políticas representadas e posteriormente adiada, para julho de ano em curso, seja 2018”.
Ora, lê-se, “nas solicitações efetuadas, faziam parte para além do abate e substituição de algumas espécies de árvores e a poda de outras, a requalificação dos passeios pedonais (alguns ainda em terra batida), com introdução rampas de acessos para deficientes e ou pessoas com problemas de mobilidade, a repavimentação das ruas interiores, e a colocação de passadeiras para peões e sinalização mais adaptada sobre circuito automóvel”.
Só que, e de acordo com os moradores, ”a CMP, entendeu por bem e sem qualquer explicação, quer à Comissão Promotora do Abaixo-assinado, quer à Associação de Moradores local, quer mesmo à União de Freguesias (Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde), mandar repavimentar as ruas Fernão Lopes, André de Resende e Rui de Pina – esta ficando mesmo a meio termo, e rejeitando simplesmente a intenção das outras preocupações, que, aliás, incidiam em maior cuidado e preocupação.
Porque após ter sido dado como concluída esta primeira intervenção, nos foi comunicado, que (a curto e médio prazo) não haveriam mais quaisquer tipo de intervenção na área, apesar de terem sido enviados convites/apelo aos responsáveis do Município, para uma visita à área – sem obtenção de um qualquer parecer, os residentes locais, sentem-se ultrajados e desrespeitados, e pretendem em uníssono, mostrar o seu descontentamento e revolta”.
Estava dado o mote para o encontro entre a Comissão do Abaixo-assinado e os moradores (condóminos), sem que a mesma, no final, se traduzisse em qualquer futura ação a desenvolver, de forma a contestar o alegado laxismo e negligência camarária. Houve, isso sim, e de forma pacífica, uma troca de ideias e um valorizar de factos revelados e relevados pelos presentes, a acrescentar a outros que já constavam do texto reivindicativo que tinham assinado.
As fotos das obras e não só…
Entretanto, fiquemos com algumas imagens, publicadas no “Porto.” aquando e depois aas obras que foram efetuadas nas ruas da Pasteleira…
O debate em linhas gerais
No debate, coordenado por Armando Ribeiro, que teve a seu lado, na mesa, Luís Castro, Maria Lídia Assis e Adelino Marques, participaram também – intervindo, mas fazendo-se estar junto do público – a deputada municipal do PAN, Bebiana Cunha, e pela CDU-Porto, João Bordonhos.
Presentes estiveram também elementos ligados à Associação de Moradores do bairro Social da Pasteleira, que cedeu o salão onde foi realizado o encontro, mas não fizeram qualquer tipo de intervenção.
Como era de esperar, os moradores salientaram os precários acessos ao bairro, a degradação dos passeios (alguns em terra batida) e o seu rebaixamento, a falta de passadeiras para a travessia de peões, o estacionamento, o laxismo quanto ao tratamento (poda) das muitas árvores (principalmente choupos) lá existentes, e outras problemáticas, estas já ligadas com a limpeza da via pública, nomeadamente a falta ou má colocação de contentores.
(In)segurança começa a ser uma preocupação

