Maria Lourdes dos Anjos
Ando com a minha cabeça completamente atordoada e não é do calor, nem do fumo dos incêndios e juro-vos que não bebo, nem fumo nem snifo…juro! Ando baralhadinha de todo com tudo o que se vai passando neste jardim à beira mar plantado. Expliquem-me, como se eu fosse assim uma dama Esteves, loira e reformada aos 42 anos de idade, expliquem-me porque eu ando mesmo completamente zonza :
1-Os telejornais abrem todos, a todas as horas, falando de festivais de marisco fenomenais, mosquitos desempregados, vazadouros perfumados e com pedaços, como os iogurtes Danone na praia, temperaturas altas, baixas e assim a assim… e tudo isto onde? No Algarve! Nada mais existe para além desta droga fantástica, chique e acessível a todos os que sonham um tempo tranquilo para desfazer as poucas energias renováveis que ainda tem quem ainda se dá ao luxo de ter emprego. Fume um Allgarve e seja feliz!
2-A Norte, uns gajos incendeiam tudo para dar uns euros às empresas dos aviõezitos que mijam água sobre as labaredas e depois morrem uns bombeiros que tem a mania de que serão heróis e ninguém sabe destas coisas lá para sul. Ninguém deita faladura, nem Pedro nem Paulo nem o caraças…silêncio que se vai cantar o fado! Eles drogam-se, não acham?
3-Um tal príncipe das Europas estica o pernil e o chefe da família Silva, sediada no presépio de Belém , acorda a meio da noite para dar os sentimentos à família enlutada…pois, mas sua majestade não era bombeiro, carago! Os tipos das mangueiras são povão badalhoco e droga-se!
4-Há um outro imperador, por acaso nascido a norte, que abriu umas avenidas financeiras para os netinhos duns senhores imperadores passearem, crescerem ricos e viverem descansadinhos e felizes e aí, pimba…há condolências e elogios nas têves todas porque é bonito ser agradecido a quem nos ajuda e estima os que nós amámos. Foi assim, juro que foi assim, e eu não fumo erva, nem palha, nem nadinha. Palavra de honra! Juro pela alminha do santo que tanto me tem ajudado.
5-Numa casita humilde, não na terrinha onde nasceu e cresceu e onde sobreviveu a vender peixe pelas portas com sua santa mãe que deus tem, mas longe, muito longe, lá para bandas de Lisbouas, vive algemado um senhor que até é muito sério e amiguinho dos pobres e dos ceguinhos um tal Duarte qualquer coisa Lima, que limou a vida duma senhora que era amante dum senhor muito rico e que herdou tudo, tudinho até a cadeirinha com penico que o senhor usava. Mas, pronto, também o Brasil é longe, a choldra por lá é muito foleira, também por lá há juízes corruptos, mas só se for para ajudar os coronéis brasileiros e, vai daí, é melhor a pulseirita no pernil e dormir na casinha modesta perto dos que ele ajudou a enriquecer… e o pobre homenzinho por aqui vai vivendo e resistindo, numa solidão terrível e numa humildade franciscana. Não se faz isto a um homem que até tocava piano na igreja! Por aqui, a s leis drogam-se, de certezinha…
6-Finalmente, os festivais do oeste, do norte, do sul e mais os de super cervejola, super rock, estiveram cheiinhos, cheios até à rolha, com malta que parece uma tribo sem-abrigo, bem bebida, bem na vida e muito dependente daquelas coisas esquisitas empacotadas, injetadas e snifadas.
Olhem estou toda baralhada, onde está a porra da crise? Onde está o bom senso dos chefes deste país desgraçado? Onde mora o futuro do meu povo? Digam lá eles drogam-se?
Eu acho que eles se drogam, de certezinha!
HEROÍNA
A mãe era quase outono
O filho início de primavera
Que ramo lindo faziam
Com diferentes folhas multicolores
E flores singelas com frescos odores
Chegou, de repente, uma dama tentadora
Vestia de branco.
Dizia-se conciliadora
Mentiu e levou tudo
O sossego do lençol
O pão que havia na mesa
O olhar tranquilo
O sorriso feito paz que ali vivia
E até o tempo contado entre a noite e o dia
A mãe fez-se inverno
E o filho vestiu-se de invernia
Há agora uma cruz pesada
Em quatro ombros pregada
E, lutando contra a dama branca e poderosa
Há um desejo de morte tranquila e silenciosa
Há uma mãe cansada, só e franzina
E a altivez duma mentira chamada Heroína
Lourdes dos Anjos in “ENTRE O GRANITO E A NEBLINA”
EM SETEMBRO, vamos por aí andando a semear Poesia
Dia 5–Quinta de Bonjóia, 21h00, apresentação do livro de José António Gonçalves, “A alma Também Chora”
Dia 6–Clube d’Avós e Poetas-Junta de Freguesia de S. Nicolau – 21h30
Dia 13–ACAPO-na rua do Bonfim-21h30
Dia 14–Casa dos Açores do Norte-rua do Bonfim-ainda sem hora marcada
Dia 21-Poesia no Auditório do Gerês
Dia 26–Centro de Dia da Arrábida– Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro -15h00
Fotos: Pesquisa Google
01-set-13







Muito obrigada meus queridos amigos DUARTE LIMA (este é um homem sério, não pertence ao OUTRO…)e ARMANDO MAGNO pelas palavras que me dirigem e que sei são sinceras .Espero NUNCA vos desiludir e sonho que ainda vamos CUMPRIR PORTUGAL!
A autora de, “Eles drogam-se de certezinha!” é uma mulher defensora do Porto, das gentes do Porto e de todo um povo sofredor.
É verdade que muitos e muitos deste povo, não conhece esta mulher, impiedosa no combate à mentira e no deixa andar.
É sarcástica nas suas criticas a tudo quanto de mau e mal se faz neste pobre país, à beira mar plantado.
A ela, à sua luta pela verdade, igualdade e fraternidade, à sua poesia e ao Jornal Etc e Tal, muito obrigado.
Com a minha vénia a uma SENHORA DO NORTE que muito estimo! Torno publico o meu total acordo com o seu desabafo. Bem hajas Lourdes Dos Anjos!