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“Natividade. Presépios na Colecção Cristóvam Dias” em exposição na Galeria da Biblioteca Municipal Florbela Espanca (Matosinhos) até março

Seis dezenas de presépios integram a exposição “Natividade. Presépios na Colecção Cristóvam Dias”, que abriu portas no passado dia 15 de dezembro, na Galeria da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos, e aí ficará patente até ao próximo dia 02 de março. A mostra inclui obras de alguns dos mais notáveis ceramistas nacionais, como Júlia Ramalho, os Irmãos Mistério ou Rosa Côta, mas também representações da natividade produzidas no Brasil, no México, no Perú e na China.

Figuração do nascimento de Jesus Cristo de acordo com o Evangelho de São Lucas, o presépio é um dos elementos centrais da celebração religiosa da quadra natalícia. A mais antiga representação conhecida data do século II, embora só no século XIII São Francisco de Assis tenham impulsionado o seu uso com a recriação de um presépio vivo numa gruta de Greccio, aldeia do Vale de Rieti.

Obra da autoria de Júlia Ramalho
Obra da autoria de Júlia Ramalho

As peças que compõem a exposição “Natividade” são, na sua maioria, originárias dos principais centros produtores portugueses de cerâmica artística figurativa (Barcelos, Famalicão, Santo Tirso, Bisalhães, Bragança, Caldas da Rainha, Estremoz e Évora), criadas por um importante conjunto de artistas e artesão nacionais, como Júlia Ramalho, Rosa Côta, Irmãos Mistério, Sérgio Amaral, Manuel Macedo, João Ferreira ou Delfim Manuel. Os presépios adquirem, assim, uma nova feição, desde logo minhota, passando, por exemplo, a incluir o Galo de Barcelos. Maria e José surgem trajados à minhota, a dançar o Vira. A manjedoura transfere-se para um carro de bois. As figuras bíblicas transformam-se em matarrachos tão delirantes como qualquer um dos produzidos na banca criativa de Sérgio Amaral.

Trabalho de Júlia Côta
Trabalho de Júlia Côta

Em alguns casos terá sido o próprio Cristóvam Dias a encomendar as representações da Natividade aos artesãos, que tinham na Romaria do Senhor de Matosinhos um dos principais pontos de venda dos seus produtos. É o caso de uma peça de Carlos Baraça, que custou ao colecionador “2000$00” (dois mil escudos, cerca de dez euros).

Para além de brilhante fotógrafo, José Cristóvam Dias (1931-2014) reuniu ao longo da sua vida uma coleção de cerâmica com 2700 peças, entre as quais 800 obras de figurado português. Por vontade do colecionador e dos seus herdeitos, este espólio foi doado à Câmara Municipal de Matosinhos em 2015, tendo a autarquia assumido o estudo, inventariação e divulgação do valioso acervo de Cristóvam Dias.

Texto: Jorge Marmelo (CMM) / EeTj

Fotos: CMM

01jan19

 

 

 

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