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(AD)MIRAR MIRÓ EM SERRALVES DURANTE 25 ANOS… É OBRA (DE ARTE)!

O Governo, a Câmara Municipal do Porto e a Fundação de Serralves deram, no passado dia 24 de outubro, um passo histórico para a projeção da arte na cidade Invicta a nível mundial. As 85 obras que compõem a Coleção Miró ficarão no Porto, e mais concretamente em Serralves, nos próximos 25 anos.

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Numa sala (D. Maria, nos Paços do Concelho) repleta de convidados e jornalistas, o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, e a presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, Ana Pinho, assinaram dois protocolos que permitirão às 85 obras do pintor catalão Joan Miró, que se encontram na posse do estado português, ficarem sediadas na cidade do Porto, obrigando esta decisão a uma intervenção espacial, da autoria do arquiteto Siza Vieira

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)
Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

“Esta decisão salvaguarda o interesse público e nacional. Foi com “muita alegria” que o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, anunciou, nos Paços do Concelho, a parceria entre o Estado, o Município e a Fundação Serralves para a Coleção Miró. Recordando que este importante acervo de arte esteve para ser alienado pelo anterior Governo, mas que tal “felizmente não veio a acontecer” porque houve um grande envolvimento dos cidadãos e da Procuradoria-Geral da República para que não fosse dado esse fim, Rui Moreira congratulou António Costa pela solução agora encontrada. “Resulta de um desejo formulado pelo primeiro-ministro e pelo qual o Porto ficou muito grato”, assinalou.

Sobre o entendimento tripartido para a Coleção Miró, que não considera ser “uma amálgama de quadros”, mas sim uma exposição, porque “foi feita com critério e passou pelo escrutínio de especialistas internacionais”, o autarca sublinhou que o facto de ela ficar no Porto nas próximas duas décadas e meia “serve o interesse nacional”. A mesma coleção, informou, não será estática, pois poderá dar origem a diferentes exposições e fazer itinerância por outras instituições, nacionais e internacionais.

Rui Moreira explicou em que termos será feita a cedência: o Estado, na qualidade de proprietário das 85 obras de arte que compõem este acervo, cede-as por 25 anos ao Município do Porto; por seu turno, a Câmara compromete-se a garantir a proteção, a valorização e a divulgação cultural das obras.

Uma vez obrigado o Município do Porto, neste protocolo, à prática de todos os atos necessários à proteção, conservação, divulgação e promoção cultural das obras, entendeu fazer com a Fundação de Serralves um segundo protocolo. A decisão prende-se com o facto de a autarquia identificar Serralves com única entidade na cidade com capacidade técnica para assegurar todos aqueles propósitos, além do reconhecido e ambicioso programa de exposições de obras de arte de referência que desenvolve.

Neste acordo, designado “Protocolo de Depósito e de Promoção Cultural” das obras de arte que compõem a Coleção Miró, também pelo prazo de 25 anos, a Câmara pagará anualmente a Serralves o valor de 100 mil euros. No âmbito do mesmo protocolo, a autarquia compromete-se ainda a financiar até um milhão de euros as obras de ampliação, remodelação ou conservação da Casa de Serralves, que receberá a exposição permanente.

Os dois protocolos, assinalou Rui Moreira, vão ser agora submetidos aos órgãos da Câmara Municipal e ao Tribunal de Contas.

Casa de Serralves será adaptada à Coleção Miró por Siza Vieira

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Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração da Fundação Serralves, não escondeu a satisfação pela solução encontrada. Recordou que em 2016 a exposição estreou em Serralves e que, no tempo em que esteve aberta ao público, “foi um verdadeiro sucesso” atestado pela visita de 240 mil pessoas.

Distintiva pelo seu significado estético, a Coleção Miró, que terá como casa a Casa de Serralves, será acomodada de forma a poder adaptar-se a uma dinâmica de exposições permanentes e temporárias, “reflexo também da mundivivência do grande artista catalão”.

Com esse intuito, Ana Pinho anunciou que “Serralves terá o privilégio de contar de novo com Siza Vieira para a adaptação da Casa” para receber a coleção, da qual algumas obras serão também alvo de restauro. “Conservar e divulgar a Coleção Miró para as gerações futuras faz parte do nosso compromisso”, asseverou a administradora.

Rede de parcerias para a cultura

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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, no primeiro ato oficial desde a assunção recente de funções, congratulou-se por este “desenlace feliz” e destacou que “as parcerias são fundamentais para que a política pública de cultura possa prosseguir e desenvolver-se”.