Antes do referido encontro organizado pelo grupo de moradores que promoveu o abaixo-assinado Adelino Marques, também ele pertencente ao referido “movimento do abaixo-assinado”, inteirou-nos dos problemas revelados no comunicado dirigido à comunicação social, mas foi mais longe em certos assuntos.
“As questões que nós levantamos existem, neste bairro, há mais de 40 anos. Nada de obras profundas se fez aqui. Dos prédios e dos jardins tratamos nós, o que pedimos à Câmara é da sua inteira responsabilidade”, começou por referir o nosso entrevistado.
De acordo com Adelino Marques “a autarquia, e bem, fez a repavimentação das ruas, mas não completou as obras, deixando, assim, de aproveitar o facto de ter aqui o material para as fazer. A Rua Rui de Pina ficou parte por arranjar. Há passeios que são, como sempre foram, em terra batida, obrigando as pessoas, quando chove, a circularem pela estrada, o que é um perigo. Os choupos, que não são podados, largam no verão carradas de pólen, facto que obriga as pessoas a fechar as janelas e a gastar eletricidade, e há ainda dois eucaliptos a ocupar passeios”.
“Muita gente pensa”, continua o nosso entrevistado, “que este bairro, por se situar numa zona dita rica da cidade, que é um condomínio fechado. Nada disso. Isto é um bairro, ainda que os moradores sejam proprietários das suas casas. Pelo que os seus acessos devem ser tratados pelas entidades competentes que, neste caso concreto, são as autarquias, e em especial a câmara Municipal do Porto”.
Mas, um dos assuntos que não foi muito destacado no comunicado, e depois no encontro, foi a questão da segurança pública do local. E a verdade é que as coisas, pelo que nos contou Adelino Marques, começam a ser preocupantes na zona.
“Sei que há um grande problema de efetivos da Polícia, mas aqui já foram assaltadas arrecadações. Até fico admirado quando vejo um carro da Polícia aqui! Mas, na realidade, já começam a vir cá criar e fomentar problemas com o problema da droga. Como por aqui não passa a Polícia, eles sentem-se mais à vontade. O mesmo por exemplo não aconteceu, aquando das referidas obras nas ruas, pois no local estavam elementos da Polícia Municipal. Mas que já começaram a fazer alguns estragos, já. A minha arrecadação foi assaltada!”.
Fica o aviso.
Cerca de uma centena disse “presente” na reunião
Quanto ao debate, promovido pela Comissão do Abaixo-assinado, documento que foi entregue à Câmara Municipal do Porto a 13 de abril de 2018, com 387… assinaturas de moradores do Bairro Social da Pasteleira que conta com 467 habitações, teve bastante participação de público, sendo logo de realçar um lembrete, que partiu do coordenador Armando Ribeiro, ao referir que “em 2015, quando visitou o bairro, o presidente da Câmara, Rui Moreira, prometeu obras de recuperação. Obras que foram feita em 2018, e de forma incompleta”, ressalvando ainda o facto de que ninguém se encontrava ali “para fazer guerras”, só, e simplesmente, “para reivindicar aquilo a que temos direito”.
E começaram, então, a pedir a palavra alguns moradores e moradores da Pasteleira, começando por salientar problemas como o facto de um dos corrimões que dá apoio ao acesso a importantes áreas do bairro não estar em condições; dos buracos que existem junto à Torre 1 isto já depois das obras; da falta de poda das árvores – choupos – que provocam alergias e que deixam “as ruas brancas”, isto mesmo depois de terem alertado os serviços da Junta da União das Freguesia de Aldoar, Nevogilde e Foz do Douro e da Câmara Municipal do Porto e estes responderem que não estavam em condições para efetuar tal serviço (ficamos a saber por intermédio da deputada do PAN na Assembleia Municipal, que há um total de 500 choupos na cidade)…
E Mais: do lixo e dos contentores, que, com as obras, os retiram do local habitual, colocando-os num jardim (em plano inclinado) e que para serem esvaziados, a máquina eleva os contentores por cima dos automóveis estacionados junto ao local podendo vir a causar danos nas viaturas; a não existência de passadeiras para os peões; dos azares com os presidentes de Junta e da Câmara Municipal – “todos!” – pois “nada fizeram de especial”, e assim “a Foz, a Foz dos bairros ficou esquecida”; e a chamada de atenção, por parte de um dos moradores pelo pagamento de “300 euros de IMI”, ou seja “150 por cento a mais que o normal” e outros particulares problemas que deixaram à vista desarmada um bairro importante da cidade do Porto.
À espera dos “Ruis” (Veloso e Moreira)

No final, ficou a saber-se, que o Salão da Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira. Onde foi realizado este encontro, servirá de palco para a atuação de Rui Veloso em meados do presente mês. Contando o espetáculo com a presença de Rui Moreira. Um encontro de “Ruis”, que só falta contar com a presença do ex-presidente da edilidade, e atual líder do PSD, o outro Rui… Rio.
Será que os moradores, caso os problemas apontados até lá não foram solucionados, irão fazer alguma ação de protesto? Fica a pergunta, porque no final do encontro/debate não foi tomada qualquer medida futura de caráter reivindicativo.
De Visita… à Pasteleira
E a reportagem “EeTj” acompanhada por membros da Comissão do Abaixo-assinado deu, então, como que uma volta pelo Bairro da Pasteleira/Torres Vermelhas, num especial “De Visita…” para comprovar, através do registo de imagens, aquilo de que tanto se fala e revolta os moradores/condóminos da tripeiríssima Pasteleira.
Ora vamos lá…










Câmara diz que pedidos “não são tecnicamente exequíveis”
A posição da Câmara Municipal do Porto, quanto a este rol de questões é perentória. Em declarações de um responsável, publicadas no “Jornal de Notícias”, ficou a saber-se que “alguns dos pedidos feitos pelos moradores dessa zona não são tecnicamente exequíveis, como a colocação de passeios em vias internas”.
Realçando ainda que o “o bairro não é municipal” e “foi construído num tempo em que a filosofia de circulação no espaço público era diferente”.
Sendo assim, e segundo a autarquia, “o espaço existente não comporta uma requalificação com todas as valências. A câmara fez, contudo, recentemente, uma importante intervenção de repavimentação de algumas vias naquela zona, como nas ruas André de Rezende, Rui de Pina e Fernão Lopes, no sentido de garantir boas condições de circulação automóvel e em segurança”. Mas a questão é que, segundo os residentes, algumas dessas intervenções não foram levadas até ao fim…
01nov18









Boa tarde
Curvo-me perante tão bem delineada noticia, expressando por isso em meu nome pessoal e dos demais residentes que me orgulho representar (quer a nível associativo, quer como membro da Comissão Promotora do Abaixo-assinado,deixo o mais veemente agradecimento ao jornal «Etc & Tal» e muito particularmente a quem elaborou esta reportagem.
Cordias cumprimentos – Armando Ribeiro