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“NÃO SEJA CÚMPLICE!”… APELOU A “UMAR” SOBRE MULHERES ASSASSINADAS EM 2018

Com a cidade do Porto em ambiente natalício e por entre os diferentes eventos alusivos à época que decorriam em simultâneo ao feriado do 1.º de Dezembro (Dia da Restauração da Independência), a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) em plena Praça da Liberdade, junto à estátua de D. Pedro IV, no Porto, apelou, “não seja cúmplice: dá um passo contra o femicídio!”. Uma ação de rua de “homenagem às Mulheres assassinadas em 2018”, em que os transeuntes eram confrontados com dados concretos de vítimas de violência doméstica.

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José Lopes

(texto e fotos)

Um flagelo que continua a ser preocupante e que, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR foram contabilizadas desde o início do ano (2018), mais de duas dezenas de mulheres assassinadas quer por ex. companheiros e atuais, assim como por familiares muito próximos, chegando a ultrapassar dados de 2017 ou seja, “entre 1 janeiro e 20 novembro de 2018 morreram, em Portugal, 24 mulheres assassinadas no contexto de relações de intimidade”.

Nesta iniciativa de rua que surpreendia quem passava junto à estátua de D. Pedro IV, tinha como elementos de denúncia diversos pares de sapatos, representando simbolicamente cada um, Mulheres mortas em 2018, com informação do próprio nome da vítima ou simplesmente Mulher com indicação da idade, da zona do país e quem cometeu o crime, assim como o tipo de meio utilizado nestes atos hediondos.

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A brutalidade dos crimes ali inscritos eram tanto mais repugnantes, quanto inquietante são os indicadores dos números contabilizados de mortes de mulheres pelo crime de femicídios, que vem exigindo ações e campanhas de denuncia como esta que a UMAR designou por “instalação simbólica”, para, “homenagear as mulheres assassinadas por maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados, mostrando que estes crimes hediondos têm de ter fim”.

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Nesta posição pública, chamou-se ainda a atenção que, “o silêncio e a indiferença de uma sociedade machista e patriarcal que coloca a responsabilidade na vítima e não no agressor, a falta de proteção adequada para muitas destas mulheres e a mensagem de tolerância enviada pelo nosso sistema judicial em muito contribuem para este crime”, é afirmado por esta organização.

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Por isso apela, “a que todas e todos deem mais um passo contra o Femicídio, exercendo a sua cidadania enviando uma mensagem clara de censura aos agressores e manifestando indignação por todos os atos que sejam a tentórios dos Direitos Humanos e trazendo à memória coletiva as vitimas e o seu sofrimento”, porque, “a sensação de impunidade de que goza o crime de Violência Doméstica e os seus agressores, em Portugal tem de terminar”, conclui a declaração da UMAR divulgada nesta ação.

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Com tal tipo de ações de rua, a UMAR quer também quebrar um certo silêncio que prevalece por parte desde logo dos governantes, ainda que Organização das Nações Unidas (ONU) se tenha comprometido a intensificar os esforços, através de medidas que detenham a violência contra as mulheres e as raparigas.

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Para além de todas ações de diferentes níveis que a violência contra as mulheres exige, num tempo de preocupante retrocesso nos direitos humanos. Eventos capazes de fazer parar e refletir quem passa numa praça ou qualquer outro lugar, são, por mais simbólicos que possam parecer, cada vez mais necessários. Neste caso, para além das inevitáveis mensagens, a UMAR dava também a conhecer os seus projetos de apoio às vítimas na cidade do Porto, como o Centro de Atendimento e Acompanhamento a Mulheres e Vitimas de Violência na Rua do Paraíso n.º 250.

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