Já o primeiro-ministro, satisfeito com o “modelo de gestão” encontrado para a manutenção e divulgação da Coleção Miró, lembrou a decisão do seu Governo de “não alienar e conservar” este conjunto de obras de arte. Também a resolução de vir para a cidade do Porto – adiantou – faz parte do seu plano de promoção do acesso à cultura em todo o território nacional.

“É muito importante que, num momento de grande crescimento económico, reforcemos a base cultural no Porto”, que já a tem intrinsecamente, disse António Costa. Ressalvou ainda a “triangulação entre Estado, Município do Porto e Fundação de Serralves” como um bom exemplo a seguir no que diz respeito ao estabelecimento de redes de parcerias para a área cultural.

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)
Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Já o primeiro-ministro, António Costa, satisfeito com o “modelo de gestão” encontrado para a manutenção e divulgação da Coleção Miró, lembrou a decisão do seu Governo de “não alienar e conservar” este conjunto de obras de arte. Também a resolução de vir para a cidade do Porto – adiantou – faz parte do seu plano de promoção do acesso à cultura em todo o território nacional.

“É muito importante que, num momento de grande crescimento económico, reforcemos a base cultural no Porto”, que já a tem intrinsecamente, disse António Costa. Ressalvou ainda a “triangulação entre Estado, Município do Porto e Fundação de Serralves” como um bom exemplo a seguir no que diz respeito ao estabelecimento de redes de parcerias para a área cultural.

“Joan Miró: Materialidade e metamorfose” inaugurada em Serralves… há dois anos

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A primeira fez que o Porto recebeu a coleção Miró foi em outubro de 2016. A inauguração oficial da exposição “Joan Miró: Materialidade e metamorfose” foi marcada pelas palavras do, então, presidente do governo de Espanha, Mariano Rajoy, que a distinguiu como “um maiores acontecimentos culturais, este ano, na Europa e que a obra de Miró não poderia estar em melhor lugar e em melhores mãos.” Uma opinião unânime com o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a reafirmar, uma vez mais, que o “Porto é a capital da liberdade e tal qual como o artista, exemplo de cultura e de liberdade”.

Joan Miró: o surrealista

Foto: pesquisa Google
Foto: pesquisa Google

Joan Miró i Ferrà, que nasceu em Barcelona a 20 de abril de 1893, falecendo no dia de natal de 1983foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista de renome internacional.

Quando jovem frequentou a Reial Acadèmia Catalana de Belles Arts de Sant Jordi, na capital catalã e a Academia de Gali. Em 1919, depois de completar os seus estudos, esteve em Paris onde conheceu Pablo Picasso e entrou em contato com as tendências modernistas, como o fauvismo e o dadaísmo.

No início da década de 1920, conheceu o fundador do movimento surrealista André Breton entre outros artistas. A pintura “O Carnaval de Arlequim”, 1924-25, e Maternidade, 1924, inauguraram uma linguagem cujos símbolos remetem a uma fantasia, sem as profundezas das questões psicanalistas surrealistas. Participou na primeira exposição surrealista em 1925.

Em 1928, viajou para a Holanda, tendo pintado as duas obras “Interiores Holandeses” e “Interiores Islandeses II”. Em 1937, trabalhou em pinturas-mural e, anos depois, em 1941, concebeu a sua mais conhecida e radiante obra: “Números e Constelações em Amor com um Mulher”. Mais tarde, em 1944, iniciou-se em cerâmica e escultura. Em suas obras, principalmente nas esculturas, utiliza materiais surpreendentes, como a sucata.

Vários anos depois, rumou pela primeira vez aos Estados Unidos e nos anos seguintes; durante um período muito produtivo, trabalhou entre Paris e Barcelona.

Foto: Wikipédia
Foto: Wikipédia

No fim da sua vida reduziu os elementos de sua linguagem artística a pontos, linhas, alguns símbolos e reduziu a cor, passando a usar basicamente o branco e o preto.

Algumas obras revelam grande espontaneidade, enquanto em outras se percebe a técnica feita com muito cuidado, e esse contraste também aparece em suas esculturas. Miró tornou-se mundialmente famoso e expôs seus trabalhos, inclusive ilustrações feitas para livros, em vários países.

Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, o mural que realizou para o edifício da UNESCO em Paris ganhou o Prémio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1963, o Museu Nacional de Arte Moderna de Paris realizou uma exposição de toda a sua obra.

Em 1978 recebeu a Medalha de Ouro da generalidade da Catalunha, e o Prémio António Feltronelli.

Texto: Porto. / EeTj (*)

(*)com Wikipédia

Fotos: Pedro N. Silva (Arquivo EeTj)

01nov18

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